Spray nasal da USP contra covid-19 mostra bons resultados

Por Metro Jornal

Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) estão desenvolvendo um tipo diferente de imunização contra a covid-19. O primeiro passo para uma vacina em spray, aplicada diretamente no nariz, já foi dado, e os testes iniciais tiveram resultados animadores.

O projeto é coordenado pelo médico veterinário marco Antonio Stephano, e baseia-se num modelo de vacina já testado em camundongos contra a hepatite B.

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Fundação Renova - agosto 2020

A equipe desenvolveu uma nanopartícula que, combinada com uma proteína do vírus Sars-CoV-2 – que causa a covid-19 -, pode incitar a produção de um tipo de imunoglobina chamada IgA secretora. Este anticorpo impede que o vírus entre nas células do sistema respiratório, o que pode bloquear a transmissão da doença.

O spray é injetado na mucosa do nariz, dispensando as injeções. No entanto, para garantir a eficácia da imunização, é necessário aplicar uma dose em cada narina, e repetir as aplicações quinze dias depois. Ao todo, são quatro doses do spray nasal, e o custo total é estimado em R$ 100.

A expectativa dos pesquisadores é que ela possa começar a ser aplicada no segundo semestre do ano que vem.

“Estamos na fase pré-clínica. Fizemos a primeira formulação. Estamos tendo resultados favoráveis. Agora começamos uma segunda e uma terceira formulação, juntas, para tentar melhorar a vacina, melhorar a resposta imunológica", explica o coordenador Marco Antonio Stephano, ao Jornal da Band. A pesquisa tem parceria com o Instituto do Coração.

O spray ficaria pronto apenas depois das vacinas injetáveis já em desenvolvimento, como a Coronavac (produzida pelo Instituto Butantan em parceria com um laboratório chinês), a vacina da Pfizer-BioNTech, testada no Brasil, e a vacina da Universidade de Oxford. No entanto, por ser 100% brasileira, a imunização em spray vai aumentar a independência do país na produção de vacinas e no controle da pandemia.

“Temos todos os atores necessários para que ele se torne realidade”, garantiu Stephano, ao Jornal da USP. Além do Incor, também estão envolvidos no projeto virologistas e imunologistas do Instituto de Ciências Biomédicas, especialistas em nanotecnologia do Instituto de Química da USP, pesquisadores da Plataforma Científica Pasteur e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Saiba mais na reportagem do Jornal da Band:

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