Especialistas alertam para riscos de trocar o dia pela noite

Por fabiosaraiva
Mudança de ciclo do sono afeta alimentação | Image Source/Alys Tomlinson Mudança de ciclo do sono
afeta alimentação | Image Source/Alys Tomlinson

Eles adoram inverter as regras e, cada vez mais, adotam hábitos noturnos estimulados pela presença de amigos nas redes sociais ou em ambientes de jogos on-line.

Assim, adolescentes deixam o convívio social e se dedicam a um mundo virtual sem avaliar as consequências desse comportamento em curto ou em médio prazos.

Não é só a privação do sono durante o período noturno que pode acarretar problemas. A própria rotina alterada pode resultar em consequências negativas também para a alimentação, para o crescimento e para o ambiente familiar.

“Jovens que ficam muito tempo no computador ou vídeogame acabam se isolando socialmente, falam com amigos só por mensagens ou por meio dos jogos. Isso não é bom, muitos acabam evitando o contato real pois se acostumam a se comunicar dessa maneira, e quando se encontram acabam tendo dificuldade em se comunicar”, alerta a psicanalista da USP, Priscila Gasparini Fernandes.

Outro problema de transformar a rotina tão radicalmente está na dificuldade de manter os horários para se alimentar e na escolha desses alimentos, já que os jovens costumam priorizar as guloseimas. “A escolha de alimentos não saudáveis podem favorecer o aparecimento de doenças, ainda na juventude, como obesidade, pressão alta, anemia e diabetes. Já a privação do sono em duas horas por semana provoca considerável aumento de mediadores inflamatórios, acelerando o envelhecimento, levando à baixa da imunidade, a doenças cardiovasculares e também ao aumento de peso, pois elevam o cortisol, hormônio do estresse”, explica a doutora pela Unifesp, Leila Froeder.

Os riscos podem ser ainda maiores se associados ao fato de que a exposição ao sol fica prejudicada, conta Leila. “A falta de sol leva à falta de vitamina D. Isto é preocupante, já que a vitamina D é importantíssima na adolescência, época em que há um maior desenvolvimento ósseo, pois é aí que ocorre o chamado estirão, período que define a estatura de um indivíduo, já que a vitamina D retém e armazena cálcio e fósforo no sangue. Ela atua no intestino, onde regula a absorção daqueles minerais. Assim, o corpo não precisa buscá-los nos ossos, poupando o esqueleto e mantendo-o forte”.

E a dificuldade não fica limitada a quem optou pela mudança. André Felício, neurologista e médico pesquisador do Hospital Albert Einstein, afirma “alterações no ciclo sono-vigília podem levar a uma série de problemas que vão desde deficit de atenção, alterações de humor, fadiga, sonolência excessiva diurna, abuso de substâncias estimulantes do SNC [Sistema Nervoso Central] entre outros”.

Entre as principais substâncias estimulantes do SNC estão a cafeína, a nicotina, anfetaminas e cocaína.

Para evitar que o comportamento chegue a este extremo, os especialistas apostam na retomada da rotina. “O ideal é tentar fazer isto gradualmente, corrigindo um dia após o outro o ciclo de sono e vigília, aproximando-o dos hábitos anteriores”, afirma Felício.

“É importante que esses jovens marquem atividades, como por exemplo combinar com a turma um passeio em um parque, um cinema, ir tomar um sorvete, para manter o vínculo pessoal”, aconselha a psicanalista Priscila Gasparini Fernandes, que indica que tudo seja feito em consenso familiar. “Saber ouvir o filho, suas prioridades e seus desejos, para poderem juntos estipular limites e horários que sejam bons para ambos. Por exemplo, se houver um campeonato on-line de um jogo que o filho e os amigos jogam em um horário noturno, se for conversado com o pai sobre a importância de participar desse evento, e o pai permitir, a confiança e amizade serão reforçadas, já que o pai entendeu seu desejo e o respeitou. Depois disso, o pai poderá dar limites, aos quais ele também irá entender e respeitar, contribuindo para uma boa relação familiar”.

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