Gerente de loja no Paraná viaja à Roraima para levar alimentos a refugiados

Por Metro Curitiba

O sofrimento de venezuelanos que deixam seu país em meio a crise humanitária tocou de forma especial o gerente administrativo de uma loja de pneus em Colombo, na região metropolitana de Curitiba, no Paraná.

Chocado com a miséria que via pela televisão e internet, Luiz Eduardo Pimentel de Freitas decidiu fazer o que estava em seu alcance para minorar as dificuldades dos refugiados – e já tornou isto uma missão. Na semana passada ele começou a sua terceira viagem do ano à Roraima para levar donativos a serem distribuídos pela Operação Acolhida, do governo federal, que recebe e promove a interiorização de imigrantes e refugiados venezuelanos.

paraná roraima refugiados Luiz Eduardo e parte da carga, que aumenta a cada viagem / Ernani Ogata

“É uma tragédia ver o seu semelhante sendo tratado dessa maneira, morrendo às mínguas, sem alimento, remédios”, diz Luiz, que pegou quatro meses de adiantamento de férias (cerca de R$ 30 mil), bancou 10 toneladas de alimentos e partiu de caminhão rumo à Boa Vista em fevereiro. “Fui sozinho, eu e Deus”, diz ele, que ainda gastou R$ 13 mil de economias para custos logísticos da viagem de mais de 4,8 mil km.

Em abril, com 70% das despesas bancadas pela empresa, 20% pela Igreja Batista e outros 10% de donativos, levou mais 20 toneladas de alimentos, roupas e alguns remédios para o Batalhão de Selva do Exército Brasileiro, na capital roraimense, que posteriormente distribuiu os produtos em 11 abrigos com mais de 8 mil refugiados em Pacaraima, principal porta de entrada dos imigrantes, a pouco mais de 200 km ao norte.

paraná roraima refugiados Registro de Luiz na BR-174 em Manaus, na sua viagem anterior / Ernani Ogata

E nesta empreitada ele pretende levar mais de 30 toneladas de alimentos. Para tanto, Luiz terá ajuda de dois amigos voluntários, que pegarão outros caminhões da empresa para a expedição.

Luiz esteve em um quartel em Porto Alegre para pegar oito toneladas arrecadadas por lá. Cerca de metade dos donativos serão novamente bancados pela empresa e quem quiser colaborar tem até hoje.

Segundo Luiz, a viagem de mais de 20 dias segue rumo ao noroeste do Paraná, depois passa pelo Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e segue por chão até Porto Velho, em Rondônia, onde a estrada dá lugar a vias fluviais. Por balsa serão seis dias até Manaus (AM) e, por fim, mais chão até Boa Vista. “São de 23 a 28 dias ida e volta. A balsa na volta é subindo o rio, contra a correnteza, então demora mais”, diz.

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