Crise de abastecimento marca Dia Mundial da Água em SP

É verdade que 8% de toda a água doce existente no planeta está no Brasil, apesar disso, o Dia Mundial da Água, comemorado neste sábado, é marcado por uma crise de abastecimento em São Paulo.

A Sabesp atribui os recordes negativos de abastecimento do sistema Cantareira a fatores climáticos inéditos nos últimos anos. Mas, de acordo com especialistas em gestão de recursos hídricos, a crise de água é consequência principalmente do uso irracional da água.

“A água não é tratada como um bem estratégico. Falta integração entre a política nacional de recursos hídricos e as demais políticas públicas, além disso há graves problemas na área de saneamento básico”, afirma Glauco Kimura de Freitas, coordenador do programa Água para a Vida do WWF-Brasil. Segundo o especialista, o orçamento público em água doce é muito baixo e só há preocupação com este recurso quando chega a crise.

De acordo com a professora e engenheira ambiental Roberta Baptista Rodrigues, os esgotos deveriam ser retirados da porta da casa das pessoas e encaminhados para tratamento. Além disso, a preservação dos mananciais é muito importante, pois sua destruição e poluição provocam escassez da água.

Mas um dos pontos mais importantes é a fiscalização. Por conta de falhas na rede de distribuição e por desvios irregulares, popularmente chamados de “gatos”, bilhões de litros de água são perdidos ano após ano.

“Muitos reservatórios ficam em locais que foram ocupados e não são bem cuidados, o que degrada a qualidade da água”, explica Freitas. Estudo divulgado na quarta-feira passada pela SOS Mata Atlântica analisou a qualidade de 96 rios, córregos e lagos de 7 Estados das regiões Sul e Sudeste e aponta que apenas 11% dos rios e mananciais mostraram boa qualidade – todos eles localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas.

Especialistas alertam para a ‘cultura do desperdício’

Acostumado à abundância de recursos naturais, o brasileiro precisa perceber que o país está crescendo e que a água não é um bem infinito. “Está mais do que na hora da cultura do desperdício acabar”, diz a engenheira ambiental Roberta Rodrigues.

Segundo especialistas, o principal interessado, o grande público, ainda não percebeu a importância dessa questão e não conhece a fundo da onde vem a água que chega em sua casa. “Pequenas medidas e pensar no coletivo e nas futuras gerações ajudam a preservar a água e é fundamental para lutar contra sua escassez”, explica Glauco Kimura de Freitas, coordenador do programa Água para a Vida do WWF-Brasil.

De acordo com Roberta, falta investimento na educação ambiental. Ela explica que deveriam existir mais políticas de incentivo e campanhas de conscientização para a preservação da água. E não apenas quando a crise chega, mas sempre. Para isso acontecer é muito importante a contribuição de autoridades públicas e do setor privado. Segundo Freitas, falta fiscalização para não deixar que as pessoas joguem lixo nos rios e lagos, e também proibir o uso da água com descaso. “A legislação deve ser mais severa para quem abusa da água. Por exemplo, quem utiliza água potável para lavar o carro, deveria pagar uma multa”, diz Roberta.

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