Skate vira ferramenta de inclusão para alunos autistas em escola

Por Metro Brasília
Bruno Oeres/Especial para o Metro
Skate vira ferramenta de inclusão para alunos autistas em escola

Hugo Gabriel Santos, 5, se alegra ao subir no skate pela primeira vez no dia. Poucos minutos depois, o garoto se anima novamente e já quer dar voltas no pátio da escola sem o auxílio da professora. Estar a poucos centímetros do chão pode parecer fácil, mas é um desafio para os alunos da classe especial do Jardim de Infância da 303 Sul, em Brasília.

Hugo é um dos cinco alunos autistas da turma que se aventuram em cima da prancha sobre rodinhas. “Eu gosto. Antes [da primeira vez], foi só um pouquinho”, lembra. Por meio do sorriso que Hugo mantém enquanto o skate toma distância é simples descobrir que ele adora a prática.

O projeto é uma iniciativa de Juliana Porto, 44. Há três anos, ela – que pratica o esporte e inclusive já participou de competições regionais – percebeu que esse poderia ser um caminho divertido para a inclusão e iniciou as aulas.

“É uma ótima forma de aprendizado. Eles aprendem a ter equilíbrio, foco, destreza”, explica Juliana. “A gente consegue trabalhar [com o projeto] a questão da tolerância. Tem o trabalho de esperar, entender a vez do outro. É difícil, mas depois que aceitam, fica melhor”, complementa Joelma Esteves, 35, uma das duas professoras que também lecionam na classe especial da creche. 

Subir no skate, porém, é a última parte da aula, que tem duração de uma hora e é ministrada todas as terças-feiras. Antes disso, os alunos passam por três fases: sensorial – quando eles tocam no skate, sentem as rodinhas e a textura da lixa que apoia os pés –; a de percepção – quando a professora responsável pelo projeto auxilia os alunos a subirem em um skate que não tem rodinhas –; e a terceira envolve a linguagem visual: os alunos recebem um molde pequeno de skate feito de papel e precisam colar as rodas nos locais exatos e ainda ficam livres para desenhar.

O professor de neurologia infantil e neurociência da Faculdade de Medicina da UnB (Universidade de Brasília) Carlos Nogueira Aucélio aprova o projeto e destaca que atividades lúdicas são benéficas para os autistas.

“Tudo que for para estimular a criança autista nos setores social, motor e linguagem, é de bom grado. O skate proporciona isso, melhora na parte de equilibro, na noção espacial, coordenação motora. Geralmente skatistas andam em grupo, e isso melhora a interação social, o que aprimora a linguagem”, detalha.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o transtorno do espectro autista tem diferentes graus de deficiência em comunicação e interação social. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 70 milhões de pessoas no mundo tenham autismo.

Apoio

Os dois skates utilizados nas aulas da classe especial do Jardim de Infância da 303 Sul são da professora Juliana. Os alunos só começam a usar o equipamento de segurança – que também é dela – depois de alguns meses do início do projeto, pois demoram a se acostumar com os objetos.

Juliana toca o projeto praticamente sozinha. Para este ano, porém, ela procura apoio. A professora explica que necessita de dois skates longboard 40 polegadas – porque são maiores e mais fáceis para as crianças – e equipamentos de segurança infantil.

Além dos cinco autistas da turma, a classe tem outras crianças. As mais velhas e não autistas também andam de skate para incentivar as outras. “O autista precisa de um modelo, ele vai muito por imitação”, explica Juliana. Na hora da prática, o sentimento é o mesmo: todos ficam ansiosos para andar de skate.

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