Dia Mundial da Água: ambientalista comenta as principais pautas sobre o recurso

Por Eduardo Ribeiro - Metro São Paulo

Elemento natural de suma importância para a vida na Terra, a água já faz falta em vários lugares enquanto os oceanos e mares são vítimas da poluição e desvios de curso. No Dia Mundial da Água, convidamos o acadêmico e ambientalista Maurício Waldman, ativo especialista em recursos hídricos, para comentar as atuais pautas sobre a água.

Produção de alimentos
É verdade que a produção de carne vermelha demanda muito mais água do que a carne branca e qualquer tipo de vegetal. A criação de gado, no Brasil, segundo Maurício Waldman, consome 100 mil litros para gerar um quilo. Em comparativo, um quilo de arroz demanda 1.910 litros e, carne de frango, 3.500 litros. “100 mil litros são quatro anos e oito meses de banho de ducha”, diz.

Custo hídrico
Todo e qualquer produto que consumimos conta com o chamado “input hídrico”. Para se ter ideia, na produção de apenas um litro de gasolina, despende-se dez litros de água. “Uma folha de papel A4 exige 13 litros, enquanto uma camiseta consome 2.945 litros, e, um sapato, 8.547 litros.”

Origem
“30% da água que existe hoje na Terra é de origem extraterrestre”, afirmou Waldman. “O restante vem do resfriamento do magma.” É que meteoritos caem o tempo todo em algum ponto do planeta, e todos eles apresentam água em sua composição.

Só fechar a torneira, resolve?
“Fechar a torneira faz bem, mas os governos culpabilizam demais”, alerta o especialista. Um estudo do Instituto de Geociências da USP mostra que 60% da água encontrada em lençóis freáticos na Grande São Paulo vêm de perdas nas redes de distribuição. “A maior parte, portanto, procede de vazamentos e rompimentos de tubulações. Em âmbito nacional, perdem-se 36,7%.”

Gestão dos recursos
Nenhum sistema de distribuição está imune à perda de água. Mas no Brasil, aponta Waldman, desperdiçamos muito mais do que outros países. Enquanto São Paulo perde 31%, Chigago perde 2%, Amsterdã, 3%, Frankfurt, 3.3%, Tóquio, 3.6%, e Barcelona, 6%. “Até mesmo a caótica Mumbai, na Índia, perde menos: 13,6%.”

Seca do Nordeste
O acadêmico também disse que o problema da seca do Nordeste só existe por má administração. Em sua análise, uma boa gestão resolveria o problema. “Em Israel chove dez vezes menos do que na região mais seca do Nordeste, o município de Cabaceiras, na Paraíba (259 mm por ano), e os especialistas de lá dizem que está sobrando água”, argumenta. “Em diversas áreas chove bem mais do que em lugares realmente secos como África, Espanha e Marrocos.”

Acervo hídrico brasileiro
Mesmo sendo dono do maior acervo hídrico do planeta, o Brasil usa caminhão pipa para fazer chegar água em várias regiões. De acordo com Aldo da Cunha Rebouças, autor de ‘Águas Doces no Brasil’, o nosso acervo corresponde a 12% de toda a reserva superficial no mundo. Por isso, Waldman considera “um absurdo” que importe-se água para a região Amazônica, onde está 78% das águas do país.”

Água de beber
A água doce natural, proveniente de rios ou de escoamento superficial, representa uma ínfima porção da quantidade existente no mundo: apenas 0,015%. “Seria o mesmo que uma pequena gota numa garrafa de dois litros.”

Menos plástico, por favor
“Plásticos são vilões ambientais. Resíduos boiam em todas as águas do globo. Os oceanos estão entupidos de matéria plástica. 46 mil fragmentos boiam em cada 2,5 km² da superfície. Eles emitem poluentes persistentes, afetando ciclos biológicos.”

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