Caminhos da inclusão: limitar o ensino para autistas a escolas regulares gera polêmica

Por Carolina Santos
Alunos da escola Nane frequentam as aulas com autistas e portadores de outros tipos de deficiência | André Porto/Metro Alunos da escola Nane frequentam as aulas com autistas e portadores de outros tipos de deficiência | André Porto/Metro

A determinação prevista pelo Plano Nacional de Educação para que as escolas regulares recebam todos os alunos autistas até 2016 se tornou o mote para o próximo ato de manifestação de pais e educadores, previsto para o dia 1º.

Para pais e educadores, o direito de escolher onde educar as crianças deve ser garantido, apesar da Lei nº 12.764, sancionada no fim do ano passado.

O principal debate fica em torno da adaptação das crianças. “A realidade que devemos buscar hoje é que os pais tenham o direito de escolher entre as duas escolas, as formais ou especiais”, afirma Cláudia Siqueira, educadora e diretora do Instituto Sidarta.

Além dos conflitos pessoais dos pais, os educadores afirmam que a preparação de quem vai conviver com essas crianças também é essencial. “Ainda existe uma resistência da sociedade, mas só vamos conseguir passar por cima do preconceito se quisermos superar as dificuldades”, diz Camila D’Amico, coordenadora pedagógica do Colégio Graphein, que tem seis autistas.

A Escola Novo Ângulo Novo Esquema, a Nane, em SP, já foi desenvolvida para trabalhar com ensino regular inclusivo e atualmente tem sete alunos autistas. “Quando a criança chega, ela passa por um período de adaptação, mas cada uma responde de um jeito”, conta Suely Palmieri Robusti, psicóloga e diretora pedagógica da escola.

‘Meus dois filhos autistas vão à escola regular’

Pedro tem 9 anos e Luís, 8. Ambos são autistas e estudam em escolas regulares. “O mais novo se adaptou bem, apesar das dificuldades no início, e têm se desenvolvido nesse colégio particular”, conta a mãe Marie Dorión, que vive com a família em Jundiaí, no interior de SP. “Mas o mais velho, Pedro, já foi expulso de duas escolas e demorou muito para conseguir ficar nessa que ele está hoje, que é pública”.
Autora do blog “Uma Voz para o Autismo”, Marie acredita que é importante o convívio na escola comum, mas diz que ainda falta preparo por parte dos profissionais. “Nossos filhos precisam de escolas boas, não importa o tipo, desde que socializem”, relata Marie.

Loading...
Revisa el siguiente artículo