Foz do Iguaçu tem maior centro de reprodução de Harpias em cativeiro no mundo

Projeto em refúgio da hidrelétrica Itaipu, no Paraná, realiza a reprodução em cativeiro da maior ave de rapina do Brasil há dez anos

Por Vanessa Selicani - Metro

Elas impressionam com as asas brancas abertas que podem ultrapassar dois metros. Garras e bico pretos, um charmoso topete, e a ameaça de desaparecerem da natureza por conta da ação humana. As harpias são as aves símbolo do Paraná e consideradas a maior espécie de rapina do país. Desde 2000, projeto ambiental da hidrelétrica Itaipu Binacional acolhe aves resgatadas em seu Refúgio Biológico Bela Vista, localizado em Foz do Iguaçu, no Paraná. O local é hoje o maior centro de reprodução em cativeiro da espécie no mundo. O programa faz parte de uma série de iniciativas ambientais da hidrelétrica ao redor do lago gerador de energia elétrica.

A reprodução em cativeiro não é tarefa fácil, já que existem poucas iniciativas com a espécie. Muitos dos métodos empregados com as aves foram desenvolvidos pelos biólogos do próprio projeto.

Um deles é o processo para alimentação do filhote, fundamental para que o projeto começasse a engrenar a partir de 2009. Ao perceberem que os pais não alimentavam a cria, os biólogos investiram em novo protocolo. Eles retiraram o filhote do recinto dos pais e passaram a alimentar o animal com pinças em uma incubadora.

Harpia Divisão de Imprensa de Itaipu

O biólogo da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu Marcos de Oliveira conta que outro cuidado foi criar um ambiente com cortina para que o filhote recebesse comida após alguns meses. “É um cuidado para que ele não associe o alimento ao humano”, explicou.

O primeiro filhote em cativeiro nasceu no refúgio em 2009. Os pais do filhote foram resgatados e levados para Itaipu. O macho chegou em 2000 após ser encontrado em uma caixa de papelão na BR-277, em Foz do Iguaçu. A mãe completou a dupla em 2002, resgatada de operação contra o tráfico de animais silvestres em Juazeiro (BA).

O casal é pai de 22 filhotes nascidos no cativeiro. O primeiro deles, que veio ao mundo em 2009, também já é pai de uma dupla de harpias.

Os biólogos ainda estudam protocolos para soltar as aves na natureza. Por enquanto, as espécies nascidas no refúgio de Itaipu são enviadas para outras instituições de proteção à natureza. “É preciso finalizar o processo, criar um recinto no meio da floresta longe do contato humano, colocar presas vivas para as aves caçarem”, afirma Oliveira.

Segundo ele, as aves precisam estar expostas a situações naturais, como procura de comida ou a proteção da chuva e do sol.

Harpia O biólogo Marcos de Oliveira / Divisão de Imprensa de Itaipu

Alemães vão usar tecnologia para coletar sêmen

As técnicas de reprodução em cativeiro das harpias no Refúgio Biológico Bela Vista, em Foz do Iguaçu, no Paraná, vão ganhar contribuição alemã. Os biólogos da Itaipu receberão especialista do zoológico de Nuremberg para criação de técnica para coletar o sêmen dos machos da espécie.

“Já se faz a coleta para sêmen humano e de alguns animais, como os gatos, por exemplo. Mas para espécies ameaçadas de extinção, existem protocolos. A harpia não tem um ainda”, explica o superintendente de Gestão Ambiental da Itaipu, Ariel Scheffer.

Ele conta que o processo envolve ultrassom nas aves e localização das gônadas (órgão que produz as células sexuais) para realizar eletroestimulação e a ave liberar o sêmen. “A ideia é saber por enquanto como armazenar o sêmen. A segunda etapa é a fertilização com o material”, afirma Scheffer.

Outra tecnologia em testes no refúgio é a utilização de sensores nas árvores capazes de reconhecer o canto das aves da região para auxiliar na catalogação das espécies da região.

Harpia: que ave é essa?

A harpia é a ave símbolo do Paraná, considerada a rapinante mais poderosa do mundo. Conheça mais sobre ela:

  • Principais características são olhos pequenos, um longo topete, uma crista com duas penas maiores e uma cauda com três faixas cinzentas, que pode medir até 2/3 do comprimento da asa
  • Tem asas largas e redondas, pernas curtas e grossas, e dedos extremamente fortes, com enormes garras, capazes de levantar um carneiro do chão. Sua cabeça é cinza; o papo e a nuca, negros; e o peito, a barriga e a parte de dentro das asas, brancos
  • Voa alternando rápidas batidas de asa com planeio. Tem um assobio longo e estridente e, nas horas quentes do dia, costuma voar em círculos sobre florestas e campos próximos
  • Sua alimentação é feita de animais de porte médio, como aves, macacos e preguiças, que são capturadas quando tomam sol nas copas das árvores, de manhã cedo
  • O talão, como é chamada a unha, pode alcançar 6 centímetros, equivalente à unha de um urso pardo
  • Pode ser encontrada do México à Bolívia, na Argentina e em grande parte do Brasil, vivendo em árvores altas, dentro de vasta mata, onde constrói seus ninhos
Harpia Divisão de Imprensa de Itaipu
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