Aventureiros com quilômetros de histórias

Por Tercio Braga
Oswaldo Fernandes JR./ Carlos Policarpo/ Arquivo Pessoal Oswaldo Fernandes JR./ Carlos Policarpo/ Arquivo Pessoal

“Só quem anda de moto sabe por que é que o cachorro põe a cabeça para fora quando anda de carro”. Esta frase, num primeiro momento, parece pouco explicativa, mas é praticamente um mantra dos mototuristas. O mototurismo, aliás, tem sido um mercado em plena expansão no Brasil, onde empresas diversificam pacotes de viagens para aventureiros experientes – e também de primeira viagem – sempre dispostos a muita aventura, liberdade e descoberta.

O mototurismo nada mais é que uma denominação daqueles que, sozinhos ou em grupos, se juntam para viajar ao redor do mundo em cima de uma moto. Com o crescimento dessa prática, empresários brasileiros, desde a década passada, viram aí um nicho que poderia ser lucrativo.

Entre as empresas que atuam no mercado está a Omno – Motorcycle Company Support, sediada em São Paulo, e presidida por Oswaldo Fernandes Júnior, de 49 anos. Profissional de automação industrial durante um longo tempo de sua vida, Júnior sempre teve paixão por motocicletas, ao ponto de rodar o mundo em cima de duas rodas, por muitas vezes até sozinho.

E foi justamente nestas incursões que ele viu a oportunidade de negócio e, em 2010, fundou a Omno. Hoje a empresa tem como carro-chefe os pacotes de viagens. “Temos pacotes para o Peru, Marrocos, Estados Unidos, Chile e Portugal”, enfatiza Júnior.

Os preços variam de US$ 2 mil (aproximadamente R$ 4,5 mil) para o Peru – menor preço – a 4,5 mil euros (cerca de R$ 14 mil) para o Marrocos – a mais cara. “Os pacotes são de nove dias, independentemente do país, acontecem com grupos entre oito e 15 pessoas, e existem dois tipos: on Road e off Road. No primeiro, as motos usadas podem ser modelos de Harley-Davidson, BMW ou Honda de 1.200 a 1.600 cilindradas. No off Road, por ser um terreno mais perigoso, as motocicletas usadas são entre 450 e 1.200 cilindradas, geralmente, da BMW e Gas Gas”, explica o empresário, que afirma que a média de quilômetros rodados em uma viagem como estas gira entre 1,5 mil e 3 mil.

Pelo preço citado, os interessados – geralmente homens (90%), com idade entre 30 e 50 anos e com cargos de alto escalão em diversas empresas – têm além da viagem em si e a motocicleta para usar à disposição já no país do passeio, um acompanhamento de um carro de apoio, um guia local, hospedagem e refeições, ficando exclusas hospedagens e seguros de qualquer tipo, bem como cursos preparatórios.

E não é difícil achar gente que já rodou o mundo em cima de uma moto. Este é o caso, inclusive, do jornalista Miragaia René Angelino, de 80 anos. Motociclista desde os 18 anos, Angelino tem números capazes de deixar qualquer um boquiaberto. Nos mais de 60 anos nas estradas, ele já esteve de moto em 150 países. “Minha bagagem é de 2 milhões de quilômetros rodados numa moto”, salienta. As tantas andanças, com passagens pela Europa, América do Sul, América Central, América do Norte, Ásia e Oceania, inclusive, o fizeram escrever três livros.

E Miragaia não está sozinho. Como ele, há tantos outros mototuristas. Outro deles é Carlos Policarpo dos Santos Júnior, autônomo, de 41 anos. Como tudo na vida, Policarpo foi evoluindo. Primeiro, começou as andanças pelo interior de São Paulo. Depois, estendeu-as pelo Brasil. E, por fim, pelo mundo. Até hoje já visitou 18 países. “Não importa o destino e sim o caminho. A felicidade está em viajar, em rodar e curtir as estradas”.

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