Médicos italianos fazem cirurgia inédita para separar gêmeas unidas pela cabeça

Por Metro Jornal com Ansa

Um procedimento cirúrgico inédito na Itália foi feito neste domingo (5) e anunciado na terça-feira (7) por um grupo de médicos do Hospital Bambino Gesù, de Roma.

Duas gêmeas que nasceram ligadas pela cabeça e nuca na República Centro-Africana foram separadas com sucesso numa das mais complexas cirurgias já feitas no mundo. A cirurgia levou horas e envolveu cerca de 30 profissionais da saúde, entre médicos, cirurgiões e enfermeiros.

Ervina e Prefina, que completaram dois anos em junho, compartilhavam boa parte do sistema nervoso e vascular, além do crânio.

O caso das gêmeas foi descoberto pela gestora do hospital em Roma, Mariella Enoc, que as conheceu durante uma missão na República Centro-Africana em julho de 2018. Em setembro do mesmo ano, as bebês foram levadas para a Itália para terem maiores chances de sobrevivência.

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A cirurgia exigiu um ano inteiro de preparação, e foi a quarta realizada nas garotas. Um grupo multidisciplinar de estudo, que fizeram um plano detalhado dos procedimentos e uma reconstrução em 3D do crânio das gêmeas, foi criado especialmente para este caso. A operação final de separação, feita no domingo, durou 18 horas.

A fase mais difícil do plano – e depois das cirurgias – foi a questão da rede de vasos sanguíneos cerebrais compartilhada em diversos pontos. Por isso, os especialistas optaram por fazer o procedimento em três partes para reconstruir dois sistemas venosos independentes, com capacidade para levar a quantidade de sangue correta entre o cérebro e o coração.

A mãe, Ermina, e as gêmeas Ervina e Prefina pós-cirurgia A mãe, Ermina, e as gêmeas Ervina e Prefina pós-cirurgia / Divulgação

"Nós gerimos uma situação rara no contexto de uma má-formação por si só muito rara. A peculiaridade aqui era dada pelo ponto de contato no crânio, que envolvia importantes estruturas venosas. Mas, nosso hospital tem uma escola de cirurgia sobre gêmeos siameses e essa intervenção é uma evolução dos outros casos tratados", destacou o responsável pelo Departamento, Carlo Marras.

Apesar de ainda existir o risco de infecção, considerado normal para pacientes que foram submetidos a uma situação tão grave, os controles pós-operatórios mostram que o cérebro está íntegro e o sistema recriado está funcionando. Com isso, elas poderão ter uma vida normal assim que saírem do hospital.

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