Ensino a distância abre portas para retorno aos estudos

Por fabiosaraiva
Teresinha voltou aos estudos, 53 anos depois de parar |André Porto/Metro  Teresinha voltou aos estudos, 53 anos depois de parar |André Porto/Metro

Aos 11 anos, após concluir a 4a série do ensino fundamental, Teresinha Aparecida, hoje com 68, teve que abandonar a escola. Apesar de gostar de aprender, o pai permitia somente que os filhos homens se formassem. “Para ele, as mulheres precisavam se preparar para cuidar da casa, do marido e dos filhos”, relembra. Mas, depois de 53 anos, ela realizou o antigo sonho de voltar a estudar, com a ajuda dos cursos EAD (Educação a Distância). Em 42 meses, ela concluiu os ensinos fundamental e médio. E nem pensa em parar. “Vou fazer em 2015 faculdade de Serviço Social.”

Os cursos de EAD se tornaram portas de regresso para milhares de pessoas, de diferentes idades, que, tal como Teresinha, andavam distantes das salas de aula.

 

Flexibilidade

Os motivos que levam estudantes a interromperem seus estudos são os mais variados. Tempo insuficiente devido ao trabalho, filhos, falta de recursos financeiros. A flexibilidade dos cursos de EAD, em geral, é o que tem atraído cada vez mais alunos. No ensino superior, segundo o MEC (Ministério da Educação), entre 2011 e 2012, os cursos remotos tiveram mais matrículas (12%) do que os presenciais (3,1%). Sinal evidente de que o formato se consolida no país.

A liberdade de escolher a hora de estudar fez toda a diferença para Aparecida. Ter concluído o ensino médio foi uma vitória, descreve a estudante de 68 anos. Mas ela garante que, mais importante que os certificados de conclusão, é a satisfação de voltar a aprender. “Me arrependo por não ter voltado antes, só é analfabeto hoje quem quer.”

 

Motivação profissional

Tal como na evasão escolar, a volta aos estudos ocorre por diferentes razões. Formado em jornalismo, Milton Costa, 40, optou pela modalidade de ensino a distância por razões profissionais. “Meu plano era dar aulas de português na rede pública, mas comunicação social não oferece licenciatura”, conta.

O caminho escolhido por ele foi cursar Letras, por meio de um curso EAD. “Foi mais puxado que o curso presencial”, observa. “Precisa se dedicar muito para conseguir as notas exigidas, e requer também muita disciplina, afinal você é quem determina seu tempo de estudo diário.”

Essa combinação, que  explica desistência em alta,  representa o maior desafio desses cursos atualmente.

 

Crescem vagas; faltam leis e financiamento 

Os cursos a distância representam mais de 15% do total de matrículas em graduação. Considerando a variedade de ofertas no formato EJA (Educação de Jovens e Adultos), cursos técnicos e os recentes Moocs, o crescimento poderia ser uma boa notícia. O modelo se consolida, e representa uma potencial alternativa para ampliar o atendimento escolar. Mas o setor carece de atenção de políticas educacionais.

As dificuldades para os cursos EAD são muitas, diz Eduardo Alves, diretor do Instituto Monitor. “O problema maior é na legislação, cada Estado tem uma e alguns Estados não têm, isso dificulta o trabalho de instituições.” Outro ponto crítico é a falta de programas de financiamento. “Recursos do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) e do Pronatec (Fomento ao Ensino Técnico) não podem   ser aplicados no EAD.”

Segundo o MEC ( Ministério da Educação), uma revisão na regulamentação dos cursos EAD está em debate no Conselho Nacional de Educação.

 

Tendência – Para todos 

Os cursos livres oferecidos por universidades de ponta começam a ganhar força no Brasil. Algumas instituições cobram pelo certificado.

Equivalem a cursos de extensão, com a vantagem de que qualquer um pode fazer, sem seleção, a distância e gratuito. A pioneira nas aulas on-line foi a USP, por meio do portal Veduca. O site oferece também conteúdos de outras públicas, como a UnB.

 

dicas-educação

 

dicas-educacao-2

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo