Serra da Capivara: um lugar mágico e cheio de grandes descobertas

Vestígios dos primeiros habitantes das américas intrigam pesquisadores/| Divulgação
Serra da Capivara: um lugar mágico e cheio de grandes descobertas
Por: Gilberto Smaniotto- Jornal da Band

Poucos lugares no planeta nos põem em contato com a história do homem e da humanidade, como o da Serra da Capivara.

No sudeste do Piauí, o Parque Nacional Serra da Capivara, é um lugar mágico, cheio de grandes descobertas e tem intrigado pesquisadores do mundo todo. É que ali estão guardados vestígios raros dos primeiros habitantes das Américas.

Equipes de pesquisadores brasileiros e franceses, usando técnicas de datação, descobriram que a presença humana na Serra da Capivara tem pelo menos entre 50 mil e 100 mil anos. Isso derruba uma das teorias mais aceitas até agora: a de que o homo sapiens entrou nas Américas há mais de 13 mil anos, pelo estreito de Bering, entre os territórios da Rússia e do Alasca. 

A arqueóloga Niéde Guidon, que descobriu a existência dessa riqueza, explica que há 130 mil anos a África passou por uma seca muito grande que originou os desertos. As pessoas saiam para o mar em busca de comida. As correntes de vento acabaram trazendo canoas da África para o nordeste brasileiro. Niéde e a equipe dela encontraram alguns fósseis com características de africanos, e não de asiáticos.

“A gente escavava e descobria alguma coisa diferente. Até hoje, a cada novo trabalho, tem descobertas novas. A Serra da Capivara é uma região muito rica”, diz  Niéde.

Rica em todos os aspectos. São 212 espécies de aves, 57 de mamíferos. E tem a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo, que fazem parte dos registros mais antigos da américa. São cerca de mil conjuntos de pinturas datadas entre 14 mil e mais de 3 mil anos. Nossos ancestrais pintavam nas rochas o que representava o cotidiano deles.

Cenas da caça, sexo, partos, alguns cerimoniais. São formas gráficas de comunicação. “Eles usavam o óxido de ferro, material natural das rochas. É o mesmo processo de uma tatuagem. Como as rochas são porosas, a tinta penetrou 2 milímetros”, explica Waltércio Torres Correia, um dos guias mais experientes do Parque Nacional.

O macaco prego
O Parque Nacional Serra da Capivara é um laboratório a céu aberto. Gente do mundo todo vem para cá, em busca de descobertas.

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), estudam há muitos anos o macaco-prego, que vive nesta região.

Eles fazem as próprias varetas com pequenos galhos. E quase todas têm o mesmo tamanho, como se medissem uma a uma.

As varetas servem para retirar sementes e lagartixas de dentro dos troncos das árvores. O impressionante é que só os machos fazem isso.

O pesquisador Tiago Falótico diz que o uso da vareta entre os macacos é um comportamento cultural tradicional na Serra da Capivara. “Em outras regiões, os macacos não usam essa ferramenta. E eles têm as mesmas presas, comem lagarto e mel”.

Mas o que está impressionando ainda mais os pesquisadores é que são os únicos animais na América que batem pedra contra pedra, formando lascas, assim como eram feitas as ferramentas dos nossos ancestrais. O professor Eduardo Ottoni avalia que talvez os nossos ancestrais tenham usado ferramentas produzidas pelos macacos.

Os pesquisadores do Instituto de Psicologia da USP e um grupo de arqueólogos britânicos tentam agora decifrar um outro enigma. Os macacos, depois de afiarem, cheiram e lambem a pedra lascada. Ninguém sabe porque eles fazem isso. O que se sabe é que na pedra tem sílica, um componente importante na formação dos ossos, mas nenhum animal se atraiu por esse pó até hoje.

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