Endometriose assusta, mas tem tratamento

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Endometriose assusta, mas tem tratamento
Por: Metro Jornal São Paulo

Quando a atriz Daisy Ridley, protagonista de “Star Wars: O Despertar da Força”, postou uma foto em seu Instagram, em 2016, contando aos fãs que depois de uma cirurgia, muitas consultas e oito anos decorridos estava, novamente, com dores por causa de uma doença chamada endometriose, muitas pessoas ficaram sem entender o que era ou que isso significava. Mas, acredite, a patologia é mais comum do que se imagina: seis milhões é o número de mulheres afetadas apenas no Brasil, de acordo com a SBE.

A endometriose ocorre quando o tecido uterino (endométrio) se aloja fora do útero – como no ovário, no intestino, no pulmão ou nas trompas de falópio.

E essa última é uma das principais causas da dificuldade em engravidar. Como explica Jane Frederick, endocrinologista especializada em infertilidade, quando as trompas são bloqueadas, os espermatozóides não conseguem alcançar os óvulos.

Além disso, há o fator imunológico. “A endometriose provoca um processo inflamatório que pode alterar os mecanismos de defesa do corpo, dificultando até mesmo a função dos espermatozoides em fertilizarem o óvulo”, diz Luiz Eduardo Albuquerque, ginecologista e especialista em reprodução humana. Isso nos ajuda a entender porque há mulheres com endometriose de grau leve que não conseguem engravidar enquanto outras, mesmo em estágio avançado, não têm a dificuldade.

Mas isso significa que, até tentar uma gestação, uma mulher pode nem desconfiar da doença? Bom, nem sempre. Fortes cólicas, cíclicas ou contínuas, também são sintomas comuns.

“Exercícios físicos, técnicas de relaxamento e banhos quentes ajudam a diminuir as dores”, indica o especialista.

E antes de ficar aflita ao se lembrar de possíveis maus hábitos, saiba que não há nenhuma causa comprovada. O importante é estar com os exames ginecológicos sempre em dia, que podem suspeitar da doença. A certeza, entretanto, só é possível por biópsia.

Tipos de endometriose

  1. Presença do endométrio em um local isolado e sem aderências significantes.
  2. Presença superficial do endométrio com menos de 5 cm, sem aderências significantes.
  3. Presença do endométrio em vários locais da tuba uterina, com aderências evidentes em volta das trompas e ovários.
  4. Presença do endométrio em áreas superficiais e profundas, com aderências densas e firmes nos órgãos, como útero, trompas e ovários.

Como tratar
Tudo depende do grau da doença – que vai de 1 a 4. Os casos mais avançados requerem, sim, intervenção cirúrgica para remoção dos focos de endometriose.

Já os quadros mais leves podem ser tratados com remédios à base de hormônio, a fim de impedir a menstruação. “O endométrio cresce com a liberação do estrogênio durante o ciclo menstrual e depois é descamado e eliminado junto ao sangue. Quando esse tecido está alojado em outro lugar, ele cresce, mas não é expelido”, explica Albuquerque.

Lembra da dificuldade para engravidar? Pois é, não vai ser bloqueando a atuação dos hormônios do ciclo menstrual que ela vai desaparecer. Se o desejo da mulher é ter filhos, aí os processos podem ser diferentes.

Não posso mais engravidar?
Nada de sofrer por antecipação. “É possível corrigir as trompas de falópio, se estiverem danificadas, através de cirurgia. Ou, se a endometriose for mais severa, ainda há a opção de tratamentos de reprodução humana”, esclarece Frederick.

Quando a causa da infertilidade está mais ligada a uma reação de defesa do organismo, recomenda-se a inseminação ultrauterina – também conhecida como inseminação artificial –, em que o sêmen é inserido diretamente no interior do útero, para depois chegar às trompas.

Já para casos mais graves, a fertilização in vitro é a técnica mais indicada, segundo Albuquerque. Ela consiste na fertilização do óvulo em laboratório com condições que simulam as das trompas, transferindo, depois, os pré-embriões diretamente para o útero, onde ficarão até o final da gestação.

Caso você tenha sido diagnosticada, mas não queira engravidar nem apresente forte dores, não significa que não precise tratar. Há tanto casos de mulheres que permanecem anos em estágios iniciais da doença quanto de outras que em seis meses passam de um grau leve para um grau avançado, alerta o ginecologista.

E vale lembrar: o tratamento nunca é definitivo, já que novos focos podem aparecer. Por isso, acompanhe sempre o desenvolvimento do quadro e, claro, não hesite em procurar um médico se suspeitar da doença.

endometriosefertivitromileneoselenollafilholucaoselenollaalexandrenolla.jpg Milena e Alexandre na festa de aniversário de Luca
Arquivo pessoal

“Já estava costumada com as fortes cólicas quando descobriram que eu tinha endometriose estágio IV. A médica foi enfática: sem chances de engravidar. Passei anos tratando a doença, mas não conseguia a gestação. Busquei ajuda na medicina reprodutiva. Depois de quatro tentativas, a notícia: eu e meu marido seríamos papais. Hoje, o Luca tem oito anos, é um menino lindo e a endometriose está controlada.”
Milena Osele, 37 anos, nutricionista

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