Projeto voluntário ajuda a ‘libertar’ obras que ficam esquecidas em casa

Por Carolina Santos
Dispostas nos bancos  do parque, as obras estão livres para serem apreciadas | Divulgação Dispostas nos bancos
do parque, as obras estão
livres para serem apreciadas | André Porto/ Metro

Domingo de manhã no parque. É dia de caminhada e piquenique, e também de uma boa leitura. Mas não precisa se preocupar em levar o livro, basta escolher um entre aqueles que repousam nos bancos do Villa-Lobos, parque da Zona Oeste de SP.  São vários títulos à disposição, alguns deles já lidos muitas vezes, porém sempre ávidos para contar suas histórias a um novo leitor, e outros tantos mais.

Doados por pessoas comuns, ou arrecadados em escolas, editoras e empresas, os exemplares fazem parte do projeto Livro de Rua, que acontece há dois anos, sempre no último domingo do mês, e tem como objetivo promover a “libertação” de obras que estão sem uso, guardadas ou esquecidas. “Libertar é deixar o livro passar de mão em mão, fazendo-o ganhar vida de novo”, afirma Marcelo Guedes, que é responsável pela iniciativa voluntária na capital.

Segundo conta, os livros recebidos passam por uma triagem, pois devem estar em bom estado de conservação, e em seguida são etiquetados com informações sobre o projeto. No aviso está escrito que, após a leitura, a pessoa deve libertar novamente a obra, repassando para um amigo ou deixando-a em qualquer local público, como um ponto de ônibus ou o próprio parque. “Quase todos nós temos livros parados em casa. Ao invés de deixá-los por lá, passe-os para a frente, e ajude a disseminar o hábito da leitura”, incentiva Marcelo.

Do mundo para o Brasil

Inspirado pelo movimento internacional Bookcrossing, o projeto começou no Rio de Janeiro, em 2008, adaptado pelo professor Pedro Gerolimich, que é presidente do Instituto Ciclos do Brasil. “Nossa ideia era democratizar o acesso aos livros dentro da realidade que temos no país, por isso começamos a fazer atividades em vários pontos da cidade e aí isso foi crescendo”, conta.

De acordo com ele, cerca de 30 mil livros já foram libertados no Rio e outros 10 mil em cidades fluminenses, SP e Belo Horizonte.

Apesar da expansão do projeto, que há pouco começou a ser realizado também no Parque Gabriel Chucre, em Carapicuíba, ainda falta apoio e interesse, alerta o idealizador Marcelo Guedes. “O Livro de Rua é mantido por doações e precisa de ajuda para sobreviver”, diz ele. “Se nos mantivermos unidos, podemos garantir leitura para muita gente”.

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