Exibição de filmes nacionais vira lei em escolas do país

Por lyafichmann
Oficina do Instituto Buriti em escolas | Divulgação Oficina do Instituto Buriti em escolas | Divulgação

Assistir filmes nacionais agora é obrigatório em escolas brasileiras. Nova lei, em vigor desde o final de junho, determina a exibição de no mínimo duas horas mensais de conteúdo audiovisual nacional.

A mudança não foi bem recebida por alguns especialistas. “Não faz parte de um projeto maior e reflete fragilidade na forma como são construídas políticas públicas”, diz Paula Louzano, pedagoga e doutora em Política Educacional pela Universidade de Harvard.

Ela diz que mudanças na LDB, devem ser reflexo do que a sociedade deseja, de forma ampla. “Chama a atenção esse tipo de projeto ser aprovado, e principalmente como o debate foi conduzido”. A especialista observa  que a medida não parece vir a serviço da educação e revela problema de interesses específicos atuando em questões pontuais.

“O autor dessa lei, Cristovam Buarque,  admitiu que o objetivo dela é de que brasileiro pegue gosto pelo cinema nacional, ou seja formar público para filmes”, salienta a pedagoga.

Cineastas defendem cinema nas escolas | Divulgação Cineastas defendem cinema nas escolas | Divulgação

A nova lei enfrenta ainda outro problema. De acordo com dados do Censo Escolar de 2013, cerca de 43 mil escolas brasileiras não possuem infraestrutura para atender a demanda de exibição. Ou seja, não possuem televisão.

Para o cineasta Luiz Bolognesi, nova lei é um avanço. “A escola está em crise, com alunos pouco interessados nos formatos tradicionais, audiovisual pode ser capaz de ajudar a renovar o ambiente escolar”.

Aluno editando filme em oficina | Jefferson Barbosa /Divugação Aluno editando filme em oficina | Jefferson Barbosa /Divugação

Audiovisual em escolas públicas  

Promover a integração entre produção audiovisual e educação em escolas é exatamente o objetivo do Instituto Buriti, dos cineastas Laís Bodanzky e Luíz Bolognesi. “Nossa ideia é fomentar o audiovisual como ferramenta de aprendizagem”, diz Daniela França, coordenadora pedagógica do instituto.

“Desde o início de 2014, estamos levando oficinas educativas de alfabetização audiovisual para escolas públicas de todo o país”, conta.Na primeira fase do projeto, segundo a coordenadora, os selecionados aprenderão conceitos básicos de produção (roteiro, câmera, edição, entre outros). “Depois vamos orientar a formação de grupos para criação de curtas-metragens ao longo do ano”, completa. Dez escolas de nove cidades brasileiras já foram atendidas.

Interessados em participar das oficinas do instituto devem acessar o Portal Tela BR (www.telabr.com.br/oficinas_itinerantes/inscricao).

MEC diz que dinâmica já acontece 

Em nota, o MEC (Ministério da Educação ), afirma que, desde 1996, já tem políticas de disponibilização de conteúdos audiovisuais em colégios via TV Escola, Portal da TV Escola e Portal do Professor, além da distribuição dos kits de DVDs da TV Escola.

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