Yoga para superar os maus hábitos do dia a dia

Por Fabiano Benassi

Você já percebeu que nós repetimos determinadas ações em nosso dia a dia? Nossa mente funciona basicamente com um mecanismo que chamamos no Yoga de Samskara (hábito). No Samskara estão nossas memórias, inconsciente, traumas, medos. Ali habita também o modo como REagimos aos estímulos. Uma das funções da nossa mente é nos proteger criando seguranças, seja física ou emocional. Isso nos faz ficar na zona de conforto para que possamos economizar energia e nos impede de agir com todo o nosso potencial.

Esses hábitos que criamos não têm necessariamente origem exata, pois pode ter sido construído em nossa infância, por exemplo, o que faz com que algumas atitudes sejam difíceis de mudar, mesmo que façamos de modo consciente. E se o hábito que queremos mudar é acompanhado de vícios, o esforço é ainda maior.

Vamos para um exemplo: imagine que você tem o hábito de dormir tarde. Você se acostumou com isso porque construiu o hábito ao longo da sua vida, pois seus pais dormem tarde, seu trabalho começava a tarde e a sua faculdade era à noite. Então, agora você está em uma nova fase de vida e precisa acordar às seis da manhã e, com isso, tem de dormir mais cedo. O problema é que raramente você consegue dormir antes do que estava acostumado. E agora?

Outros exemplos: parar de fumar, mudança de rotina por problemas de saúde na família, incerteza no trabalho, lidar com algum trauma, pânico de lugares desconhecidos ou altos, se expor como falar em público. A lista pode ser enorme.

Todos esses hábitos nos bloqueiam e nos impedem de fazer conscientemente escolhas livre. No Yoga chamamos isso de de Kleshas. Existem vários Kleshas e se existe algum obstáculo em sua mente que impede você de fazer o que tem capacidade de fazer, mas não faz, então você está preso em um Klesha.

Yoga contra os Kleshas

A prática de Yoga, em sua essência, irá te ajudar a entender como os obstáculos estão te impedindo de agir e te dará ferramentas para lidar com eles ou até eliminá-los. O desafio será vivido e praticado em seu tapete, gerando sentimentos e emoções que não são diferentes dos que você têm ao enfrentar um desafio no seu dia a dia. E quando você volta para a sua rotina percebe que o desafio que estava te impedindo antes, agora não impede mais. Quando você percebe qual é o sentimento que te bloqueia, você pode vencê-lo. Ainda que o sentimento siga dentro de você, não te controlará mais.

Yoga e meditação para eliminar os Samskaras

A cada prática de Yoga e meditação, vamos eliminando gradualmente os Samskaras (hábitos) que não tem a ver com a nossa essência, com a nossa verdadeira natureza e começamos a dar espaço para novos hábitos que são adequados com quem somos de verdade. Paramos de ter impulsos, de REagir inconscientemente aos desafios e passamos a ter escolhas conscientes, agindo com a atenção focada no que é importante de verdade.

Atenção, essa é a ferramenta mais importante na prática de Yoga. É também a principal ferramenta da meditação. A neurociência reconhece a atenção como a força mais poderosa que temos no nosso cérebro. No Yoga, a atenção é a força mais poderosa disponível na natureza, pois nenhum organismo vivo desperdiça energia com aquilo que não foi feito para ser (você não vê um gato tentando ser um cachorro).

Quanto mais atenção damos para alguma coisa, seja ela boa ou ruim, maior é a importância dentro de nós. Não sei se você sabe, mas a palavra importância significa “importar”. Com isso, nós literalmente nos ligamos às coisas que importamos para dentro de nós por meio da atenção.

E quando mais importante for, maior é a atenção (conexão)!

Construindo bons samskaras com Yoga

Reflita agora: quanta atenção você já deu hoje para coisas que não são importantes? A forma como o Yoga ajuda a descartar o que não é importante (samskaras ruins) para colocarmos a nossa energia (foco) no que é importante de fato. O Yoga também cria, consequentemente, os samskaras bons por meio de cinco princípios que toda a prática de Yoga tem: Tapas, Svadhyaya, Ishvarapranidhana, Abhyasa e Vairagya.

Tapas é o calor, a queimação produzida pelo esforço que colocado em si mesmo. Esse esforço é sentido na prática de Yoga, na maioria das vezes por meio dos asanas (técnicas corporais), mas também quando estamos fazendo algo mais sutil como controlar a respiração ou meditar.

Svadhyaya é colocar a atenção em si mesmo que pode ser entendido como um processo de autoestudo. É por meio dele que o processo de reflexão e compreensão das nossas limitações e capacidades acontece.

Isvaraphanidhana é a entrega ao Isvara (deus), mas nesse caso relacionado com a força divina que todos temos dentro de nós. É sua essência, seu EU supremo. É estar atento para ouvir a voz do seu coração (morada do eu), da sua intuição (samprañata) quando a mente está calma e focada.

Abhyasa é o processo de esforço continuado, de disciplina. Fazer a prática de Yoga algumas vezes traz benefícios curtos e que podem ser sentidos rapidamente. Mas a prática disciplinada e continuada é a que vai dar resultado para a sua vida. É também uma forma de entender que praticar Yoga não é apenas no momentos que você está no seu tapete, mas também em todos os outros momentos do seu dia.

Vairagya é o desapego. Não é possível enfrentar desafios, mudar hábitos se essa prática não for feita. Para darmos atenção ao que é importante, é preciso entender que vamos ter que desapegar de algumas coisas (muitas na verdade) e todas elas tem a ver com quem nós não somos.

A mudança promovida na prática de Yoga ocorre de dentro para fora e não ao contrário. Por isso, algumas delas acontecem naturalmente conforme vamos praticando.

Imagine que você olha para o seu desafio e é como se ele fosse um muro, alto, imenso! Conforme avançamos na prática de Yoga é como se o muro fosse encolhendo até parecer um pequeno obstáculo que você simplesmente pula sem qualquer dificuldade.

Não foi o muro que ficou menor, foi você que cresceu!

Técnicas simples para você pular os seus muros

Existem duas coisas muito importantes que vão ajudá-lo a encarar seus desafios e que podem ser feitas por qualquer pessoa, mesmo que você ainda não tenha praticado Yoga nenhuma vez. Essas ferramentas vão te dar ritmo, autopercepção e foco! São elas: a respiração e a meditação.

Quando você sente ansiedade muito grande por estar lidando com um desafio, vai perceber que a sua respiração muda porque está seguindo o ritmo do que você está sentindo. Se você mudar a respiração, pode se acalmar e controlar a ansiedade.

Então, experimente fazer essas duas respirações todo dia, uma pela manhã, ao acordar, e outra antes de dormir.

Respiração com ritmo para acordar

  1. Inspire em quatro segundos;
  2. Com os pulmões cheios, retenha o ar por oito segundos;
  3. Solte o ar em oito segundos;
  4. Repita todo o processo por no mínimo cinco vezes e no máximo 20.

A métrica dessa respiração é sempre 1-2-2-0. Ou seja, você inspira em um tempo (quatro segundos), retém e solta o ar no dobro do tempo (oito segundos para cada). O zero significa que você não faz nada com os pulmões vazios, assim que terminar expirando, já inicia um novo ciclo inspirando.

Se depois de um tempo de prática você perceber que fica fácil de manter o ritmo, então experimente avançar fazendo duas coisas:

  1. aumente o tempo básico de quatro para cinco segundos. De cinco para seis segundos, e assim por diante conforme o seu fôlego permitir. Exemplo: inspire em cinco segundos, retenha e solte em dez segundos.
  2. inclua um ritmo mais avançado que é o 1-4-2-0. Ou seja, inspira em um tempo (quatro segundos), retenha o ar com os pulmões cheios em quatro tempos (16 segundos) e expire em dois tempos (oito segundos).

Respiração com ritmo para dormir

  1. Inspire em quatro segundos;
  2. Com os pulmões cheios, retenha o ar por oito segundos;
  3. Terminando a contagem, solte o ar em 12 segundos;
  4. Repita todo o processo no mínimo cinco vezes e no máximo 20.

A diferença desse último exercício é que a sua expiração será mais longa. Isso ajuda a relaxar seu corpo, a acalmar o sistema nervoso e é ótimo para fazer à noite, antes de dormir

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Não se preocupe se no começo for difícil acertar o ritmo, pois o que você está fazendo não é respirar no ritmo do esforço, mas, sim, fazer sua mente e seu corpo se adequarem ao ritmo que você está colocando na respiração. Dica: comece com cinco repetições completas do exercício e aumente conforme for se acostumando.

Agora, vamos fazer outro exercício para ajudar a controlar o foco e aumentar a autopercepção. A melhor técnica para isso é a meditação.

Para você meditar, você vai precisar de um “objeto de meditação”, necessário para ancorar a sua atenção. Esse objeto pode ser qualquer coisa que ajude a manter o foco fixo.

E como trabalhamos com a respiração, vamos usá-la como nosso objeto de meditação.

  • Sentado com a coluna ereta e as mãos nos joelhos, feche os olhos.
  • Inspire profundamente até que os pulmões estejam completamente cheios.
  • Logo, expire profunda e lentamente até que os pulmões estejam completamente vazios.
  • Durante a inspiração e a expiração, coloque a atenção no seu nariz, sentindo o ar passar.
  • Se alguma distração fizer você mudar o foco, como um barulho ou algum pensamento, assim que perceber que você tirou a atenção da respiração, basta trazê-la volta.
  • Faça o exercício por no mínimo cinco minutos e no máximo 20.

Você pode fazer o exercício sentado na cama após as técnicas de respiração. Se executar essas técnicas simples com regularidade (pelo menos três vezes na semana), irá perceber os benefícios no seu dia a dia.

Para encerrar, trago aqui duas frases inspiradoras:

“Não é fácil entender isso, mas, com o tempo, você chegará a compreender que coisa nenhuma no universo tem poder sobre você. A menos que você permita.” (Swami Vivekananda, em Karma Yoga, cap. VI)

Pois…

“O verdadeiro heroísmo está em conquistar sua própria natureza” (svabhavo vijayati iti shauryam).

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Fabiano Benassi

Professor de Yoga há mais de 11 anos, dá aula e palestras para Grupos, Personal e Empresas. Ensina e atende online no site universoyoga.net e no seu canal do Youtube: fabianobenassi

[email protected]

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