"Bullying está ligado a desejo de se destacar", afirma especialista

Por fabiosaraiva
Alunos da escola estadual Antonio Alcantara Machado, reunidos para tratar do bullying | André Porto/Metro Alunos da escola estadual Antonio Alcantara Machado, reunidos para tratar do bullying | André Porto/Metro

O bullying ocorre por diversas razões, afirma Viviane Rossi, psicóloga especialista em criança e adolescente. No entanto, segundo a especialista, as mais comuns estão ligadas ao desejo de um indivíduo se destacar em um grupo, utilizando agressões físicas, humilhações e depreciações de outras pessoas. “Geralmente os agressores tem muitos problemas emocionais, inclusive baixa autoestima, e querem tornar-se populares, como poderes sobre algum grupo de pessoas”, afirma.

A motivação para a prática do bullying – prossegue a especialista – é diretamente ligada ao agressor. “Embora os alvos sejam pessoas com algum tipo de fragilidade, não é possível prever o que pode motivar um agressor a iniciar uma agressão”.

O bullying configura uma situação de agressão, seja física ou psicológica. E atrapalha muito o desenvolvimento porque na juventude há uma grande preocupação com a aceitação nos grupos sociais e os jovens precisam deles para sedimentar sua própria identidade, afirma Viviane. “Uma pessoa que sofre bullying, tem sua autoimagem negativamente abalada, prejudicando sua autoestima, sua visão de mundo e, consequentemente, sua busca por parceria amorosa e colocação profissional”.

Todos contra o bullying
O Facebook em fevereiro entrou na onda antibullying com uma plataforma de prevenção que traz um guia com dicas e informações para jovens, pais e professores. A iniciativa da rede social que possui cerca de 1,5 bilhão de usuários, é inspirada em uma experiência que começou na Califórnia (EUA), e que teve o apoio da Universidade de Yale.

Apesar da campanha, a rede social afirma que entre seus usuários a prática do bullying há tempos não é aceita. “Nós permitimos que as pessoas se expressem livremente em assuntos de seu interesse e de interesse público, mas removemos conteúdos que pareçam atacar propositalmente indivíduos privados com a intenção de constrangê-los ou humilhá-los”, declarou a empresa por meio de sua assessoria de imprensa.

A rede social diz ainda que “esses conteúdos podem ser páginas, imagens alteradas, fotos ou vídeos de bullying físico, compartilhamento de informações pessoais para chantagear ou assediar e solicitação de amizade ou mensagens indesejadas repetidamente”. O Facebook tem 99 milhões de pessoas ativas no Brasil, um dos cinco maiores em número de pessoas na plataforma.

 

Tania Paris, presidente da Asec Tania Paris, presidente da Asec

“Bullying é um sintoma de falta de saúde emocional dos agressores”, afirma Tania Paris, presidente da Asec (Associação pela Saúde Emocional de Crianças)

Por que o bullying acontece?
Na essência, porque alguém está tentando sentir-se superior a outra pessoa. Isso é sintoma de baixa autoestima. O agressor tem a falsa impressão de que, ao intimidar alguém, irá sentir-se melhor consigo mesmo. Como a necessidade não é suprida, e o processo é usualmente inconsciente, é comum o agressor repetir e intensificar o comportamento, buscando adesão de outras pessoas.

O bullying é um sintoma de falta de saúde emocional dos agressores, que compromete a da vítima. Percebemos facilmente a necessidade de apoiar as vítimas, mas é importante também fortalecer emocionalmente os agressores para que encontrem outras formas de lidarem com suas dificuldades, que não prejudiquem terceiros.

Mudanças de comportamento podem identificar prática de bullying? Pode falar sobre isso e dar alguns exemplos das alterações comportamentais que dão sinais mais evidentes?
Sim, a criança ou jovem vítima de bullying entra em sofrimento e, usualmente, não busca auxílio, seja porque é ameaçada, ou por sentir-se merecedora da intimidação. Os sintomas mais evidentes são os de esquivar-se do contato com os agressores – não querer mais ir para a escola, ou buscar desculpas para faltar, adoecer, ter pesadelos, desenvolver ansiedade ou alta irritabilidade.

Quais danos podem causar no desenvolvimento do jovem?
O bullying é grave por minar a autoestima das vítimas. Elas precisam de apoio para terem certeza de que são pessoas “ok”, de que suas eventuais diferenças ou fragilidades, utilizadas pelos agressores para o bullying, são apenas diferenças ou fragilidades. Se não forem apoiadas, para manterem sua integridade, as vítimas tendem a um entre dois extremos – anularem-se ou se tornarem violentas.

Como convencer agressores a mudarem seu comportamento?
Em primeiro lugar, é importante que os responsáveis por ambientes de convívio de crianças e jovens adotem uma política de tolerância zero ao bullying. Os agressores precisam saber que esse é um comportamento que não se admite. Entretanto, a solução definitiva é a transformação do espaço de convivência num ambiente emocionalmente saudável – e isso se consegue com a capacitação e instrumentalização dos educadores para desenvolverem em crianças e jovens, por meio de programas específicos, um conjunto integrado de competências emocionais e sociais que as tornem aptas a lidar com suas dificuldades de forma positiva. Essas habilidades fortalecem a todos e têm o potencial de erradicar o bullying, além de proporcionar um conjunto de outros benefícios significativos, como a própria melhoria do aprendizado.

Dicas para quem sofre bullying
1.Acredite em si mesmo. Você não merece isso.
2.Tenha certeza de que você tem o direito de obter ajuda.
3.Faça alguma coisa de que goste, para sentir-se melhor. Isso pode ajudá-lo a se acalmar e pensar sobre o que fazer a respeito.
4.Identifique quem pode ajudá-lo.
5.Conte o que está acontecendo, de forma clara, para que possa ser compreendido. Não omita o quanto o bullying está afetando você.
6.Se não obtiver compreensão e ajuda, não desista – busque outra pessoa. Você tem direito à ajuda.

Dicas para os pais
1.Mostre-se interessado pela vida da criança/jovem. Ofereça-lhe oportunidade para contar sobre os amigos e seu relacionamento com eles.
2.Fique atento a variações de humor. Nem sempre quem sofre bullying está preparado para pedir ajuda verbalmente. Facilite.
3.Caso o seu filho afirme ser alvo de bullying, leve muito a sério o relato. Acolha, escute atentamente, jamais subestime – ele pode estar lhe contando só uma parte e, dependendo de sua atitude estará sendo encorajado a confiar o problema a você.
4.Aja no sentido de fortalecer seu filho, dando-lhe irrestrito apoio emocional. Coloque-se a seu lado, para pensarem juntos em como solucionar a situação.
5.Com a anuência de seu filho, ou junto com ele, converse com alguém que possa intervir junto aos agressores. Se necessário, pondere que os agressores também precisam de apoio.
6.Mantenha o canal de comunicação aberto para seu filho e demonstre o quanto se importa com seu bem-estar.

Veja os cincos principais tipos de bullying
Os atos de xingar, humilhar, constranger em público e excluir determinada pessoa ou grupo de pessoas, em razão de sua condição física, social, racial e ou financeira. Criar apelidos depreciativos;

Edição de montagem de fotos e vídeos utilizando-se indevidamente a imagem de terceiro com a finalidade de caluniar e difamar

Pornografia de vingança – a partir do recebimento de um vídeo ou imagem íntima, o qual fora compartilhado por um ex-namorado, por exemplo, inicia-se, por esse terceiro, a agressão verbal em face da pessoa cujo conteúdo fora vazado sem o seu consentimento

Lesão corporal – agredir fisicamente

Incitação ao suicídio (por não respeitar o próximo, inicia-se uma “tortura” e pressão psicológica em face da vítima para que esta não se sinta parte de um grupo, sociedade ao ponto de questionar o motivo de ainda viver).

Saiba mais:

Pesquisa TIC Kids Online
www.cetic.br/publicacao/pesquisa-sobre-o-uso-da-internet-por-criancas-e-adolescentes-no-brasil-tic-kids-online-brasil-2014/

Campanha Chega de Bullying
www.chegadebullying.com.br

Central antibullying do Facebook
www.facebook.com/safety/bullying

Campanha Internet sem Vacilo
www.internetsemvacilo.org.br/

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