Se engravidar, não beba! Saiba como o álcool pode afetar o seu bebê

Por Metro Jornal

Sair para se divertir e pensar em tomar um drinque não é a melhor escolha para as gestantes. O consumo de álcool na gravidez pode comprometer a saúde do feto, causando alterações nos órgãos e retardo mental, que são sintomas da SAF (Síndrome Alcoólica Fetal).

Não pode nem um pouquinho? Se você não quiser correr o risco de o seu bebê nascer com o rosto deformado, como déficit de atenção,  incapacidade de leitura, QI entre 60 e 70 (a média é de 80 a 110), hiperatividade e dificuldade de memória e de julgamento, melhor brindar com suco. “Qualquer diminutivo não diminui o risco”, afirma Cláudio Barsanti, presidente da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo), ao explicar que ainda não há uma bebida que cause menos complicações ou um estudo que determine o mínimo de ingestão aconselhável.

De acordo com o Ministério da Saúde, a prevalência dessa síndrome no Brasil foi estimada em 1 a cada 1 mil nascidos vivos, enquanto a média mundial é de 3 fetos para cada 1 mil.

“Bebês com SAF têm alterações bastantes características no rosto, as chamadas dismorfias faciais. Além disso, faz parte do quadro o baixo peso ao nascer devido à restrição de crescimento intrauterino, e o comprometimento do sistema nervoso central. Essas são as particularidades básicas para o diagnóstico no período neonatal”, diz Barsanti.

De acordo com o pediatra Hermann Grinfeld, no desenvolvimento infantil, as deformações no rosto melhoram, o que até dificulta o diagnóstico da doença. Mas outras alterações continuam na criança.

É possível identificar se o bebê tem SAF ainda antes de nascer. Segundo Conceição Aparecida de Mattos Ségre, do Grupo de Prevenção dos Efeitos do Álcool na Gestante, no Feto e no Recém-Nascido da Sociedade de Pediatria de São Paulo, pelo ultrassom é possível reconhecer casos de microcefalia, defeito no coração ou nos ossos. Ela alerta sobre a importância dos médicos também se informarem para atrelarem essas evidências à síndrome.

A SAF não tem cura, o diagnóstico precoce e a procura por um tratamento multidisciplinar ainda na primeira infância podem atenuar as manifestações, explica Conceição. Como ainda não foi determinado pela comunidade médica uma quantidade segura de álcool que não comprometa o feto, entidades como a Academia Americana de Pediatria e o Ministério da Saúde aconselham como único método preventivo não beber nada de álcool durante a gravidez. Como diz o neurologista José Mauro Braz de Lima: “Se beber, não engravide; se engravidar, não beba”.

Nasceu, e agora?

O cuidado não acaba depois do parto. O bebê exposto a drogas ou a bebidas alcoólicas consumidas pela mãe durante a gravidez podem ter uma síndrome de abstinência neonatal.

Os sintomas aparecem entre um a três dias depois do nascimento, como o aparecimento de manchas na pele, febre, choro excessivo, má alimentação, vômitos, irritabilidade e problemas do sono, diz Maria dos Anjos Mesquita, membro do Grupo de Estudo dos Efeitos do Álcool na Gravidez da SPSP.

Atenção para o leite

No período de amamentação, que deve durar no mínimo seis meses, a bebida também prejudica o bebê. De acordo com Cláudio Barsanti, não se deve beber durante a amamentação. Mas, se beber, espere o álcool ser metabolizado, ou seja, “sair do corpo”.

Por exemplo, se a mãe beber uma lata de cerveja, deverá esperar entre duas a quatro horas para amamentar a criança novamente.

De tudo o que a mãe bebe, 2% do álcool passa para a criança. Como o bebê tem o peso muito baixo, é pequeno, qualquer quantidade, ainda que pareça pouca, já deixa a criança sonolenta e estressada, explica o pediatra Hermann Grinfeld.

 

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