Infecção urinária pode matar? Especialista responde

Por Metro Jornal

Uma infecção urinária pode parecer algo corriqueiro, mas não é e requer atenção. Na noite de segunda-feira, a cantora e atriz Rogéria morreu de choque séptico, justamente por causa do agravamento de uma infecção urinária.

Em julho, ela já havia sido internada devido à infecção, mas sofreu complicações e, em agosto, acabou sendo admitida na UTI do Hospital Unimed-Rio.

O quadro da artista evoluiu para uma infecção generalizada – a sepse -, levando ao choque séptico.

Luciano Azevedo, presidente do ILAS (Instituto Latino Americano da Sepse), acredita que o que ocorreu com a artista foi uma infecção urinária recorrente. “O paciente tem a infecção, é medicado, toma o antibiótico, melhora, mas a infecção volta – ainda que ela tenha sido tratada corretamente. E o que acontece é, quando você dá muito antibiótico para tratar uma infecção só, seleciona bactérias resistentes. Então o antibiótico que o médico vinha receitando para de funcionar”.

Ele também afirma que, em casos de infecções recorrentes, os sintomas podem mudar, dificultando o diagnóstico. No caso da urinária, em vez de sentir dor ao urinar, o paciente pode sentir dores abdominais, enxaquecas e tonturas. “Nós chamamos de sintomas inespecíficos, aqueles que não são associados automaticamente a uma infecção”.

Se a infecção se agrava, pode evoluir para sepse. A sepse, uma síndrome que atualmente mata mais pessoas do que infartos e cânceres, é a falência ou o mau funcionamento dos órgãos que acontece quando o corpo combate uma infecção.

“Quando se tem uma infecção, o corpo vai tentar combatê-la e, se ela estiver muito grave, isso pode afetar os órgãos. É uma espécie de guerra que acontece entre o nosso sistema de defesa e a infecção, em que o efeito colateral pode ser a danificação dos órgãos”, explica Azevedo.

O choque séptico, estágio mais grave da sepse, acontece quando o sistema cardiovascular é comprometido devido às tentativas do organismo de combater a infecção, seja ela qual for. “No choque, o paciente pode entrar em coma, o coração funciona incorretamente, a pressão cai, a pele pode ficar fria e pegajosa, e as extremidades ficam arroxeadas”. Se não tratado rapidamente, o paciente pode morrer.

Entretanto, isto não significa que qualquer infecção urinária vai evoluir para uma sepse. Se tratada corretamente, dificilmente caminhará para um quadro mais grave.

“É muito importante seguir as recomendações médicas com relação ao tratamento de infecções e obedecê-la até o fim do tempo determinado pelo profissional, mesmo que os sintomas passem já no início do tratamento”, ressalta Azevedo.

40 mil é o número de casos de sepse registrados por ano, sendo que mais de 55% deles levaram a óbito, segundo o Ilas.

Sintomas da sepse Reprodução

Aos primeiros sintomas, corra para o hospital

A sepse é uma doença mais comum do que se imagina, entretanto, poucos conhecem. Uma pesquisa do ILAS em parceria com o Datafolha mostrou que apenas 14% dos mais de 2 mil entrevistados em todo o país já tinham ouvido falar na síndrome.

Para Azevedo, esse dado é muito grave, visto que o desconhecimento impede o reconhecimento precoce da sepse, essencial para a sobrevivência do paciente.

“Tanto os familiares quanto o próprio paciente precisam ficar atentos durante o tratamento de uma infecção. Se ela não ceder com o uso dos remédios, deve-se ir ao hospital o mais rápido possível”, alerta.

Por isso, fique de olho nos sintomas mais comuns da sepse, como febre e fraqueza excessiva, “além dos sintomas da própria infecção. Numa pneumonia, o peito congestionado, tosse e por aí vai. Já na infecção urinária, dor abdominal e dificuldade maior do que o normal em urinar”, alerta Azevedo, que ainda aponta alguns dos sintomas em idosos, grupo de risco para desenvolvimento de sepse – assim como pacientes de câncer, portadores de HIV e crianças. “O idoso pode ficar confuso, com dificuldade até de reconhecer os familiares e muito sonolento”.

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