Cadeirinhas se mostram inseguras em colisões laterais

Por talita
É importante que o equipamento fique parado, sem mobilidade | Image Source/David Jakle/Folhapress É importante que o equipamento
fique parado, sem mobilidade | Image Source/David Jakle/Folhapress

Em vigor como item obrigatório para crianças pequenas desde setembro de 2010, o uso da cadeirinha ainda está longe de garantir a segurança total dos pequenos. Entre os problemas, a falta de normas gerais para o modo e local adequado de fixação do equipamento  se destacam.

Com objetivo de minimizar parte desses problemas, o Inmetro divulgou na última semana regras para a certificação de cadeirinhas infantis que utilizam o Isofix. Apesar de ter venda permitida no país, até então o sistema é compatível com apenas 5% dos carros e não possui um selo do Inmetro.

Ainda mais alarmante é o desempenho dos equipamentos em caso de colisões laterais.  Um teste realizado pela Proteste Associação de Consumidores, em parceira com a Global NCAP – sigla em inglês para programa de avaliação de carros novos –, identificou falhas em caso de acidente veicular na transversal por parte de 16 cadeirinhas. Ou seja: elas não evitam o contato da cabeça da criança com a lateral da porta.

De acordo com Lia Gonsales, que é coordenadora de mobilização da ONG Criança Segura, as cadeirinhas que temos hoje no mercado seguem as normas brasileiras – que exigem garantia de segurança apenas para colisão frontal –, mas isso não quer dizer que não possam ser aperfeiçoadas. “Precisamos sim garantir mais proteção, porém enquanto não houver alterações e obrigações que contemplem também a batida lateral, só podemos recomendar que as famílias continuem usando as cadeirinhas que são certificadas pelo Inmetro”, alerta.

Para Dirceu Rodrigues Alves Junior, que é chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional e diretor de comunicação da Abramet  (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), o impacto lateral é sempre mais grave e pede uma revisão da conduta que temos hoje no país. “É um erro colocarmos a cadeirinha ou o bebê conforto na transversal do carro, pois é o local mais perigoso”, explica. “No entanto, a maioria dos nossos carros não traz o cinto correto para que elas sejam colocadas no banco do meio, o que significa que as montadoras precisam ser obrigadas pelos órgãos competentes a adaptar esse recurso de acordo com nossos veículos.”

Compra consciente

“Antes de tudo, é preciso verificar o peso e a altura do seu filho, pois as crianças são diferentes umas das outras e não há como seguir apenas a regra da faixa etária”, diz Lia Gonsales. “Também indicamos que as cadeirinhas sejam testadas na hora da compra. Vale dizer que a instalação correta é essencial para preservar a vida da criança.”

O ideal, explica Dirceu Rodrigues, é que as próprias montadoras orientem os consumidores sobre o processo de instalação. “Em geral, quem demonstra é o vendedor da loja, mas isso é errado, pois as pessoas precisam ser muito bem orientadas sobre o uso do item”, diz Dirceu Rodrigues, diretor da Abramet.

Um estudo realizado pela versão americana da ONG Criança Segura, a Safety Child, aponta que um em cada quatro pais não coloca o cinto de segurança nas crianças quando vão percorrer uma distância  curta. No Brasil, esse comportamento  é agravado pelo fato de não ser obrigatório por aqui o sistema de fixação Isofix, que facilita a tarefa da instalação da cadeirinha. “Com isso, muita gente precisa apelar para oficinas que tentam adaptar o veículo”, declara Rodrigues. “Mas isso não é um assunto particular; é algo que necessita de atenção  por parte de todos nós”, diz.

Procurado pela reportagem, o Inmetro afirmou que “monitora as tendências e acompanha com especial atenção as propostas de evolução do produto para o consumidor”.

Segundo o órgão, existem fabricantes de cadeirinhas que informam que seus produtos protegem para o caso de um impacto lateral, porém, atualmente, nenhum país no mundo realiza o teste. “Não há método de ensaio oficialmente reconhecido e nem equipamento necessário para ensaiar o produto”, afirmou o Inmetro, em nota.

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