No Dia Internacional da Mulher, elas mostram que, de frágeis, não têm nada

Por Carlos Minuano - Metro Jornal São Paulo
Cientista

Cientista

Vida de cientista não é fácil. O dia a dia da oceanógrafa Manoela de Orte, 32, é tomado por muito estudo e pesquisa. Logo que se formou em pela Universidade Federal do Paraná em 2007, a cientista foi fazer meu mestrado na Espanha, por lá emendou um doutorado na Espanha, em 2013, de volta ao Brasil, encarou um pós-doutorado na Universidade Federal de São Paulo. No momento, ela está concluindo pós-doutorado no instituto Carnegie (Carnegie Institution For Science), na Universidade de Stanford, nos EUA. “Trabalho na área de poluição marinha, efeitos das mudanças climáticas nos oceanos e minha pesquisa no momento é focada na poluição de plástico nos oceanos”, conta.

Em relação ao papel das mulheres na carreira científica, ela acha que apesar de importantes avanços, preconceito resiste. “Ainda tem uma baixa representatividade de mulheres em publicações científicas e em posições de liderança”. Segundo ela, alguns homens ainda têm dificuldade de aceitarem mulheres nesse posto.  “Eu nunca sofri preconceito direto mas já ouvi relatos de colegas de trabalho que já ouviram comentários do tipo ‘você é muito bonita para ser cientista’.”

Embora reconheça que mulheres por muito tempo não foram ouvidas ou não tiveram coragem de se expressar, ela prefere evitar o ativismo radical. “Apesar de as redes sociais serem ótimas plataformas para exposição de opiniões, é preciso ter cuidado com a banalização que pode propiciar, principalmente em temas tão delicados como acusações de assédio sexual.”

ilustradora

Ilustradora

Quem precisa ser feminista são os homens”, afirma a ilustradora Mariza Dias. Se alguma coisa precisa mudar é o homem”, completa.

Com 50 anos de carreira como ilustradora em jornais e revistas, Marisa é um divisor de águas no jornalismo brasileiro. Ela já perdeu a conta das publicações onde colaborou. “É mais fácil perguntar onde não trabalhei”, diz.

Hoje ela segue desenhando no jornal Folha de S. Paulo, onde ilustrou durante anos a coluna Diário da Corte de Paulo Francis. Nascida na Guatemala e criada em um estilo de vida que chama de “seminômade”, ela conta que o desenho sempre esteve presente em sua vida. “É um problema congênito”.

O bom humor e o traço ácido, psicodélico, que ela prefere chamar de “surrealismo socialista” são marcas registradas da artista que, com o pincel nos dentes, abriu caminho para que muitas mulheres pudessem conquistar seu espaço nas redações jornalísticas, ambiente que há algumas décadas atrás era outro reduto tipicamente masculino.

“Sou a pastelaria do inconciente contra o ministério da normalidade”, se define Marisa.

somellier

Somellier de cerveja

Com experiência na área de marketing e formação em letras, Beatriz Ruiz, 30, queria mudar o mundo por meio da educação. Mas tinha uma cerveja no meio do caminho. Uma não, várias. O seu cotidiano de trabalho hoje é entre dezenas de barris da bebida. Mas não bebendo, como podem supor alguns mais desavisados. 

Ela começou como vendedora em uma importadora, fez cursos sobre o segmento e se especializou como sommelier de cerveja. Beatriz atualmente é gerente de marca da badalada cervejaria artesanal de Chicago, a Goose Island, que se instalou no Brasil recentemente. Seus dias agora são checando se sabores e aromas estão de acordo com os estilos fabricados, treinando garçons para vender bem os produtos, dando palestras sobre estilos, entre outras tarefas.

A mudança de rota na carreira ela conta que ocorreu há seis anos. “Foi um caminho sem volta”, diz. Hoje ela faz parte de um seleto grupo de meninas que começa a mudar a ideia de que o mundo da cerveja é masculino. “Na verdade sempre foi um território feminino”, afirma. “As mulheres que criaram a cerveja há 10 mil anos”, observa a sommelier, avisando que, durante muito tempo elas é que estavam à frente da produção e da venda.

“Os homens começaram a dominar o negócio porque a mulher naquela época não tinha direito a estudar, então não sabiam escrever, não sabiam receitas e nem operar máquinas”. 

Ela diz que se descobriu feminista recentemente e acredita que apesar de avanços mulheres seguem sofrendo com preconceito e desigualdade em todas as áreas. E para celebrar seu lado ativista ela criou há um ano a Confraria Feminina de Cerveja, um grupo só de mulheres (claro), que se reúnem quatro vezes por ano para fabricar a bebida.

O produto fabricado leva no rótulo o nome de alguma mulher importante na luta por direitos femininos. E o lucro das vendas vai para alguma instituição que trabalhe com o tema.

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