Autorretratos de Fabiano Rodrigues unem skate, poesia e cenários urbanos

Por fabiosaraiva
Dentro da Pinacoteca do Estado, em SP | Fabiano Rodrigues Dentro da Pinacoteca do Estado, em SP | Fabiano Rodrigues

O trabalho do fotógrafo Fabiano Rodrigues consegue ser ao mesmo tempo novidadeiro tanto para o campo da arte contemporânea como para o universo da fotografia de skate. Ex-skatista profissional, ele tem sua obra representada pela Galeria Logo, que expôs recentemente a primeira individual do santista radicado em São Paulo. Sua nova série ganhou o nome de AUTOCONTROLE, batismo que não poderia ser mais acertado. É que grande parte da graça de seus enquadramentos vem da precisão performática de autorretratos captados em movimento sobre um skate, congelando o ápice das manobras em cliques previamente calculados. Soma-se a isso um acurado olhar, que coloca todos os elementos em harmonia geométrica com as formas arquitetônicas, revelando um bonito jogo de luz e sombras.

Desde 2010 explorando a paisagem de centros urbanos, Rodrigues tem predileção pelas construções simbólicas e modernistas. Morador da capital paulista há pouco mais de seis anos, em suas próprias palavras “fica quase impossível não prestar atenção nos ‘land marks’ da cidade”. Alguns desses lugares que ele já registrou são o Auditório do Ibirapuera, Memorial da América Latina, Museu do Ipiranga, Hotel Unique, Oca, o monumento escultórico de Tomie Ohtake na 23 de Maio e até o interior da Pinacoteca do Estado, que inclusive abriga obra do artista em seu acervo.

Rodrigues tem uma marca registrada: fotografa quase sempre em preto e branco, imprimindo cópias únicas. Curiosamente, a calmaria sugerida pelas imagens nem sempre condiz com a realidade. Até concretizar resultados como os que vemos aqui, ele, em alguns casos, faz de 30 a 40 tentativas para a mesma obra, e já chegou a ter que escalar um prédio para conseguir fazer a melhor fotografia. 

 

A sua série mais recente de autorretratos é aquela seleção exposta na individual AUTOCONTROLE. O que esses novos trabalhos trazem de diferente em relação às suas primeiras experiências, em 2010?
Na verdade, já existe uma série nova. A série da individual tinha como proposta retratar locações assinadas por algum arquiteto específico. Não era para ser um ensaio num local particular cidade. Toda essa exposição foi produzida sobre obras arquitetônicas do Oscar Niemeyer, e se estendeu ao Rio, Brasília e Minas Gerais. A nova série foi produzida no Marrocos e as locações são incríveis!

O seu trabalho salta aos olhos não só pela proposta inusitada, mas pelo senso estético da composição que você atribui às captações. O que inspira esse olhar? Você tem um apreço especial pela arquitetura das cidades?
Sim, a arquitetura é 80% do trabalho. Existe uma pesquisa muito intensa, ou essas arquiteturas parecem me escolher, pois muitos desses trabalhos aconteceram por convites ou até mesmo sorte. Mas existe a pesquisa. Como eu já disse: amo arquitetura. Amo fotografar. Amo andar de skate. Misturar tudo isso é muito natural. Eu sou apenas um elemento que está lá, tentando usar esses monstros, fazer parte deles. Quero desconstruir essas linhas, subverter e estar presente. Preciso estar em harmonia com a arquitetura e a fotografia em preto e branco, de uma forma que ninguém espera.

Por que a escolha do preto-e-branco?
Outra coisa que também é pessoal. Eu acho que já enxergo tudo em preto branco, desde comecei a fotografar. Só paixão mesmo.

Esse conceito nasceu ocasionalmente ou foi algo que você planejou?
Eu planejei algo pessoal, um registro próprio. Nunca imaginei que esse projeto poderia ter o caminho da arte contemporânea. Eu sabia o que estava fazendo, mas não sabia que estava fazendo, entende?

 

Saiba mais: Galeria Logo (Rua Arthur de Azevedo, 401, Jardim Paulista. 3062-0865/3062-2381. Ter. a sáb., das 11h às 19h. Grátis.
@galerialogo.com
fabianorodriguesphotography.tumblr.com

 

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