Atenção ao público feminino! Cuidado com a saúde mudou nos últimos anos

Por Gabriela Mayer - Bandnews FM

A saúde da mulher no Brasil exige um olhar não só para o adoecimento do corpo, mas para as causas e as consequências sociais dos problemas que mais atingem as brasileiras. As doenças do aparelho circulatório, o câncer, problemas respiratórios e as doenças metabólicas, como diabetes, são os quatro tipos que mais matam mulheres no Brasil, segundo o Ministério da Saúde.

Os dados da pasta ajudam a nortear as diretrizes para os cuidados com a saúde feminina, que mudaram muito no Brasil ao longo dos últimos 30 anos.

O Sistema Único de Saúde garante acesso igualitário a homens de mulheres, mas tem demandas diferentes para cada gênero. Desde 2004, vale a Política Nacional de Atenção Integral à Saú­de da Mulher, que sucedeu o Programa de Assistência criado em 1983.

 Uma verdadeira revolução, segundo a médica Carmem Simone Diniz, professora titular do Departamento Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade – ensino e pesquisa em Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP. “Até o começo da década de 1980 problemas eram atendidos por programas públicos, o de saúde materna infantil e o de prevenção do cancêr de mama e de colo do útero, hoje o país avança no sentido da saúde integral”.

Segundo ela, o novo conceito inclui tudo, desde saúde mental e ocupacional até DST (Doença Sexualmente Transmissíveis), aids, doenças crônicas, saúde do ciclo fértil, violência de gênero e envelhecimento.

São também essas políticas públicas que introduzem a ideia de que as mulheres têm o direito de fazerem escolhas informadas.

Mais informação

Uma proposta de acesso à informação como forma de que as pacientes participem ativamente dos cuidados com a própria saúde, conhecendo, por exemplo, os possíveis prejuízos e benefícios de cada procedimento e tratamento a que são submetidas. Isso ajuda, inclusive na prevenção, explica a médica Aline Oliveira, do coletivo feminista Sexualidade e Saúde.

“Quando a mulher encontra informação ela pode entender sinais que o corpo dá, sintomas e isso pode ajudá-la a perceber que algo está errado e aí sim ela pode procurar um médico, isso significa dar mais autonomia para a mulher sobre seu próprio corpo, para que ela entenda que cuidar do corpo vai além de ir ao médico”.

O conhecimento também é uma forma de respeitar as diferenças biológicas entre homens e mulher, por exemplo, no caso da tensão pré-menstrual, a famosa TPM. “É uma demanda frequente entre pacientes, querem remédio e saber como lidar melhor com isso e geralmente a resposta vem na forma de um remédio que vai inibir hormônios, permitindo passar um mês mais como um homem, ou seja com hormônios nivelados, sem tantas irregularidades”.

Para a médica, isso não se trata de anormalidade do corpo feminino, algumas mulheres nem sentem esses sintomas, mas em outras sintomas são muito intensos e demandam medicação.

Expectativa de vida é maior entre as mulheres

A expectativa de vida no Brasil é maior entre as mulheres – de 79,4 anos, contra 72,2 dos homens. E da infância à velhice, as idas ao consultório são parte da rotina delas. As brasileiras representam dois terços dos usuários do sistema de saúde. E isso é consequência de uma construção cultural, observa a professora da Faculdade de Saúde Pública da USP, Carmem Simone Diniz.

Nós, médicos, induzimos isso nas mulheres, falamos para as meninas quando elas entram na adolescência para ir ao ginecologista, mas não dizemos isso para meninos, quando ela menstrua levamos ao médico, quando começa a namorar providenciamos a contracepção, e depois da idade reprodutiva isso se acentua”.

Segundo a médica, conforme a idade avança, mulheres continuam a ir com frequência ao médico, muito mais do que os homens. “A elas é vendida uma ideia de correção, como se o corpo estivesse o tempo todo incorreto.

A série completa sobre saúde da mulher pode ser ouvida www.bandnewsfm.com.br/2018/03/05/confira-serie-especial-sobre-saude-da-mulher-brasileira. 

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