Barbados voltam à moda e caem no gosto das mulheres

Por Tercio Braga
Cena do longa Cena do longa ‘Inside Llewin Davis – Balada de um Homem Comum’ | Reprodução

Para o paulistano que frequenta casas noturnas, bares, museus ou restaurantes moderninhos é praticamente impossível escapar da profusão cada vez maior de sujeitos barbados. Um dia considerada sinal de desleixo ou coisa de hippies, as barbas definitivamente se tornaram parte do visual de hipsters e alternativos em geral. A onda não inundou só São Paulo. Nesta semana, a imprensa internacional relatou uma verdadeira corrida de ingleses e americanos aos consultórios para fazer implantes de barba (leia mais abaixo).

O ressurgimento das barbas pode ser traçado até o início do século 21, quando o revival de música folk nos EUA e Europa, da qual cantores como Davendra Banhart fizeram parte, ganhou força e tornou repentinamente aceitável usar barbas compridas. Atualmente em cartaz, o filme “Inside Llewyn Davis” é uma boa amostra da cena folk original, ocorrida nos anos 60, um dos últimos períodos no qual o uso de barbas foi popular antes da onda atual.

O filme é apenas um dos muitos sintomas da nostalgia retrô na cultura pop global. Coincidindo com o visual hipster, o ressurgimento de barbearias está aumentando cada vez mais. Uma das mais conhecidas em São Paulo é a 9 de julho, cujo nome é uma homenagem à revolução constitucionalista de 32, e que conta atualmente com seis unidades espalhadas pela cidade. O lugar tem decoração retrô e trilha sonora rockabilly para atender uma clientela que inclui músicos e artistas famosos.

Os donos, porém, dizem que ignoram os modismos e fazer apenas o que gostam. Hipsters são bem-vindos, mas não são o público-alvo. “Eu acho que o uso de barba está forte sim, mas discordo que seja um modismo. Pra mim, clientes de barba são pessoas com personalidade. Eu particularmente não gosto, mas meu sócio usa” diz Anderson Napoles, 35, um dos donos do lugar.

nova-onda-dos-barbados620Mesmo com a popularização das barbearias, Napoles acredita que financeiramente não é um bom negócio. “Se tivéssemos pensado mais comercialmente teríamos aberto um salão de cabeleireiro. Abrimos várias unidades porque elas são pequenas, mas só por isso.”

O funcionário Estevam de Salvio, 33, foi chamado para trabalhar no lugar por ser amigo dos donos.

“O emprego é recente, tem uns 6 meses que estou aqui”, conta. “Nunca imaginava fazer isso, não tinha experiência nenhuma, mas resolvi aceitar o desafio”. Salvio acredita que o número de barbearias vem aumentando. “Me parece que estão resgatando essa coisa do barbeiro, tem aparecido lugares novos.”

Modinha

Salvio diz que não se incomoda com o modismo, mas vê isso como algo irônico. “Sempre usei, então não gosto muito quando vejo um cara que sempre falou mal usando barba hoje em dia. Não chego a ficar irritado, mas torço um pouco o nariz pra gente assim.”

Eduardo Giffoni, 38 anos, usa barba desde 2009, há pelo menos 5 anos. “Trabalhava num escritório, mas virei professor de inglês e resolvi desencanar”, conta. “Engraçado que hoje em dia se você usa barba em escritório é muito mais aceito. Na mídia também vê muito mais, acho que isso influencia bastante as pessoas.”

Para o publicitário Deco Vicente, de 34 anos, “o problema de ter virado modinha é que você acaba ficando parecido com todo mundo”. Vicente, que deixou crescer os pelos do rosto há 13 anos para encobrir as espinhas, acha que as mulheres estão mais receptivas aos barbados. “Hoje em dia elas deixam claro que amam ou odeiam, mas o número de mulheres que gosta é muito maior.”

@willitbeard / @stacythiot / redpoppyphotos.com @willitbeard / @stacythiot / redpoppyphotos.com

O que elas acham

Juliana Gaião e Patricia Propheta são responsáveis pela página no Facebook “Faça amor, não faça a barba”, onde compartilham sua admiração pelos barbados com cerca de 360 mil fãs. “A barba sempre foi o símbolo máximo de masculinidade, é atraente. Isso não quer dizer que alguém que não tenha barba seja ‘menos homem’, mas é  inevitável a associação entre barba e virilidade, isso torna um homem especial”, diz Juliana.

Sobre a recente onda de implantes entre os desafortunados, que têm poucos ou nenhum pelo no rosto, Juliana diz que vê com curiosidade as proporções que o modismo tomou, mas não julga. “Há muitos anos as mulheres se submetem a implantes de silicone, para se sentirem melhor. Porque os homens não poderiam fazer algo para elevar a sua auto-estima também?”

Transplante de pelos

André Porto/Metro Jornal André Porto/Metro Jornal

O dr Theodoros Vernikos, um dos principais especialistas em implantes de barbas na Real Hair Clinic de Londres, explica porque esse tipo de cirurgia está sendo mais procurada.

Em primeiro lugar, qual o transplante de pelos mais bizarro que você já fez? 

Foi o de um homem com cerca de 50 anos que transplantou pelos pubianos.

Por que a popularidade dos implantes de barba cresceu nos últimos anos?

Por uma questão cultural, pacientes asiáticos e árabes quiseram aumentar a barba. Mas também pode ser uma opção para quem sofre de queda de pelos e cabelos.

Os pacientes podem escolher o formato?

Claro, essa é a parte mais importante. Fazemos um esboço e desenhamos sobre a área que precisa ser transplantada para dar a eles a ideia de extremidade e densidade.

O transplante é uma solução permanente?

Os pelos retirados da parte trás da cabeça ficam bem fixados na barba uma vez que são programados geneticamente para ficarem aderidos à região.

Como a popularidade dos implantes de barba se compara à de outros procedimentos masculinos?

O transplante de barba representa 3% ou 5% das cirurgias realizadas, a mesma estatística da cirurgia de sobrancelha.

Que outras tendências de procedimentos capilares existem?

As mulheres costumavam tirar a sobrancelha, o que deixa os pelos fracos e finos, e isso as leva a fazer micro-pigmentação. Alguns homens têm demonstrado interesse no procedimento.

As celebridades influenciam as tendências de procedimentos capilares?

Sim, especialmente agora, com apresentadores de TV e jogadores fazendo transplantes, o que causa um grande aumento na demanda.

Qual é o preço?

O custo depende do número de enxertos. Barba, bigode ou sobrancelhas não ultrapassam o valor entre 2 mil e 2, 5 mil libras (aproximadamente entre R$ 7,8 mil e R$ 9,9 mil).

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