Ação em São Paulo promove a inclusão social por meio da gastronomia

Por lyafichmann
André Porto/Metro Ação em São Paulo transforma pessoas com síndrome de Down em verdadeiros ‘chefs’ de cozinha | André Porto/Metro

Há quem acredite que a alta gastronomia seja para poucos, mas um grupo paulistano está aí para mostrar que para ser um chef de cozinha basta vontade, e claro, de oportunidade, principalmente para aprendizes que tenham a síndrome de Down.

No Chefs Especiais, projeto idealizado em 2006 pela jornalista Simone Berti e pelo advogado Márcio Berti, chefs renomados ensinam pessoas com deficiência intelectual a cozinharem e, mais do que isso, a terem autonomia na cozinha.

“Eles aprendem regras e descobrem como trabalhar em grupo. A autonomia é a principal habilidade desenvolvida, mas não só ela, a coordenação motora também. Com as aulas eles se sentem valorizados e, com isso, passam a responder melhor a tratamentos”, conta Simone.

As aulas acontecem uma vez por semana em Higienópolis para cerca de 12 alunos e não custam nada, nada mesmo. Funciona assim: os organizadores da ação convidam um profissional de gastronomia para ensinar uma receita e, quem tiver inscrito no projeto, é convocado. Além de aprenderem a preparar saborosos pratos como guacamole, rondelle e medalhão de filé mignon, eles também descobrem como realizar sobremesas como tortas de frutas, trufas de chocolate, petit gateau e mousses. No final, os participantes com síndrome de Down saem de lá com um diploma e com a deliciosa tarefa de degustarem as refeições feitas em aula.

“Tivemos uma aluna com leucemia cujo organismo não respondia bem aos tratamentos e que melhorou muito depois das aulas, pois passou a se sentir mais feliz”, lembra Simone.

Sobremesas também são ensinadas | André Porto/Metro Sobremesas também
são ensinadas | André Porto/Metro

Aprendizado

Fabrício Ernani da Silva, de 27 anos, que já participou diversas vezes do projeto Chefs Especiais e hoje faz o curso de culinária básica, relata sua experiência na cozinha.

“Eu já cozinhava um pouco, mas agora sei fazer diversos pratos. Faço tortas, massas e até sobremesas como mousses de chocolate, por exemplo. Minha família adora! Participar do projeto fez com que eu me sentisse feliz e também mais independente”, conta o jovem que quer seguir com os estudos. “Ainda não trabalho, mas acho que em breve poderei ser garçom depois do outro curso que estou pensando em fazer.”

Para participar do projeto, os interessados precisam apenas telefonar. Como as aulas são gratuitas e a procura é grande é preciso ter paciência, afinal, para 2015 o grupo já tem até fila de espera. “Temos 130 voluntários entre chefs de cozinha e nutricionistas em nossa equipe. Queremos expandir o projeto para outras cidades no próximo ano, mas ainda estamos estudando isso”, diz Simone.

Aulas trazem autonomia | André Porto/Metro Aulas trazem autonomia | André Porto/Metro

Passo na carreira

Diferente do que muitos possam imaginar, a aula não serve apenas como experiência inclusiva e recreativa, mas também como uma oportunidade para a carreira. Do Chefs Especiais, ou Down-Cooking como o projeto é chamado em Portugal, também saem auxiliares de cozinha e garçons. A capacitação acontece após o curso básico de gastronomia por indicação dos organizadores.

“Na aula em que a receita é feita, o chef convidado observa quais alunos levam mais jeito para a coisa e acabam orientando os familiares sobre a capacitação. Caso haja interesse, o jovem é direcionado para a turma, onde aprende desde noções de gastronomia até como atender bem e servir os clientes. As aulas acontecem no período da manhã e duram um mês”, explica Simone.

SERVIÇO – Chefes Especiais

Oficinas de Down-Cooking (aulas de duas horas uma vez por semana) e de capacitação profissional (todas as manhãs, das 9h às 11h durante um mês). Grátis. Rua Catanduva, 132, Higienópolis, SP.
Tels.: 2638-7478 ou 2638-5292.
contato@chefsespeciais.com.br
www.chefsespeciais. wix.com/chefs

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