Cultivo de hortas coletivas ganha força em São Paulo

Por Caio Cuccino Teixeira
Luciano Santos dedica  momentos do dia  à horta na av. Paulista | André Porto/Metro Luciano Santos dedica momentos do dia à horta na av. Paulista | André Porto/Metro

Em busca de uma alimentação mais nutritiva ou mesmo para economizar na feira, há quem tenha feito uma horta em casa ou na varanda do apartamento. No entanto, mais que isso, o movimento de cultivar hortas coletivas tem ganhado força na cidade. Prova disso são alguns pontos verdes como na praça do Ciclista, na avenida Paulista, ou no Centro Cultural São Paulo.

Para essa iniciativa dar frutos, a semente foi lançada nas redes sociais. Primeiro surgiu o grupo Pedal Verde (www.pedalverde.wordpress.com), que em 2009 plantou uma árvore na praça do Ciclista em homenagem à ciclista Marcia Prado e “desde então nos reunimos para plantar e pedalar pela cidade”, explica uma das organizadoras Caren Harayama.

Dois anos depois apareceu o grupo Hortelões Urbanos no Facebook, que reúne hoje mais de 7 mil interessados em trocar experiências e dicas de plantio doméstico de alimentos. “Além de ser uma rede de apoio para quem gosta de cultivar alimentos, o grupo pretende inspirar comunidades de vizinhos para o plantio coletivo e voluntário de plantas comestíveis na cidade”, conta Cláudia Visoni.

Parque da Luz é ponto de encontro | Divulgação/ Pic Nics Parque da Luz é ponto de encontro | Divulgação/ Pic Nics

A partir desse interesse no cultivo em locais públicos, aumentou o número de participantes dos piqueniques por Daniela Pastana Cuevas e Juliana Gatti Pereira, donas de viveiros. “Temos amigos atuando já com agrofloresta, pessoas que já estão montando seus viveiros para uso comercial, mas a maioria planta em casa, escolas ou se interessa em transformar um espaço ocioso no bairro em uma horta urbana.”

Os encontros ocorrem a cada três meses, estrategicamente um em cada estação, sempre no Parque da Luz. O próximo já está marcado para 27 de abril e, segundo as idealizadoras, todos são bem-vindos. Entre o que levar estão sementes, mudas, livros sobre o assunto e comidas e bebidas – de preferência naturais.

Algumas das sementes vão abastecer as hortas coletivas, que começaram a proliferar em 2012. Todas têm grupos no Facebook para garantir o contato dos integrantes e avisar sobre os próximos mutirões – quando são feitas as manutenções com podas e plantações de novas mudas. Mas nada impede que você possa visitá-las, até porque provavelmente terá alguém por lá regando as plantas. Como no caso do advogado Luciano Caparroz Santos, que por trabalhar na avenida Paulista é um dos frequentadores mais assíduos da horta do Ciclista. “Estou desde o começo, quando a praça estava abandonada. O grupo tinha umas quatro pessoas, agora são várias. Tem dias que tenho compromisso, mas acabo passando aqui, não posso deixar de regar”, conta.

Sementes são destinadas ao plantio | Divulgação/ Pic Nics Sementes são destinadas ao plantio | Divulgação/ Pic Nics

Apesar do leve aumento nas áreas verdes públicas registrado pela prefeitura em 201, de 138.890.895,68 m² para 140.293.213,89 m², quantidade desse tipo de plantações continua baixa. “Ainda é pouco pelo tamanho da cidade, as pessoas não têm tempo e muitas acham que é tudo responsabilidade do governo. Mas podemos fazer nossa parte.”

É o mesmo pensamento de Daniela, criadora dos Pic Nics. “O importante é que as ideias estão se multiplicando.”

Horta tem salsinha,  manjericão e até maracujá | André Porto/Metro Horta tem salsinha, manjericão e até maracujá | André Porto/Metro
Todo o cuidado parte de voluntários | André Porto/Metro Todo o cuidado parte de voluntários | André Porto/Metro

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