Empregar é tirar da criminalidade, afirma ex-detenta e empreendedora

Conheça a história de Vanessa Akama Barbosa, ex-presidiária que encontrou na moda uma forma de reconquistar seu espaço na sociedade

Por Laís Pagoto - Especial para o Metro Jornal

Egressa da prisão há pouco mais de um ano, Vanessa Akama Barbosa, de 35 anos, participou nesta semana do Women Will, em São Paulo. O evento, promovido pelo Google e a Rede Mulher Empreendedora, busca capacitar mulheres profissionalmente e incentivar a independência financeira.

Vanessa ouviu atenta às palestras do primeiro dia de encontros. Concentrada, ela queria aprender como sobreviver unicamente com o dinheiro de seu negócio, um e-commerce de roupas femininas, que começou há três meses.

No intervalo, a ex-detenta conversou com o Metro Jornal e contou sua história. Presa por tráfico de drogas, em 2012, Vanessa passou seis anos atrás das grades. Mas se a privação de liberdade deixou marcas, o processo para reconquistar o espaço na sociedade pode ser ainda mais penoso.

A decisão de mudar de vida veio ainda dentro da prisão, quando decidiu prestar o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Com a nota, conseguiu ingressar no ProUni, programa que oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de ensino superior. Hoje, Vanessa faz faculdade de Estética em São Paulo.

Ao deixar a penitenciária, ela contou com a ajuda do projeto Recomeçar, da ONG Gerando Falcões, para se reinserir no mercado de trabalho. A organização criada em 2011 tem parceria com diversas empresas. Uma delas é a PanoSocial, onde Vanessa trabalha atualmente na área comercial.

Além disso, ela e uma amiga, que conheceu na prisão, possuem a loja Giulliana Modas. "Roupa feminina vende muito. A gente trabalha com plus size, com roupas para senhoras, até masculina. Mas administrar tudo isso e fazer o negócio se tornar rentável e viável para a gente sobreviver só dele ainda tem sido um grande desafio", conta.

As vendas são feitas, principalmente, pelas redes sociais, com entregas a domicílio. "O boca a boca funciona muito bem, um indica para o outro. Você manda a foto de uma peça e a gente vai atrás", promete.

"Uma forma de subsistência para não voltar para o crime"

No Brasil, de cada dez ex-detentos, sete voltam a cometer crimes. A taxa de reincidência é uma das maiores do mundo. Para Vanessa, o amparo da família é apenas um dos fatores para alguém se manter longe da criminalidade. "Muitas vezes, a pessoa volta para o crime não é nem porque quer, mas porque não encontra emprego mesmo."

Segundo ela, que é casada e tem uma filha de 16 anos, o egresso sofre discriminação no mercado de trabalho. "O mercado já não está fácil normalmente. Para quem tem antecedente criminal é pior ainda. Pensa: você tem uma empresa. Você vai contratar alguém que já teve problema na Justiça ou quem não teve?", questiona.

"Hoje, tem alguns projetos sociais bem engajados nisso, como o Gerando Falcões e o Responsa, e as pessoas começam a abrir a mente para esse tipo de coisa. Uma pessoa que você emprega, você tira da rua e tira da criminalidade. Você promove a paz social, dá uma possibilidade dessa pessoa não voltar [para o crime]."

Conheça mais sobre o Women Will

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