Os Princípios Andinos como passos para um novo mundo

Por Claudia Quadros

Os princípios Andinos, são códigos de condutas e sabedoria que vieram do povo Q’ero que como toda sabedoria oral, foi passada de geração a geração ao longo dos milênios. Esses códigos, tão atuais eram e podem se tornar hoje em dia  uma ferramenta de como podemos agir dentro de uma busca de autoconhecimento espiritual.

Nesse momento em que precisamos compreender e recordar quem somos, de onde viemos e para onde gostaríamos de seguir, o conceito de pachamama surge como uma inspiração dos avós dos Andes.

Esses homens e mulheres que nunca se desconectaram do que é preciso valorizar na vida, que compreendiam que tudo vem da mãe Terra, de sua generosidade e que aquilo que doamos a ela, recebemos de volta.

O povo Q’ero foi um dos poucos povos que conseguiram se refugiar nos andes e preservar sua sabedoria  ancestral.

Conforme uma antiga profecia Inca, este é o momento do grande resgate desses antigos códigos, para assim auxiliar as nações a integrarem conduta, emoção e conexão, desenvolvendo uma visão de não como o universo funciona, mas sim como eu tenho que fazer para me alinhar ao universo.

Princípios andinos e a percepção do mundo e do cosmos

A cosmovisão andina é multidimensional e, como tal, representa um desafio para o pensamento ocidental, pois ela se desenvolveu com base na sua percepção do mundo e do cosmos.

Os valores e crenças se constituem da responsabilidade de garantir o equilíbrio entre os três componentes da comunidade, usando os princípios de complementaridade e reciprocidade.

Através desses códigos, podemos entender o que é o amor, saber como funciona a linguagem inconsciente através de símbolos, o tempo e a reciprocidade. Os princípios andinos são um mito que nos retiram da inconsciência do eu para a unidade do nós.

Sete códigos dos princípios andinos

Kawsaypacha é a essência dos sete códigos que permitem o acesso ao espaço e ao tempo andino, criando uma concepção do universo de forma muito mais ampla do que um nascer, viver e morrer.

Para alcançar essa Liberdade que desejamos, é necessário administrar nosso Tempo e experimentar o passado, o presente e o futuro que desejamos ter.

Kawsay

Permite-nos assumir a nossa existência e divindade, não como uma crença mas sim como um caminho. Nos ver através da unidade e não julgarmos as experiências considerando-as boas ou más, damos-lhe apenas uma função.

Assumimos que somos perfeitos tal como somos, usamos as nossas limitações como desafios e novas possibilidades.  Este Código nos explica que não é necessário procurar absolutamente nada;  a única coisa que tenho que assumir é a sua própria existência.

Anya

Nos ensina que a verdade não existe, ela é um mito. As diferenças são integradas, não se procura igualdade entre as pessoas ou as ideias, pois honra-se e respeita-se as diferenças, porque graças a elas crescemos juntos.

Nos orienta a fazer tudo como sagrado, integrando todas as verdades, pois entende-se que cada verdade é um nível de compreensão e a integração de todas as verdades geram uma verdade superior.

Munay

Munay é amor, desejo e poder. Nos permite  transformar, incluir todos os processos, pessoas e momentos como parte de nós; nos amando tal como somos e a todas as coisas tal como são. Permite-nos ver tudo como processos de crescimento e evolução, em gratidão.

Llankay

Llankay permite-nos utilizar as ferramentas do sacerdote interior, abrir um espaço sagrado de cura que ajuda a realizar o nosso plano iniciático. Esse espaço possibilita criar sincronicidades e ainda gerar e retirar pontos cegos do nosso inconsciente.

Yachay 

Nos permite simbolizar o aprendido para não ter que repetir os processos já vividos, facilitando o uso e função de todos os mapas do caminho iniciático, assim como o uso e função das simbologias coletivas já existentes.

Ayni

Ayni nos permite valorizar cem por cento o que somos, cada ato, cada célula e cada experiência. Valorizamos a unidade, dando função a tudo o que contribui para o nosso crescimento, além da  polaridade, densidade ou frequência. Proporciona oferecer cem por cento a cada coisa que fazemos, melhorar a nós próprios e não competir com o outro, dando a cada coisa o valor que queremos.

Kawsaypacha 

Essa sabedoria nos diz que o tempo é imaginário e que agora é o momento da integração de todos os tempos (parte física + som + energia) sem a separação mental (passado – presente – futuro). Quando estamos no agora, acendemos todos os registos e podemos mover o que quisermos em direção a essência divina.

Exercicio de conexão com os 7 princípios Andinos.

Responda com  coração puro e sincero; através dessas reflexões voce poderá encontrar as repostas desses códigos em sua vida.

1) Como reconheço a existência em todas as formas de expressão? (Principio Kawsay)

2) Qual a  verdade voce quer projetar na sua  vida? (Principio Anya)

3) Como voce  expressa seu desejo? O que significa ter amor por todas as expressões da vida? (Principio Munay)

4) Como crio uma sincronia entre as coisas que eu quero ter ou alcançar? (Principio Yanchay)

5) Como posso aprender com minhas experiências pessoais e usá-las a meu favor? (Principio Llankay)

6) Você realmente entende o que  significa compartilhar? Por que é necessário entender que a reciprocidade facilita a conexão entre a terra e o homem? (Principio Ayni)

7) Como reconheço e integro em minha vida a existência de um tempo circular para gerar as modificações necessárias, e criar a realidade que eu quero? (Principio Kawsaypacha)

Refletir continuamente sobre esses códigos, e tentar avaliar cada experiencia que ocorre na vida através desses principios pode proporcionar um caminho de luz e sabedoria, amparados pela mãe terra e sua força.

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Claudia Quadros

Psicóloga, mestra em educação e xamã matricial. Ministra workshops, palestras e vivências de auto desenvolvimento da consciência. Conduz grupos em experiências iniciáticas em retiros e viagens para locais sagrados pelo mundo.

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