Como transformar a sensação de vazio?

Viver o vazio sem ter de dar sentido a ele pode ser libertador

Por Eliel Paiva

A sensação de vazio é algo incômodo, que experimentamos em alguns momentos da nossa vida, depois de um evento pontual, como a perda de alguém querido, o diagnóstico de uma doença ou o término de uma relação. Também pode ocorrer, às vezes, sem motivo evidente, no meio de um dia comum. É como se nada valesse a pena, nada merecesse nossa atenção.

Mesmo em um mundo de possibilidades, onde você pode fazer e ser o que quiser, simplesmente falta vontade, e a sensação de vazio se instala.

Nessa hora, podemos nos perguntar:

  • para que serve esse vazio?
  • O que posso fazer para me livrar dessa sensação ou pelo menos torná-la algo útil?

Ao fazer isso, estamos pensando de forma utilitarista. Utilitarismo é, grosso modo, uma maneira de pensar em que qualquer coisa que fizermos ou situação que estivermos passando tenha que servir para alguma coisa.

A situação tem de ser útil, de preferência algo bom, como trazer retorno financeiro, um benefício para o corpo ou um aprendizado.

Por isso, é comum as pessoas se sentirem ansiosas, procurando responder à pergunta: o que eu preciso aprender com tudo isso? A busca obsessiva por essa resposta só piora a situação.

O aprendizado que necessitamos para evoluir nem sempre aparece em forma de uma conclusão ou crença. Nem sempre aparece de imediato. Às vezes, leva tempo.

A maioria das pessoas com quem compartilharmos nossa sensação de vazio vai procurarmos ajudar a preenchê-lo.

Sente o vazio de um término de relacionamento? Instale o Tinder e bola pra frente ou dê tempo e faça um retiro espiritual. Enfim, tentativas de tornar o vazio algo útil.

Dê espaço para sua alma

É uma ideia interessante, não vou negar. No entanto, quando usamos essa estratégia repetidas vezes, nossa alma se cansa, e o vazio aparece como o recesso da alma, um grito de socorro, um convite ao silêncio.

É como se ela estivesse cansada de se relacionar com o mundo de maneira tão rasa, tão mecânica. A alma não é nada utilitarista e percebe facilmente estratégias repetidas da nossa mente racional. A alma busca o colorido da vida, a surpresa, o improviso.

Clama por uma vida mais profunda, menos óbvia, momentos de contemplação, silêncio, passeios sem roteiro, artesanato colorido inútil, cartas escritas e esquecidas na gaveta.

O vazio é o limite que a alma impõe e, ao ser reconhecido e acolhido em nosso íntimo, criamos espaço para a alma fazer tudo isso sem culpa. É como um quintal espaçoso para uma criança brincar.

Descobrir que é possível viver o vazio sem ter de dar sentido a ele ou se justificar é libertador.

A sensação de vazio pode preocupar, pois vivemos sobre a moratória do faça cada vez mais, como uma voz constante em nossa cabeça.

É como se fosse errado ou proibido experimentar o vazio sem um motivo.

Entregue-se à experiência do sentir a sensação de vazio

Sentir o vazio de vez enquanto não implica necessariamente estar em depressão, burnout ou qualquer outro diagnóstico do momento. Pelo contrário. Acolher o vazio pode ser sinônimo de sanidade e cuidado próprio.

É preciso acolher o vazio transformando-o em espaço para alma.

Há muitas maneiras. O vazio se transforma em espaço quando deixamos, por um instante, de procurar sentido e nos entregamos à experiência do sentir. Sentir o cheiro, perceber as cores, os sentimentos, levar a alma para passear.

Há momento para tudo. Permita-se respeitar seu momento.Tudo que sua alma precisa é de espaço. Permita-se fazer algo sem um propósito prévio. Tenha como guia o sentir. Separe um tempo para…

Melhor: simplesmente separe um tempo e esteja sensível.Sua alma saberá o que fazer.

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Eliel Paiva

Eliel Paiva é psicanalista, terapeuta e instrutor de ThetaHealing, certificado pelo Think (Thetahealing® Institute of Knowledge). É sócio do Aretê, que oferece cursos, atendimentos e vivências de ThetaHealing®.

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