Voltar com o Ex: como tomar essa decisão?

Qual o propósito com você tem o retorno a algo que você já viveu?

Por Artur Vieira Filho

Vou começar esse papo aqui a partir de uma premissa que considero fundamental. Voltar com o ex: jamais!

Calma! Cuidado com a força das palavras e como nos vinculamos a elas. Se o relacionamento acabou, razões diversas desencadearam esse fim, “voltar” então significa uma reflexão ao que se tinha, o famoso mais do mesmo.

E qual o propósito teria isso? Nenhum, espero eu. Afinal de contas, desde um evento traumático (traição, por exemplo) às conclusões de um processo de reflexão sobre o que se tinha (incompatibilidades), há evidências de que você não mais queria o que tinha.

Logo, “voltar com o ex” está fora de cogitação, pois estaríamos aqui aceitando que tudo o que nos levou a romper, ou seja, a experiência adquirida até o fim daquela relação, não será somada a sua vida, não fará parte do que você entende necessitar para iniciar e manter uma relação.

São valores com os quais não pode romper sob o risco de se anular dentro da relação, uma espécie de fusão eterna no(a) outro(a), em que a sua identidade seria substituída apenas pela identidade do então casal. e Você seria substituído pelo Nós eternamente e, sabemos, isso fica bonitinho nos contos de fadas, mas, na vida real, anular o Eu pelo Nós em toda a relação é um suicídio coletivo de ao menos dois.

Então a resposta “Voltar com o Ex” está dada?

Claro que não. Isso seria acreditar que ninguém (ou nada) merece uma nova chance, perceba, nova chance. Portanto, não se trata de voltar com o ex e, sim, de RECOMEÇAR, trazer o novo para a sua vida, trazer o novo para o “Nós” que, de repente, ressurgirá.

A minha proposta aqui é, antes mesmo de refletirmos sobre o tema, aderirmos a uma importante inversão de perspectiva, que seria voltar jamais! RECOMEÇAR, quem sabe? Vejamos.

Voltar seria aceitar o que se tinha como se entendêssemos haver uma incapacidade de fazer melhor. Voltar talvez ainda esteja conectado à dor da ausência, que embriaga a nossa avaliação do que se tinha e o que se deseja ter.

Voltar é seguir na mesma estrada, da mesma forma, com a mesma pessoa e, mesmo assim, desejar chegar em um lugar diferente. Voltar é repetir, voltar é aceitar menos por não entender que se merece mais.

Recomeçar é a fé no novo, é ter esperança de que algo melhor ainda possa advir dessa relação. Recomeçar é acreditar na própria capacidade de renovação apesar do medo de se repetirem erros que já nos fizeram sofrer.

Fazer tudo novamente é voltar, escrever uma nova história é recomeçar

Recomeçar é seguir por novos caminhos com a mesma pessoa, certos de que só assim chegaremos a novos lugares. Recomeçar é fazer o melhor que se pode com aquilo que se tem, sem descartar o que se tem como algo substituível. Nós, humanos, não somos substituíveis por sermos absolutamente únicos, contudo, recomeçar é não aceitar menos por entender merecer mais.

A cada dia, acordamos para um mundo absolutamente novo, ainda não vivido, acordar significa estar no amanhã, que ontem era futuro. Fazer tudo novamente é voltar, escrever uma nova história é recomeçar, mesmo que seja no mesmo cenário, com os mesmos personagens, desde que se redija um novo roteiro. Dá trabalho? Claro! Mas quem disse que seria fácil?

O que você busca na tentativa de voltar com o ex?

Um bom ponto de partida para essa decisão é identificarmos o que queremos para nós numa relação.

O interessante seria você ser o mais objetivo possível, apontar aquilo que não pode faltar em um relacionamento.

Para ajudar, crie um checklist mesmo, pegue uma folha e escreva, para que, além de organizar as suas ideias, possa refletir sobre ela se chegar a uma lista final, a qual será uma referência madura de que menos do que isso não lhe serve.

O que um relacionamento precisa ter:

  • Respeito – A minha individualidade, minha família, meus valores).
  • Compreensão – Somos únicos e, por isso, diferentes, cada um com a sua origem, como pretender seguir sem compreender o outro e ser compreendido.
  • Companheirismo – Apoiar, incentivar, acolher);.
  • Romantismo – Estar atento ao outro, sensível às mudanças, trazer novidades ao cotidiano, reconquistar sempre.;
  • Sexo – Saudável, com tesão, sem julgamento, com respeito ao limite do outro, sem perder o espaço de se desenvolverem.
  • Admiração – Como o outro é na relação não só contigo, mas com o mundo, o quanto isso inspira, agrada e afeta.
  • Afinidades – Propósito em comum, olhar na mesma direção, mesmo que não façam as mesmas coisas, deve-se, de algum modo, contribuir para a caminhada do outro. Rotas de colisão e abandono nunca serão saudáveis, aquela máxima dos “opostos se atraem” é boa no discurso, já na prática…

Não pense que deixaríamos de fora critérios objetivos, tais como:

  • Quero um amor bonito – tá bom, estamos aqui tratando de um recomeço, mas a pessoa pode olhar pra si de maneira mais atenta, não em busca da beleza comercial vendida como um padrão, mas lançar mão de um cuidado para si que antes não tinha e lhe fazia falta)
  • Quero um amor saudável – vamos supor que você goste de esportes, cuida da sua alimentação, e não havia isso na sua relação e isso pra você é uma valor importante para um companheiro(a); vamos supor que a pessoa fumava e você não deseja mais isso, portanto, parar de fumar é algo que esse amor precisa parar de fazer);
  • Quero um amor bem-sucedido – Se esse amor não se relacionava de forma madura ou responsável com o dinheiro, não investia em ser um bom profissional e isso lhe incomodava, é preciso deixar clara essa mudança de postura).

Essa lista é muito particular, talvez nunca encontremos uma igual a outra. Eu trouxe alguns pontos a partir da minha sensibilidade e experiência em atendimento de casais em terapia, também nos atendimentos individuais onde questões se repetem e insatisfações idem. No papel de terapeuta, percebia o quanto não estamos distantes um dos outros em desejos e mesmo assim nos mantemos tão perdidos em realizá-los.

Dizer que se TEM o amor do outro é um erro

Penso que acabamos por nos distanciar de objetivos tão comuns por conta da forma como procuramos encontrar um amor. Cheguei à essa conclusão após juntar as súplicas que me vinham em atendimento em duas perguntas apenas:

  • O que será que tenho de TER para encontrar um(a) companheiro(a) e desenvolver uma boa relação?

  • Como posso TER um relacionamento amoroso saudável, que me faça feliz e tenha um futuro sempre promissor?

Poderíamos até lançar mão de uma resposta confortante e até romântica, mas tenho uma proposta de mudança de perspectiva que reputo bem interessante. Que tal corrigirmos a forma de apresentar requisitos mínimos para encontrar, começar, recomeçar e sustentar um relacionamento amoroso saudável, produtivo e amoroso (no mínimo)?

A proposta é excluir a condição “TER QUE TER” sobre tudo que envolva relacionamento amoroso, mesmo que a inclua em belos adjetivos, e passe a entender que numa relação dizer que “TEM” ao outro é um equívoco primário, dizer que “TEM” o amor do outro é outro erro.
Perceba, você nunca “TERÁ” o outro, porque ninguém lhe pertence.

Isso seria forçar uma posse injusta e não podemos possuir algo que já nasce com um dono, ELE MESMO. Você nunca “TERÁ” o amor do outro, você SENTIRÁ e USUFRUIRÁ desse amor enquanto ele for trocado entre vocês, isso é o que se espera de um relacionamento saudável, sentir o amor, trocar e usufruir sem possuir e submeter o outro a ser o que ele não é, para que ele não a submeta a ser você quem você não é.

Assim, sem posses, sem submissões recíprocas, incapacitantes, alienantes, tóxicas, utilize-se exclusivamente de uma outra expressão para ajudá-lo nessa busca de um Amor Romântico.

Tenha a consciência de que voltar com o ex tem de significar

  • Quanto mais amadurecidos, melhor.
  • Com o máximo de conhecimento sobre nós mesmos, melhor.
  • A individualidade e a história pretérita de cada um é, e sempre serão, importantes, e precisam ser respeitadas.
  • Com empatia e compaixão, dificilmente o seu defeito irá oprimir o outro, subjugar o outro a suas vontades, submeter o outro ao seu narciso.
  • Com cordialidade, educação e afeto indispensáveis, nunca tratará o outro abaixo de como gostaria de ser tratado, gerando uma recíproca indispensável para um relacionamento.
  • A beleza é efêmera, inclusive, a sua. Portanto, se passar a vida procurando atributos externos para iniciar e manter os seus relacionamentos amorosos, mais cedo ou mais tarde, você será descartada(o) por esse mesmo critério de seleção passageira.

E O AMOR?

Tenha a consciência de que SEM AMOR próprio, ao outro e com o outro, não deve subsistir nenhum relacionamento amoroso. Restando claro que para haver amor não pode faltar:

  • Respeito
  • Compreensão
  • Companheirismo
  • Romantismo
  • Sexo
  • Admiração
  • Afinidades

E olha nós voltando lá pro início da lista.

O relacionamento talvez seja um grande ciclo – o Ciclo da Vida.

Permitir que o que é ruim se repita é aceitar um círculo vicioso – VOLTAR.
Não permitir que o que é ruim se perpetue é viver em um círculo virtuoso – RECOMEÇAR.

Terceirizar ao amor a responsabilidade única pelo sucesso das relações é, de fato, a fórmula do fracasso de qualquer relação amorosa.Relações Amorosas fracassadas não são apenas aquelas que terminam em rompimento.

Talvez o maior dos fracassos, a maior miséria das relações amorosas, seja a falta de capacidade de TER A CONSCIÊNCIA DE QUE o relacionamento já fracassou, mantendo-se, às vezes por toda uma vida, um martírio.

Não queremos afirmar aqui que o amor não é o princípio maior do Relacionamento Amoroso. Contudo, o entendimento sobre esse amor é o melhor caminho a ser seguido pois assim não o sobrecarregaríamos com a responsabilidade solo de sustentar uma relação.

Carrego comigo um ensinamento que me guia pela subjetividade dos caminhos do amor, uma frase atribuída a Buda:

“A felicidade é o princípio fundamental da vida e desejar a felicidade do outro é a maior prova de amor.”

Tenho esse como um princípio norteador obrigatório das relações amorosas, algo que nos daria segurança para agir e consciência sobre o que é fundamental receber de volta. Veja:

Se meu gesto, minha atitude, minha oferta, meu pedido, minha presença, minha ausência, minha escuta, minha disponibilidade, minha compreensão sobre os defeitos do outro, meus elogios sobre as qualidades do outro, minha gratidão pelo que recebo, minha doação, meu cuidado, minhas declarações de amor, e uma lista de elementos genéricos, específicos e derivados da troca que um relacionamento amoroso impõe, estejam contribuindo para a FELICIDADE do seu par, com certeza você estará bem próximo de ser um VIRTUOSO DO AMOR – UM SER APTO A SE RELACIONAR E AMAR.

Passamos aqui por questões que vão além do “recomeçar com o Ex”, transcorrendo por valores que podem efetivamente ajudar na busca de um amor. Aos que desejam Recomeçar (voltar nunca, por favor), há uma pequena vantagem sobre os que querem encontrar um relacionamento para começar, que é o fato de já haver uma experiência anterior, de enorme valor..

Até a próxima e boa sorte aos corajosos que não desistem de caminhar pelos virtuosos círculos do amor.

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Artur Vieira Filho

Artur Vieira é pós-Graduando em Psicologia Positiva e Graduado em Felicidade e Bem-Estar pela Universidade Positivo. É um estudioso da Ciência da Felicidade e Psicologia Positiva. Sexólogo e Terapeuta, com especialização em Relacionamentos e Sexualidade.

É Co-fundador do Centro de Estudos da Felicidade no Rio de Janeiro. Palestrante sobre Felicidade, sexualidade humana e relacionamentos. Agente de Transformação Pessoal, com GBA (Global Business Administration) em FELICIDADE – transformando pessoas e organizações pelo ISAE/FGV – Curitiba.

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