Mulheres sofrem ataque violento em praia de Fortaleza motivado por lesbofobia e racismo

Por Victória Bravo

No último domingo (09) cinco mulheres foram vítimas de uma tentativa de linchamento motivadas por lesbofobia e racismo na Praia de Iracema, em Fortaleza.

De acordo com o jornal O Povo, uma publicitária, uma advogada, uma jornalista, uma graduada em marketing e uma universitária do curso de Moda foram cercadas e atacadas por um grupo de 15 a 20 pessoas após denunciar a agressão cometida por um vendedor ambulante.

"Dei 20 R$ e ele devolveu apenas R$ 6 de troco. Disse que não tinha o restante do dinheiro e que ia colocar mais cachaça na caipirinha. Minha namorada disse que não precisava e depois passava lá para pegar o troco. Ele começou a dizer que ela estava bêbada e agredir a gente com palavras. Foi quando escutei ele insultar e a chamar de sapatão e falou em questão de pele, uma injúria racial com ela. Ela não ouviu, pois estava distante. Eu voltei e pedi respeito. Quando virei para procurar minha namorada ele deu um soco na lateral do meu rosto", relatou a principal vítima da agressão que não teve a identidade revelada.

A advogada de 26 anos recebeu inúmeras ofensas e foi imobilizada por dois homens, além de ter pertences roubados.

"Na primeira porrada que ele me deu eu caí no chão. Meu óculos caíram e meu relógio sumiu. Quando levantei o outro cara que estava na barraca amarrou meu braço para trás e senti uma porrada no mesmo lugar. Continuaram me batendo e ele travou meus braços. Minha namorada ficou na minha frente e mandando ele ir embora", contou em  entrevista.

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Esse domingo, 9, que era para ser um dia de felicidade, em meio à comemoração pela vitória da Seleção Brasileira na Copa do Mundo feminina de futebol, acabou em violência, lesbofobia e racismo, na Praia de Iracema, em Fortaleza. Em um dos principais pontos turísticos da Capital cearense, cinco mulheres foram vítimas de uma tentativa de linchamento com gritos de "sapatão" e frases como "vocês não deviam estar aqui". O caso foi registrado por volta das 17 horas. Uma publicitária, uma advogada, uma jornalista, uma graduada em marketing e uma universitária do curso de Moda foram cercadas por um grupo de 15 a 20 pessoas após denunciar a agressão cometida por um vendedor ambulante. Elas têm entre 26 e 28 anos de idade. Elas afirmam que os responsáveis pela tentativa de linchamento ficaram revoltados com a denúncia, que fez com que a Polícia fosse atraída para o local. Uma sexta pessoa que também estava com as vítimas conseguiu fugir. A advogada de 26 anos sequer consegue repetir todas as ofensas que recebeu. Ela afirma que foi agredida e roubada. "Na primeira porrada que ele me deu eu caí no chão. Meu óculos caíram e meu relógio sumiu. Quando levantei o outro cara que estava na barraca amarrou meu braço para trás e senti uma porrada no mesmo lugar. Continuaram me batendo e ele travou meus braços. Minha namorada ficou na minha frente e mandando ele ir embora", relatou. (Foto: Mauri Melo/ OPOVO)

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A Polícia Militar chegou ao local, mas após nenhum dos suspeitos serem encaminhados para a delegacia, as vítimas desistiram e seguiram até o carro no intuito de voltar para casa.

Foi então que a tentativa de linchamento ocorreu e as mulheres foram surpreendidas por um grupo de 15 a 20 pessoas, a maioria do sexo feminino, que corria em direção a elas com gritos de "sapatão" e frases como "vocês não deviam estar aqui".

Uma terceira vítima da tentativa de linchamento relata que correu até o posto policial: "Cerca de 20 pessoas correndo atrás da gente, a maioria mulheres. Quando a gente viu, a primeira reação que eu tive foi de correr para chamar a Polícia. Eu corri muito rápido e, enquanto isso, as pessoas estavam batendo nelas. Cheguei ofegante na cabine da Polícia. Afirmei que minhas amigas estavam sendo agredidas e um dos PMs disse que ia pegar a moto. Eles foram e eu fui correndo na frente. Só pararam de bater nelas depois que a Polícia chegou", afirmou.

A Polícia Civil do Estado do Ceará informou que as investigações estão ativas e o órgão analisa qual procedimento policial será instaurado e em quais os crimes os autores serão indiciados.

"Estamos com medo. Eu não estou querendo nem sair de casa. O medo é que alguém tenha gravado a minha cara. Uma das meninas chegou a ver uma mulher armada com faca e saiu correndo. Poderia ter acontecido algo pior se a Polícia não tivesse chegado. A gente não tinha nem como se defender", relata uma das vítimas sobre as consequências que a violência trouxe a sua vida.


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