Vencedor de concurso de game design fala sobre renascimento do gênero

Por Carolina Santos
Fabiano Onça ao lado do pai e sócio José: vitória na França | André Porto/ Metro Fabiano Onça ao lado do pai e
sócio José: vitória na França | André Porto/ Metro

Uma recente e crescente onda de jogos de tabuleiro vem revolucionando o gênero na Europa, principalmente em países como França e Alemanha. São jogos que, ao contrário daqueles que fizeram sucesso no Brasil nos anos 1980, como Banco Imobiliário e War, favorecem as jogadas estratégicas, e não são focados somente na sorte.

Ao mesmo tempo em que a tendência ainda chega de mansinho ao Brasil, pertence a uma dupla de brasileiros o título de maiores inovadores nessa praia. O game designer Fabiano Onça, 39 anos, e seu pai, o educador José, 66, faturaram o primeiro lugar na 32ª edição do mais celebrado torneio de game design da Europa, o “Concours de Jeux de Société de Boulogne-Billancourt”, organizado pela entidade Centre National du Jeu, dedicada à promoção da cultura de jogos na França.

Eles venceram com Shieldwall, um jogo em que dois exércitos combatem para tentar dominar três das cinco áreas do campo de batalha. Ambos os exércitos são representados por dados, que totalizam 60. “Os juízes ficaram impressionados porque nós conseguimos provar que é possível criar jogos extremamente estratégicos sem que para isso seja preciso eliminar alguns elementos de sorte”, declara Fabiano.

 

Fabiano Onça falou ao Metro Jornal sobre a experiência e revelou detalhes de sua trajetória como criador de jogos. Acompanhe.

 

Como é a sensação de vencer o mais importante prêmio do gênero, sobretudo num país que é referência na formulação de jogos de tabuleiro?

É muito estimulante. Na verdade, quando participamos pela primeira vez, em 2004, fomos vencedores. Isso serviu de incentivo para chegar cada vez mais longe. Depois, participamos outras três vezes e ficamos entre os finalistas, em 2010, 2011 e 2012. Não é moleza passar pelo crivo do júri, que é formado pelas pessoas que mais entendem de jogos na Europa. Duzentos criadores competem, dez saem como finalistas, e apenas quatro são designados vencedores. Então estamos muito felizes e empolgados.

 

O que um jogo de tabuleiro precisa apresentar para integrar essa família dos chamados “Eurogames”?

Para colocar de forma bem simples, esse tipo de jogo é reconhecido principalmente por apresentar cinco qualidades: duração curta, de mais ou menos 40 minutos; simplicidade; vitória pelo mérito; inclusão, ou seja, os adversários não são eliminados do jogo, preservando a chance de uma virada estratégica; e estética, pois todos esses jogos têm um apelo visual muito interessante.

 

E como foi que você e seu pai começaram a trabalhar juntos com criação de jogos?

Meu pai é educador, e chegou a empregar a dinâmica de jogos em treinamentos corporativos, inclusive com direito à criação de pelo menos quatro jogos para cursos em bancos. Ele e eu sempre gostamos de jogar. Eu fiz jornalismo, e mesmo na comunicação eu já escrevia sobre games, em sites especializados e revistas. Com 29 anos, eu me arrisquei nuns jogos caseiros, e cheguei a vender um ou dois, depois comecei a criar como freela. A partir daí a demanda cresceu e nós passamos a nos dedicar mais.

 

Que tipos de jogos vocês mais produzem?

Fazemos jogos para todas as plataformas. Mas, em termos de segmento, temos muitos jogos educativos. Eles têm se mostrado uma eficiente ferramenta para ensinar sem o risco de o aprendiz se sentir entediado. Porque, no jogo, existe o simulacro da tensão, o jogador é o agente da mudança. Um de nossos jogos que ensina práticas de sustentabilidade mostrou muito resultado justamente porque exige articulações políticas do jogador.

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