Estudantes prestam Enem internados em hospital

Por Gabrielle Pedro e Isabelle Manzini - Portal da Band
Divulgação/Centro Infantil Boldrini
Estudantes prestam Enem internados em hospital

“Pretendo continuar a estudar medicina e de alguma forma contribuir para um país e um mundo melhor”, foi o que disse o estudante Oziel de Oliveira Costa, de 17 anos, que no no último domingo (5) realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) dentro de uma unidade hospitalar por conta do tratamento que faz para Leucemia Promielocítica Aguda. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), cerca de 45 alunos se inscreveram para fazer a prova dentro de um hospital em todo o Brasil.

Apesar da dura notícia de saberem que estão doentes e do tratamento pesado, a professora Cibelle Bittencourt do Centro Infantil Boldrini afirma que a intenção é mostrar a esses estudantes que suas condições de saúde não os deixam incapazes de realizar o exame. A equipe pedagógica do hospital tenta incentivar os pacientes a seguirem em frente. “A realização do ENEM não se resume apenas em um teste anual. A participação de nossos alunos/pacientes no exame significa investimento de vida, a partir do momento que vislumbra-se um futuro. Mesmo em um tratamento longo que gera dores e incertezas”, conta a pedagoga.

“Diagnóstico da doença não é o fim”

Assim como foi importante para Oziel realizar o exame, para a estudante Julia Pascini também. Desde março deste ano, a candidata está se tratando de um Linfoma de Burkitt no Instituto de Tratamento do Câncer Infantil (Itaci) e revelou ao Portal da Band que apesar de ter se abalado com o diagnóstico, foi graças a professora Angelita Moraes Ferreira que decidiu persistir no sonho de se tornar uma psicóloga. “Comecei o ano muito focada para estudar. Planejei estudos para o ano inteiro, mas quando soube que estava com câncer, desanimei muito e queria desistir. Porém, quando internada no Hospital Itaci conheci a professora Angelita, uma pessoa maravilhosa que me incentivou muito a estudar e me mostrou que aquilo não era o fim”, lembra.

A equipe hospitalar também deve estar preparada para atender não só as necessidades e exigências da prova, mas também as do paciente. “Toda a formalidade da aplicação da prova é seguida à risca, para que nada interfira na condução do exame. Neste caso, o candidato/paciente é acompanhado apenas pelo fiscal de sala e aplicador de prova treinados pelo INEP. Em caso de qualquer ocorrência, a equipe médica é solicitada imediatamente”, relata a pedagoga Cibelle.

Pressão durante a prova

Embora haja preocupação com a saúde e o bem-estar dos paciente é preciso destacar que eles devem seguir as mesmas regras que qualquer outro candidato que não esteja internado. Entretanto, o médico e psicólogo Roberto Debski faz um alerta: “a pressão de realizar uma prova ao mesmo tempo em que se encontra doente e hospitalizado aumenta a carga de estresse percebida pelo estudante. Para reduzir essa carga, ele deve procurar descansar adequadamente, alimentar-se apropriadamente, estar hidratado e tranquilo, acompanhado de seus familiares e equipe do hospital, exceto durante o exame.”

A professora Angelita do Hospital Itaci diz ainda que todo esse serviço já é feito pela instituição há três anos para tentar garantir o direito e a continuidade dos pacientes aos estudos, mesmo estando hospitalizados. Isso contribui para que eles tenham uma vida “mais próxima do normal”. Por isso, a professora lista que todo esse processo “motiva, ajuda na auto estima, contempla seus direitos e dá oportunidades ao candidato de ter a experiência de fazer o exame”.

Expectativas dos candidatos

Apesar do grande incentivo, não é tão fácil conseguir a autorização para realizar a prova no hospital. Essa, por exemplo, é a segunda vez que Oziel faz o Enem dentro da instituição, mas afirma que existe um processo burocrático para conseguir o aval do INEP, que começa desde o envio do laudo médico no momento da inscrição até uma visita técnica de uma pessoa responsável enviada pelo órgão. Mas os centros de tratamento tentam tomar todas as providências necessárias para que o candidato não tenha problemas para fazer a prova. No caso de Julia, a autorização foi concedida rapidamente graças ao “auxílio dos profissionais que estavam à volta”.

Agora, os seis pacientes do Hospital Itaci e os outros seis do Centro Infantil Boldrini se preparam para o segundo dia de provas do Enem que acontecerá neste domingo (12). Eles terão que se preparar para responder as 90 questões de Matemática e Ciências da Natureza. O estudante de 17 anos Dionathan Alex Bortolini, que está se tratando de um Sarcoma de Ewing, pensa positivo e acredita que terá um bom desempenho nessa prova, assim como no ano passado. “Eu fui muito bem em 2016 pois são matérias que tenho mais facilidade. Espero que a prova esteja fácil, assim como eu achei a de linguagens”, contou o futuro economista.

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