Em Barretos, Hospital do Câncer atende de graça e não recusa pacientes

Por fabiosaraiva
No complexo de 150 mil m2   foram realizados 620 mil  atendimentos somente  neste ano | Divulgação No complexo de 150 mil m² foram realizados 620 mil atendimentos somente neste ano | Divulgação

Uma cidade dentro de outra cidade. No HCB (Hospital de Câncer de Barretos), que fica distante 423 km da capital, tudo é grande, tudo é muito. Este ano, por exemplo, foram prestados 620.849 atendimentos a 107.944 pacientes que saíram de 1.655 cidades de todo o país.

Gente que se desloca 4 mil, 5 mil quilômetros em busca de uma esperança de vida. De Rondônia, por exemplo, o HCB atende 97% dos pacientes que tiveram diagnóstico de câncer.

O prédio de 150 mil metros quadrados impressiona. Muitos, quando chegam, como a dona de casa Silvana Maurício, que saiu de Oliveira/MG, têm medo do preço que vão ter que pagar pelo tratamento. Mas no HCB ninguém paga nada. O atendimento é 100% SUS, o dinheiro liberado pelo governo, porém, cobre pouco mais de metade dos gastos e o hospital fecha todo mês com uma dívida de R$ 11 milhões, justamente por isso o HCB precisa de doações.

O hospital tem uma porta única de entrada para todos os doentes, mesmo os que têm convênio ou dinheiro para pagar, e todos são tratados da mesma forma e com a mesma atenção.

Mais que tratamentos de ponta e equipamentos de última geração, os pacientes têm carinho, o que tem feito muita diferença no combate à doença.

No HCB nenhum doente é recusado, nem mesmo aqueles que chegam com o câncer em estágio avançado e precisam de tratamentos paliativos, ou seja, cuidados para amenizar a dor e os sintomas. Eles são levados para o Hospital São Judas, no centro da cidade, onde o médico Paulo Prata – fundador do HCB – começou o trabalho que hoje tem várias certificações internacionais e índices de cura que passam de 60%. Esse número, porém, poderia ser maior se os diagnósticos fossem mais precoces.

Em tratamento, paciente se casa no hospital de Barretos

A cerimônia que celebrou a união entre o jovem Raul Jacobino Barbosa e Josimara Santos Oliveira foi rápida como a relação dos dois, que passou de um encontro “na balada” para um casamento brevemente.

Em tratamento contra um câncer no Hospital de Câncer de Barretos, Raul sequer havia contado para Josimara, então sua então namorada, que estava doente. Foi sem querer, num gesto de carinho, que a jovem viu um cateter fixado no corpo do paciente e, desde então, virou um importante ponto de apoio de seu companheiro na luta contra a doença.

A união em um momento delicado da vida de Raul foi oficializada em um casamento realizado no hospital, que surpreendeu o casal. “Achei que a gente ia casar só no papel. Que não ia ter nada. De repente tinha tudo”, afirmou Josimara. “Foi a maior declaração de amor sincero”, disse Raul.

Junto da família, adolescente luta contra leucemia

Nem mesmo os quase oito meses longe de sua casa, em Santa Catarina, tiram a esperança e a força de Yuri Dias, 13 anos, que enfrenta, ao lado de sua família, em Barretos, um tratamento intenso contra a leucemia enquanto aguarda por um transplante de medula.

Saiba como doar e ajudar o Hospital do Câncer de Barretos

Depois de passar por hospitais em seu Estado, o jovem só encontrou o diagnóstico e atendimento adequados na cidade do interior de São Paulo. Desde março internado no Hospital do Câncer de Barretos, o adolescente já enfrentou o tratamento de quimioterapia, e recebe medicamentos enquanto aguarda um transplante.

Junto de seu filho na luta contra a doença, o pai de Yuri, David Dias, aponta que o Hospital do Câncer de Barretos foi fundamental no tratamento do adolescente. “O diferencial (para o tratamento de Yuri) foi o hospital. Eu mostro fotos para todo mundo e ninguém acredita que é um hospital. (…) Toda equipe, todos, são muito atenciosos com todo mundo. O hospital não é nota 10, é nota 1 mil”, disse David.

Família tem atenção especial no Hospital de Câncer

Na unidade de cuidados paliativos do Hospital de Câncer de Barretos, os familiares dos pacientes também recebem atenção para enfrentar os momentos difíceis causados pela doença de uma pessoa tão próxima.

Uma das abordagens no auxílio aos familiares é a discussão e o tratamento do luto.

Uma vez por ano, as famílias participam de uma reunião para conversar, trocar experiências e participar de atividades.

Homem deixa SP em busca de tratamento em Barretos

“Meu marido não vai ser mais uma pasta”. Foi com essa determinação que Maria Neuza Silva Santos deixou sua casa, na zona norte de São Paulo, para auxiliar seu companheiro, Geronso Calais dos Santos, no tratamento de um câncer, no Hospital do Câncer de Barretos, depois de peregrinar por hospitais na capital paulista e sentir o mau atendimento e até mesmo descaso de alguns profissionais.

“No posto de saúde, eu falei: ‘meu marido está com câncer, o que eu faço?’ A moça (atendente) me disse: ‘tem todos esses na frente’, me mostrando um monte de pastas. (…) Meu marido não vai ser uma pasta”, disse Maria, que fechou um pequeno comércio que tinha para poder auxiliar seu marido na luta contra a doença.

A solução para o problema do mau atendimento encontrado nos hospitais de São Paulo veio através de um padre para o qual Geronso prestara serviços, que indicou o Hospital do Câncer de Barretos. À procura de tratamento, ele e sua mulher viajaram para a cidade do interior, para tentar no até então desconhecido hospital a cura para a doença.

Desde a chegada em Barretos, há seis meses, foram muitas as idas e vindas entre a cidade do interior e a capital paulista. Geronso foi operado e passou por tratamentos de quimioterapia e radioterapia, mas encontrou no atendimento do Hospital do Câncer de Barretos o diferencial em sua luta contra o câncer.

“Aqui a gente é tratado como gente. Isso faz a diferença, ajuda os remédios”, afirmou o paciente, que aguarda os resultados de exames para saber se pode ter alta do hospital ao qual é tão grato.

De Rondônia, menina de 2 anos busca tratamento em Barretos

Após meses buscando atendimento em hospitais públicos de Rondônia atrás do diagnóstico da doença de sua filha, Andreia da Silva Pires, mãe da pequena Gabrielly, de apenas 2 anos, encontrou no Hospital do Câncer de Barretos o atendimento e acolhimento que faltaram à menina em seu estado, o que lhe custou perda de um dos olhos, por conta de um tumor.

Após notar alterações na visão da menina, Andreia passou com sua filha por quatro hospitais no Estado de Rondônia, mas ouviu que sua filha só poderia ser tratada a partir de 2015, quando uma consulta poderia ser agendada.

Inconformada com a demora, a mãe de Gabrielly lutou por seus direitos e, após três meses, conseguiu que a menina fosse atendida. A perda de tempo, porém, fez com que o tumor comprometesse 75% do olho da menina, que recebeu tratamento ágil após sua chegada no Hospital do Câncer de Barretos. “Não deu tempo (de curar o olho de Gabrielly). Se não fosse a demora”, lamenta Andreia.

Após sua chegada a Barretos, a menina segue seu tratamento no Hospital do Câncer, contando com a hospedagem e auxílio para se manter, junto de sua mãe, a quilômetros de distância de sua casa.

Depois de retirar seu olho, a menina já ganhou uma prótese. Ela ainda passará seis meses por sessões de quimioterapia, para depois ser submetida ao tratamento com radioterapia.

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