Pensar em tudo ao mesmo tempo faz mal à saúde

Por lyafichmann
Se você anda com insônia, irritação, dificuldade de concentração e de memorização, pode estar sofrendo da Síndrome do Pensamento Acelerado | Stock.xchng Se você anda com insônia, irritação, dificuldade de concentração e de memorização, pode estar sofrendo da Síndrome do Pensamento Acelerado | Stock.xchng

Diariamente somos bombardeados por uma avalanche de informações. Pela internet, smartphone, iPad e dispositivos móveis em geral, novidades nos alcançam em qualquer lugar ou momento. Ficar conectado o tempo todo parece cada vez mais normal. Mas, cuidado, essa aceleração da vida pode trazer prejuízos à saúde. Usar  em excesso a mente, e pensar em mil coisas ao mesmo tempo,  pode potencializar um antigo problema: a ansiedade.

Sintomas como insônia, irritação, dificuldade de concentração e de memorização podem indicar que você está adoecendo de um mal que ganhou o nome de Síndrome do Pensamento Acelerado. Uma doença moderna, típica dos grande centros urbanos, segundo o psiquiatra Augusto Cury, que tratou do tema em seu livro “Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século” (Ed. Saraiva).

De acordo com o médico, “a pessoa com essa síndrome, por pensar excessivamente, perde energia do córtex cerebral, parte mais evoluída do cérebro”. Dessa área vem o combustível para órgãos do corpo, como a musculatura e, segundo Cury, é o que explica, por exemplo, o cansaço físico extremado.

Captura de Tela 2014-08-07 às 17.09.34Muitos estímulos

“É um velho problema com uma cara nova”, avalia a psicóloga Ana Cássia Maturano, formada pela USP (Universidade de São Paulo). Para identificar se o uso do pensamento está exagerado, ela sugere uma comparação. “É como zapear a programação da TV, sem assistir nada de fato”. Segundo ela, com a mente é igual. “É como buscar algo que não se sabe o que é, não há foco.”

A especialista afirma que o problema é provocado por um estímulo exagerado ao consumo de informação. “Temos a impressão de que precisamos estar antenados a tudo e saber  o que acontece no mundo todo.”

Crianças também já sofrem os  impactos dessa aceleração, afirma Maturano. “Na obsessão de preparar os filhos para serem campeões em tudo, estabelecemos rotinas estressantes, com excessos de cursos  e atividades, muitos em vez de brincar, estudam mandarim.”

“Antigamente tínhamos mais tempo para processar as informações,   hoje com o ritmo muito acelerado,  isso não é mais possível”, analisa Rosa Maria de Macedo, doutora em Psicologia e professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Segundo ela, ocorre algo como uma “indigestão mental”, provocada pela sensação de não conseguir absorver tudo.  “São sentimentos de urgência e de necessidade, que nunca são satisfeitos, a pessoa não quer perder nada, mas sente que sempre faltou algo.”

Captura de Tela 2014-08-07 às 17.08.52Calma!

Para quem percebeu que está acelerado, a dica da psicóloga Ana Maturano é simples: desacelere. “Há várias maneiras de fazer isso, como entrar em casa  no fim do dia e se desconectar.” Outra recomendação é reservar tempo para não fazer nada. “Se permita apenas relaxar.”

A prática de atividades físicas também é bem-vinda, mas por prazer, diz Macedo. “Ou caímos em um padrão também de compulsão e aceleração.”

Sem consenso 

Embora concordem que o volume  frenético de informações pode trazer danos  à mente e alterações de comportamento que merecem estudos e atenção, especialistas consideram cedo para classificar o conjunto de sintomas como uma nova doença.

“Patologizar comportamentos é perigoso”, adverte a psicóloga Rosa Maria de Macedo, da PUC. “São derivados da ansiedade.” Para a psicóloga Ana Cássia Maturano, “ao denominar com esses termos, corre-se o risco de fechar demais a questão e impedindo uma análise mais ampla.”

Segundo ela, pode ocorrer algo semelhante ao que  se dá com crianças diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade). “Muitas são medicadas sem necessidade, ou seja, pode atrapalhar o tratamento por desprezar a subjetividades. O mais importante
é ter cautela ao tratar o assunto.”

estresse-ansiedade

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