Depressão não é preguiça, pode ser incapacitante e precisa de tratamento

Por Metro Jornal São Paulo

De acordo com o relatório de 2017 da OMS (Organização Mundial da Saúde), pelo menos 322 milhões de pessoas no mundo todo têm depressão. No Brasil, o transtorno atinge aproximadamente 11,5 milhões de pessoas (quase 6% da população). A mesma organização já afirmou que, até 2020, a condição será a mais incapacitante do mundo.

Mesmo assim, ainda existe muita falta de informação sobre a depressão e muitas pessoas tendem a descreditar ou duvidar do diagnóstico depressivo, o que só prejudica o tratamento.

É o que conta a atriz e radialista de 25 anos Bia Matera, diagnosticada com depressão aos 16 anos e que batalha contra o transtorno até hoje. “Muita gente não acreditou. Agia como se [o diagnóstico] fosse algo que eu tinha inventado porque eu ‘parecia bem’ ou fazia piadas e brincadeiras, como se eu não pudesse rir nunca porque eu tenho depressão. Existe muito estereótipo”.

Por isso, é extremamente importante saber o que é a depressão. A psicóloga especializada em saúde mental e dependência química da plataforma Doctoralia Tatiane Paula Souza explica: “a depressão consiste de um desequilíbrio nos neurotransmissores do cérebro que é desencadeado por alguma experiência traumatizante, geralmente uma perda de qualquer tipo – luto ou mesmo perda de emprego. O padrão característico da depressão é uma tristeza persistente que compromete a vida da pessoa”.

Ela ainda ressalta que o quadro é “muito preocupante” e pode se agravar se o paciente não receber apoio. “Como o padrão mais típico da depressão é muito confundido com a preguiça, o paciente muitas vezes não é compreendido, então ele pode começar a se fragmentar, e aí pode correr risco iminente de suicídio.”

Ela explica que, ao ouvir das pessoas próximas que é preguiçoso e fraco, o paciente fica desencorajado de procurar ajuda, se vê como um inconveniente para as pessoas ao seu redor e acaba enxergando apenas alternativas extremas, como o consumo de álcool e drogas, ou mesmo o suicídio.

“Se alguém começa a não ter disposição para fazer as atividades que fazia antes, desde pentear o cabelo até ir trabalhar, é porque tem algo muito grave acontecendo”, reforça a psicóloga.

Bia revela que pessoas ao seu redor diziam que ela se fazia de vítima. “Isso doía muito, porque eu sei o que eu passo quando estou em crise.”

Tem tratamento!

A depressão não tem uma cura propriamente dita, mas tem tratamento. Com ele – que pode ou não envolver remédios -, o paciente consegue retomar suas atividades de rotina e até acabar com episódios de crises depressivas.

O diagnóstico deve ser feito por um psicólogo e psiquiatra em conjunto, diz Tatiane, para oferecer medicação, se necessário, e fazer terapia.

Bia compartilha sua rotina de tratamento: “Eu faço terapia desde os 17 anos e acompanhamento médico desde o ano passado”. Ela também conta alguns de seus hobbies, que ajudam-na a se distrair, como ler, ouvir música, ver filmes, “às vezes até pintar as unhas me distrai”. E relata, “tem dias que eu sinto que preciso ‘abraçar a dor’, não adianta eu me obrigar a ficar bem o tempo todo porque não é assim que funciona. É muito imprevisível”.  

Depressão

O que fazer para ajudar?

Se você perceber que alguém próximo a você está manifestando sintomas da depressão, encoraje-o a buscar ajuda profissional, diz a psicóloga Tatiane Paula Souza.

“Quem convive com alguém com depressão, deve assumir uma posição de parceria e companheirismo”, diz. “Esteja presente para aprender e para ajudar a pessoa a fazer as coisas que ela não está conseguindo mais. Evite rejeitá-la e evite julgamentos.”

E Bia reforça, “as pessoas sempre dizem ‘você só precisa sair, se arrumar [que passa]’, mas são passos tão difíceis de dar… Parece besteira, mas é muito melhor, em vez de ouvir isso, ter um amigo que diz ‘O que você acha de irmos ali fazer tal coisa? Eu vou com você!’”.  

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