A reinvenção do Cursinho

Por Carlos Minuano - Metro Jornal

Salas lotadas e muita pressão. Durante muito tempo foi essa a realidade na grande maioria dos cursinhos pré-vestibular. Mas mudanças na educação, somadas a novas demandas de universidades e do mercado de trabalho, começam a mudar o cenário. Para garantir um bom desempenho nos principais processos seletivos do país, novas estratégias miram em caminhos diferenciados. Por exemplo, o desenvolvimento de habilidades não cognitivas, como as competências socioemocionais, empatia, criatividade e pensamento crítico.

O fortalecimento do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como via de acesso ao ensino superior e a ampliação de cotas nas universidades públicas estão por trás das mudanças de foco de vestibulares,  observa Mariana Stockler, gestora do cursinho do colégio Stockler, de São Paulo. “Uma tendência entre os cursinhos é oferecer preparação com foco em determinadas faculdades particulares, algo que não era tão comum antes”.

Criado na década de 1980 e interrompido entre 2011 e 2017, o cursinho do Stockler, que acaba de reabrir, desde o início experimentou um formato alternativo, diz Mariana. A receita por lá é: número reduzido de alunos e atendimento personalizado. Para atender as exigências mais recentes de vestibulares, novas turmas terão preparos de dicção, linguagem corporal e orientação de coachings.

Todo esse preparo faz sentido. Na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, para ingressar em administração é preciso elaborar uma carta justificando a escolha pela instituição. Na segunda fase, aprovados têm que sustentar oralmente o que escreveram em uma entrevista. No Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), por exemplo, a segunda fase de processos seletivos dos cursos de engenharia, economia e administração inclui dinâmica de grupo. A ideia, de acordo com o edital do vestibular da instituição, é medir a “comunicação assertiva”, ou seja, a capacidade de se relacionar em equipes. Outro aspecto avaliado é o pensamento crítico dos candidatos.

Para isso, é necessário ler o mundo, estar antenado a tendências e debates, afirma Diego Escanhuela, coordenador de pré-vestibular do COC de Osasco. “A aprovação não está mais garantida apenas gabaritando simulados”, garante. Por lá, rotina de alunos combina estudos e atividades como saraus e debates sobre temas que não estão em apostilas.

Conheça o novo preparo pré-vestibular

Mudanças em estratégias de aprendizado buscam atendimento mais personalizado

  • Estudos segmentados

Como nem todas universidades cobram as disciplinas da Fuvest, que antigamente era o padrão, a opção de não estudar determinadas matérias para focar exclusivamente naquilo que vai cair em vestibulares alvos são uma tendência dos novos formatos de cursinhos. Atividades preparatórias para encarar etapas orais de certos vestibulares, como entrevistas, por exemplo, é outra novidade que vem ganhando cada vez mais espaço.

  • Meios digitais

A inclusão das ferramentas digitais, plataformas com conteúdos extras e de aprofundamento, agendas digitais, interatividade móvel, plantões on-line e vídeo-aula são exemplos de novos recursos que atualmente são essenciais para acompanhar o volume praticamente infinito de informações que impactam e norteiam conteúdos e novas demandas de vestibulares.

  • Debates e fóruns

Desprendidos de conteúdos modulares, os espaços de conversa sobre temas atuais que chamem a atenção para problemas reais da sociedade estão presentes no novo cardápio de cursinhos. Empoderamento feminino, identidade plural, tolerância, entre outros assuntos contemporâneos, analisados e debatidos em grupo, permitem um maior aprofundamento sobre uma quantidade diversa de questões.

Orientação psicológica

Ajuda e orientação para lidar com questões emocionais são uma necessidade crescente para os alunos de hoje. Por ser um aspecto cada vez mais avaliado nos principais vestibulares, entrou de vez na agenda de cursinhos mais antenados, que perceberam que é preciso ir mais além do que a clássica orientação profissional.

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