Saiba como a bipolaridade pode prejudicar o desempenho escolar do seu filho

Por Carlos Minuano - Metro Jornal São Paulo
Dificuldade de concentração pode ser sintoma de transtorno bipolar - Image Source/ Folhapress
Saiba como a bipolaridade pode prejudicar o desempenho escolar do seu filho

Momentos de extrema euforia alternados com períodos de desânimo exagerado, e ambos sem motivo aparente, ou de maneira desmedida. Isso parece familiar? Se for o caso de seu filho, preste atenção porque pode ter transtorno bipolar. Muitas vezes o problema pode surgir na infância e passar despercebido ou ser confundido com outro distúrbio, como o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Ambos alteram áreas do cérebro relacionadas ao aprendizado e, se não forem diagnosticados corretamente e ainda na infância, podem trazer prejuízos aos estudos.

Não é que a pessoa não seja inteligente, afirma Luciana Brites, psicopedagoga do Instituto NeuroSaber. “Muito pelo contrário, as vezes têm um nível de inteligência até acima da média”. Mas, segundo ela, os sintomas, como falta de atenção ou irritabilidade, podem ser confundidos facilmente com um desinteresse momentâneo pela escola, algo comum entre jovens.

“Mas o aluno com transtorno bipolar pode não conseguir se concentrar na aula, ou apresentar alterações de comportamento, por estar muito agitado ou deprimido”, ressalta a especialista. Por isso, a especialista destaca a importância do cuidado que educadores devem ter ao observar sintomas como esses em seus alunos.

“Eles estão na linha de frente, deveriam ser os mais bem treinados para, depois de levantada a suspeita, encaminhar o estudante para uma avaliação.”

Ela recomenda a pais e professores prestarem bastante atenção aos comportamentos atípicos. “Não são pequenas variações de humor, são alterações muito extremas, que acabam impactando na vida da pessoa, como mudanças no sono, dificuldade de organização, isolamento e excesso de agressividade ou agitação”, afirma Luciana 

É importante que a criança seja avaliada por um especialista, um neuropediatra ou psiquiatra infantil. “O tratamento deve ser complementado por um atendimento multidisciplinar, com terapia e talvez apoio psicopedagógico para focar mais a questão escolar.”

Esse diagnóstico especializado é bem importante para, por exemplo, identificar, e tratar de modo correto o transtorno. Isso é possível analisando detalhes como a incidência ou frequência de um sintoma. “Diferentemente de uma criança com TDAH, que é sempre agitada, a hiperatividade no bipolar é cíclica.”

Também pode acontecer de a criança ter os dois  transtornos, observa a especialista. “Por isso, é bem importante que o diagnóstico seja feito por quem entenda realmente do transtorno”.

Arte cérebro bipolar Metro Jornal


Mãe percebeu transtorno em filha de quatro anos
O excesso de irritabilidade foi o primeiro sinal para a mãe de uma menina, diagnosticada com transtorno bipolar aos 4 anos. Ela, que pediu para ter sua identidade preservada, conta que chamaram muito a atenção os momentos de fúria, quando a garota brincava de quebra-cabeça e não conseguia terminar de montar. “As peças voavam, ela ficava muito brava, se autoagredia, se isolava e chorava, e de repente, como se nada tivesse acontecido, se acalmava e voltava a brincar.”

A certeza de que algo estava errado veio dos muitos sinais em atividades cotidianas, como a hora do banho. “Num dia tudo corria bem, até brincava, no outro, sem motivo se jogava no chão e se negava a ir pro chuveiro”. Na escola também apresentou problemas por causa da agitação. “Nunca ficava quieta. Derrubava estojo, livro.” 

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