Fotógrafo registra futebol em quadras e campinhos de SP

Por fabiosaraiva
Partida do tradicional time de várzea Guaiauma, debaixo do viaduto Aricanduva, na zona leste | Caio Vilela Partida do tradicional time de várzea Guaiauma, debaixo do viaduto Aricanduva, na zona leste | Caio Vilela

Peladeiros de todas as idades encontram o cenário ideal para sua arte. O fotógrafo Caio Vilela se dedicou a registrar alguns desses momentos

São Paulo é conhecida por ser uma cidade que não para. Mas, na correria do dia a dia, o paulistano sempre encontra um tempo para jogar futebol com os amigos e não faltam histórias de grupos que se reúnem semanalmente para uma pelada.

Os mais de 300 campos e quadras em parques e outros espaços públicos municipais são bem disputados, principalmente aos fins de semana. É em uma das três quadras do Parque do Povo, no Itaim Bibi, zona oeste, que o analista de orçamento Márcio Alexandre de Oliveira, 35, tenta mostrar  seu talento para o futebol. Mesmo morando em Interlagos, na zona sul, ele escolheu o local pela tranquilidade e comparece, há cerca de cinco anos, todos os domingos para jogar com os amigos que fez nas peladas. “São sempre as mesmas pessoas. Todo mundo se conhece e isso é muito legal”, comenta. Os times são formados na hora e vão se revezando. Cada partida termina quando saem dois gols ou após dez minutos. Se empatar, trocam as duas equipes.

Os peladeiros têm diferentes idades, profissões e times do coração. Mas a rivalidade fica de lado. O corintiano Márcio, por exemplo, joga na mesma equipe do são-paulino Welton Chagas, 21. “Tem uma zoeira de leve só”, brinca o jovem vendedor.

Conselheiro vitalício do Palmeiras, Flávio Luiz Amadei, 68, se reúne com amigos há mais de três décadas na quadra society do clube paulista. “Quando eu comecei a jogar bola aqui, a gente se reunia com um monte de velhos, como eu. Agora, só jogo com esses moleques de 25 e 30 anos. O pior é que eles cobram que eu corra no mesmo ritmo e ainda reclamam quando eu não alcanço a bola”, diz o bem-humorado Amadei.

Uma das principais vítimas das brincadeiras do experiente jogador é Rogério Lagos. Ele conta que as peladas servem para desestressar da semana desgastante de trabalho. “Essa uma hora e meia que jogamos é o pique necessário para aguentar uma semana árdua de trabalho”, afirma. A única preocupação de Rogério era com a mulher. “Ela ficava brava quando eu chegava tarde em casa, mas já se acostumou e viu que jogar bola me deixa mais animado, o que é bom para ela também”, diz. 

2000 é o número aproximado de espaços comerciais, entre society e quadras, espalhados pelos quatro cantos da cidade

 

Natasha, a primeira da esqueda para direita, se diverte com as amigas em Santana | Arquivo pessoal Natasha, a primeira da esqueda para direita, se diverte com as amigas em Santana | Arquivo pessoal

Coisa de menina

Para Natasha Dana, 25, a bola também é um dos principais objetos de lazer. “É sempre divertido e engraçado jogar com as meninas, porque ninguém é profissional, mas mandamos muito bem. Melhor que isso é o fato de reunir amigas de escola, faculdade  e trabalho para esse momento de lazer”, comenta a moradora de Santana, na zona norte.

Lá na zona leste, no bairro da Penha, Vanessa Santos é a responsável por juntar sua equipe para os treinos de fim de semana. “A gente sempre levou os treinos a sério, porque gostamos de ganhar dos outros times. Mas nossos encontros também servem como um momento de rever as amigas, pois estamos sempre na correria do trabalho e faculdade”, fala a jovem de 26 anos.

 

 

 

Não importa a idade

Menino Carlos Gabriel bate bola em frente à igreja São Geraldo | Wanezza Soares/Metro Menino Carlos Gabriel bate bola em frente à igreja São Geraldo | Wanezza Soares/Metro

Mesmo quem não tem um campo ou quadra pertinho de casa, e não quer ir longe para se divertir, dá um jeito. Na região central, quando o Elevado Costa e Silva – o famoso Minhocão – é fechado, os carros que correm para atravessar a cidade diariamente dão lugar a um grupo que só quer saber de correr atrás da bola. Na rampa de acesso em frente à igreja São Geraldo, no Largo Padre Péricles, o movimento de peladeiros é grande depois das 21h30 e domingo o dia todo, já que a passagem de veículos é proibida. Eles usam os cones da CET como trave e jogam com uma bola já bem velhinha. Mas o que importa é a diversão entre vizinhos. O mascote do grupo é o pequeno Carlos Gabriel Alves da Silva, 8. “Jogo melhor do que todos eles”, garante Biel, provocando os amigos adolescentes. Palmeirense e fã de Valdívia, o menino tem o sonho de ser jogador de futebol. A mãe, Sabrina Alves de Arruda, de 28 anos, dá a maior força. “Tem que incentivar. Melhor se interessar pelo esporte do que por outras coisas”, diz a comerciante, sempre de olho no filho durante as peladas.

 

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Crianças no parque Vila Maria, na zona norte | Caio Vilela Crianças no parque Vila Maria, na zona norte | Caio Vilela
Campeonato de amadores em Heliópolis, zona sul | Caio Vilela Campeonato de amadores em Heliópolis, zona sul | Caio Vilela
Pelada entre crianças em campo de Itaquera, zona leste | Caio Vilela Pelada entre crianças em campo de Itaquera, zona leste | Caio Vilela
Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela
Defesa em campinho do Palmeirinha, em Paraisópolis, zona sul | Caio Vilela Defesa em campinho do Palmeirinha, em Paraisópolis, zona sul | Caio Vilela
Jogo em quadra alugada na Vila Maria, zona norte | Caio Vilela Jogo em quadra alugada na Vila Maria, zona norte | Caio Vilela
Pelada entre amigos em campinho no bairro da Penha, zona leste | Caio Vilela Pelada entre amigos em campinho no bairro da Penha, zona leste | Caio Vilela
Fim de tarde no Parque do Povo, na zona oeste | Caio Vilela Fim de tarde no Parque do Povo, na zona oeste | Caio Vilela
Crianças usam saco de lixo como trave em Paraisópolis, zona sul | Caio Vilela Crianças usam saco de lixo como trave em Paraisópolis, zona sul | Caio Vilela
Quadra em condomínio de Itaquera, zona leste | Caio Vilela Quadra em condomínio de Itaquera, zona leste | Caio Vilela
Partida do tradicional time de várzea Guaiauma, debaixo do viaduto Aricanduva, na zona leste | Caio Vilela Partida do tradicional time de várzea Guaiauma, debaixo do viaduto Aricanduva, na zona leste | Caio Vilela
Jogo em quadra alugada na Vila Maria, zona norte | Caio Vilela Jogo em quadra alugada na Vila Maria, zona norte | Caio Vilela
Pelada entre crianças em campo de Itaquera, zona leste | Caio Vilela Pelada entre crianças em campo de Itaquera, zona leste | Caio Vilela
Quadra em condomínio de Itaquera, zona leste | Caio Vilela Quadra em condomínio de Itaquera, zona leste | Caio Vilela
Jogo em quadra alugada na Vila Maria, zona norte | Caio Vilela Jogo em quadra alugada na Vila Maria, zona norte | Caio Vilela
 | Caio Vilela Gramado serve de campinho de futebol | Caio Vilela
Pelada entre crianças em campo de Itaquera, zona leste | Caio Vilela Pelada entre crianças em campo de Itaquera, zona leste | Caio Vilela
Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela
 | Caio Vilela Crianças jogam futebol em quadra de Itaquera com estádio Itaquerão, ao fundo | Caio Vilela
Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela
 | Caio Vilela Partida disputada em campinho de terra | Caio Vilela
 | Caio Vilela Times jogam em campo de grama sintética | Caio Vilela
 | Caio Vilela Partida em quadra próxima a linha de trem da CPTM | Caio Vilela
 | Caio Vilela Jogo disputado em quadra em meio a prédios | Caio Vilela
Fim de tarde no Parque do Povo, na zona oeste | Caio Vilela Fim de tarde no Parque do Povo, na zona oeste | Caio Vilela
 | Caio Vilela Partida em campo de várzea | Caio Vilela
 | Caio Vilela Partida em campo de várzea | Caio Vilela
Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela Garotos disputam bola em rua de Paraisópolis | Caio Vilela
 | Caio Vilela Praça vira campinho de futebol | Caio Vilela
 | Caio Vilela Homem domina bola em campo de várzea | Caio Vilela
 | Caio Vilela Partida em campo de várzea | Caio Vilela
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