Os rinocerontes órfãos devolvidos à natureza sem chifres para não atraírem caçadores

Comércio ilegal de produtos feitos a partir do chifre dos rinocerontes coloca animais em risco em várias reservas africanas. Crença da medicina tradicional oriental sustenta que material pode curar doenças.

Por BBC Brasil
Os rinocerontes órfãos devolvidos à natureza sem chifres para não atraírem caçadores

Cinco filhotes órfãos de rinocerontes foram devolvidos à natureza na última semana na África do Sul. As mães desses rinocerontes foram mortas para o comércio de chifres.

Os filhotes foram resgatados, cuidados e reabilitados pela organização de proteção de rinocerontes Rhino Revolution, com base na África do Sul, durante dois anos.

A organização "reabilita" animais que sofreram violências para devolvê-los à natureza, de forma que se mantenham independentes e não domesticados. Seus chifres foram retirados para que eles não virem alvo de caçadores ilegais.

O comércio ilegal de chifres de rinocerontes é uma prática comum em vários países da África.

99016936da68b1bb71d54bd195679ae9db5cbe9d-5cb9d1960faa3b2fe0edfe27a8248bd9.jpg Veterinária faz carinho em rinoceronte cuidado pela organização Rhino Revolution, na África do Sul | Foto: Neil Aldridge / BBC

O material é então traficado para países como China e Vietnã, onde é extremamente valorizado – comparável a ouro. O negócio se baseia na crença, sem base científica, de que o chifre – que é feito do mesmo material que as unhas dos pés – pode curar tudo, de câncer a pedra nos rins.

990169358961c4bf0d874034821e30f76f05e20f-be50c0731d3928fc316a0d1b1777a722.jpg Animais formaram um grupo e foram devolvidos à natureza em reserva na África do Sul | Divulgação/Rhino Revolution / BBC

Os animais vieram de diferentes reservas na África e tinham diferentes idades ao chegar ao "orfanato" da organização.

Os cinco filhotes foram aos poucos apresentados um ao outro e rapidamente formaram um grupo. Agora que todos têm entre dois e três anos de idade, são grandes o bastante para se defender sozinhos na natureza.

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Pretória , na África do Sul, está acompanhando a adaptação deles à natureza. Os animais estão sendo monitorados à distância para avaliar condição física, comportamento e níveis de estresse e saúde.

Uma vez que se adaptarem a esse novo ambiente, eles serão introduzidos a uma região mais ampla da reserva, onde há rinocerontes brancos, para que possam se integrar aos poucos e se reproduzir quando chegar a hora para assim manter sua população.

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