Conheça a rotina de jogadores que fizeram do pôker a sua profissão

Por Carolina Santos
Mateus Lessa (Matu11) é um dos destaques brasileiros do pôker | Divulgação Mateus Lessa (Matu11) é um dos
destaques brasileiros do pôker | André Porto/Metro

É muito comum que amigos se reúnam no final de semana para jogar pôquer e se divertir tomando uma cerveja, apostando pequenas quantias de dinheiro ou até mesmo feijõezinhos, certo? Não para eles! Profissionais do pôquer tiram seu sustento do que para muitos é só uma brincadeira.

Nos últimos anos, o pôquer teve um grande crescimento, deixando de ser somente um jogo para tornar-se oficialmente um esporte, criando também uma “indústria do pôquer”, que alcança hoje canais com transmissão na TV aberta, promove torneios com jogadores profissionais e patrocina grandes atletas como o tenista Rafael Nadal e o ex- jogador de futebol Ronaldo.

Com esse boom, também surgiram muitos sites e aplicativos nos quais se pode jogar pôquer com outras pessoas do mundo pela internet, apostando-se tanto dinheiro real quanto fictício. Foi assim que o paulistano Mateus Lessa, de 26 anos, trocou as jogatinas esporádicas com amigos de escola por uma profissão que lhe deu destaque internacional como representante brasileiro do esporte, além de lhe sustentar financeiramente.

Matu11, como é conhecido no circuito mundial de Texas Hold’em (modalidade mais popular atualmente, em que cada jogador recebe apenas duas cartas e monta seu jogo com outras cinco cartas abertas na mesa), alcançou resultados importantes tanto em campeonatos on-line – como a segunda colocação no $215 Sunday Warm-Up, entre 4 mil participantes –  quanto em competições presenciais, como a recente conquista (na última segunda-feira, 11) do título do 200k Pokerleve, cuja mesa final foi jogada no clube H2, em Pinheiros.

Segundo ele, há uma grande diferença entre jogar presencialmente e pela internet. Quando se joga ao vivo, é importante analisar gestos e comportamentos para antecipar blefes. Já pela internet, é preciso prestar atenção em outros fatores, como o tamanho das apostas, o tempo que o adversário demora para apostar ou pagar, por exemplo.

Independente da plataforma escolhida, jogar pôquer não é só uma questão de probabilidade e sorte para quem enxerga as coisas como alguém que vive disso. Muitas vezes, participar de torneios significa encarar muitas horas de concentração constante, sentado na mesma mesa de jogo. “Não adianta ser o mais técnico ou o mais inteligente, se você não tiver disciplina e levar uma vida regrada, no sentido de comer bem, dormir bem, praticar atividades físicas e ter uma vida social legal”, afirma Lessa.

Além da parte física e do estudo técnico, a concentração é outro fator importante para quem joga, como afirma a também paulistana Renata Teixeira de Paula, de 27 anos, que pratica ioga para desenvolver o controle da mente e do corpo.

Ela conta que ainda há mais homens jogando do que mulheres, mas que este cenário está mudando. “As mulheres estão cada vez mais presentes nas mesas e homens e mulheres estão jogando de igual para igual. Hoje temos muitas mulheres profissionais, inclusive times unicamente femininos.”

Em equipe

Nem só de jogar vive um profissional… Há jogadores que oferecem aulas de treinamento, como Matu, e outros que abdicam de participar de campeonatos para montar e gerenciar sua própria equipe. É o caso dos sócios Marcelo Asensio, Fernando Viana, Armando e Victor Sbrissa, que administram o Smart Team.

Segundo Armando,  trata-se de uma parceria entre os jogadores e os investidores. “A gente investe nos jogadores, pagamos o buy-in (inscrição nos campeonatos) e oferecemos um treinamento técnico e suporte para que eles entendam como deve ser a rotina de quem vive do pôquer.”

O Smart Team conta com 23 jogadores, que juntos jogam mais de 20 mil torneios por mês pela internet e têm seus desempenhos monitorados pelos idealizadores do time, que verificam, entre outras coisas, se o estilo de jogo combinado está sendo cumprido e se as jogadas realizadas têm sido inteligentes ou não.

Outra função dos instrutores é trabalhar o lado psicológico dos seus jogadores. “Já que o pôquer é um esporte de inúmeras variantes, é importante trabalhar a cabeça dos competidores para que eles consigam manter a calma durante os jogos. Assim fica mais fácil para que eles tomem as decisões corretas”, finaliza Sbrissa. 

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