Monitoramento ajuda ONG a observar animais selvagens em área de exploração de madeira

Por Carlos Minuano

É possível explorar uma área de floresta e ainda assim preservar a biodiversidade da fauna. Mas, é preciso fazer isso com cuidado, diz Felipe Spina Avino, biólogo e analista de conservação do WWF-Brasil. Um monitoramento com armadilhas fotográficas realizado pela ONG em uma reserva extrativista no Acre está buscando comprovar isso.

As armadilhas fotográficas são câmeras equipadas para captar o ambiente selvagem, que ficam amarradas de forma discreta em árvores. Quando um animal passa em frente ao dispositivo, dispara uma foto ou vídeo. O recurso, principal ferramenta hoje de pesquisadores no monitoramento da biodiversidade, foi responsável pelo primeiro registro em vídeo de uma espécie rara, pouco conhecida: a pacarana (ou, no nome científico, dinomys branickii).

As imagens foram captadas na primeira etapa do projeto da WWF-Brasil realizado com oito câmeras-armadilhas instaladas desde o final do ano passado na Resex (Reserva Extrativista Chico Mendes), em Xapuri (AC). O registro, explica o biólogo, é o principal resultado da primeira fase do monitoramento e mostra que a exploração da madeira e a preservação da fauna são  possíveis. Mas ele acrescenta que ainda há um longo trabalho pela frente. “Para que isso seja demonstrado de maneira categórica e definitiva, é preciso examinar mais atentamente os vídeos e fotos feitos dos animais”. Mais de 20 espécies diferentes de animais foram flagradas pelas câmeras.

Mas os resultados obtidos já representam um avanço importante, garante o biólogo.  “Com esse material, os pesquisadores conseguem, por exemplo, estimar a população de onças do lugar, onde elas se alimentam, que caminhos percorrem, e assim obter um ‘dossiê’ mais preciso sobre o comportamento dos animais da região, além de identificar impactos. “Esses dados poderão ser incorporados nos planos de exploração dos extrativistas, ajudando na melhoria dos projetos e avançando nos processos de certificação da atividade madeireira e garantindo a conservação da fauna local”. Mas Alvino lembra que o sistema começou há pouco tempo. “Esse trabalho de examinar e catalogar as imagens todas ainda está em curso”. 

O monitoramento segue  este mês para sua segunda etapa, com mais 12 câmeras. “Queremos mais fotos, mais vídeos e mais espécies sendo registradas”, diz o biólogo da WWF-Brasil.

 

paca-de-rabo (do grupo dinomys branickii) Divulgação

 

O animal conhecido como pacarana ou paca-de-rabo (do grupo dinomys branickii), filmado pela primeira vez no monitoramento da WWF-Brasil, em uma reserva extrativista no Acre é uma espécie raríssima e classificada como vulnerável, segundo lista da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), que mede o grau de risco de extinção de diversas espécies. E a pacarana, que  é atualmente a única sobrevivente do grupo de roedores conhecido como dinomyidae, tem um parente de peso  e bem famoso : o animal pré-histórico josephoartigasia monesi, considerado o maior roedor já registrado pela ciência, que chegava a pesar mais de uma tonelada.

 

Extrativista Divulgação

 

Quatro extrativistas foram treinados para serem operadores locais dos equipamentos. Criada em 1990, a reserva onde o projeto da WWF-Brasil está ocorrendo se espalha por nove cidades do Acre e tem uma população estimada em aproximadamente 10 mil habitantes.

 

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