O Sexo bom para as mulheres

Liberdade sexual das mulheres ainda é associada a velhos temas que insistimos em ignorar ou reproduzir

Por Clarissa De Franco

Que a sexualidade da mulher é um tema que está sempre em alta, é algo notório. Mas, quem imaginaria que no ano de 2019 ainda estaríamos discutindo sobre a importância da mulher ser livre com seu corpo, com seu desejo, com sua vida sexual?

Quem imaginaria que a sexualidade ainda permaneceria associada a velhos e mofados temas que parecem nunca superados, como a homotransfobia, o estigma da mulher-objeto, a beleza como recurso social para obter afeto?

Ao longo dos séculos, vários discursos sobre a sexualidade da mulher foram reforçados coletivamente, a ponto de passarmos a viver de acordo com essas expectativas e percepções. Nós, mulheres, fizemos uma enorme caminhada até descobrirmos a força da solidariedade feminina na hora da dor, descobrirmos o direito à igualdade e à emancipação, a verdadeira força de quem tem jornada tripla… Mas a verdade é que ainda falta muito para nos tornarmos livres, fortes e emancipadas, principalmente no sexo.

MULHER TEM QUE SER SEXY OU INTELIGENTE? PODEMOS SER OS DOIS! OU NADA DISSO…

Atualmente, depois de muito brigar contra o lugar da dona de casa, somos inseridas na sociedade com o apelo de sermos sexy, gostosas, siliconadas, bronzeadas, ou, por outro lado, sermos aquelas que têm talento e inteligência e que não precisam do corpo para se destacar.

Uma grande bobagem essa divisão, porque na prática é tudo mais fluido e dinâmico. Podemos ser muitas coisas ao mesmo tempo. Uma bobagem que,às vezes, nos aprisiona por anos em relacionamentos e papéis que não necessariamente correspondem ao nosso ser mais autêntico, e, sim, ao lugar social de aparente empoderamento e encaixe.

Na hora das relações sexuais, lá estamos novamente reproduzindo esses lugares que o mundo nos contou que eram os nossos. A picante, a que faz qualquer posição, vira de ponta cabeça para estar em um lugar de desejo e poder. Ou, em outro contexto, a que espera o parceiro conduzir, a que o satisfaz de maneira delicada, generosa e discreta.

Ok, ok, mulheres, podemos ser generosas, picantes, discretas… qualquer adjetivo nos cabe desde que nos caiba de verdade. É um tema bastante conhecido esse, mas negligenciamos sua importância em nossas vidas, relações e sexualidade: o quanto a mulher se submete ao imaginário social para garantir seu lugar de reconhecimento, de amor e de pertença.

Assim também ocorre com seu (nosso) corpo, que é alvo de objetificação, fetiche e histerias coletivas, em propagandas de cerveja, em capas de revista, desde o colégio com a eleição da mais bonita… Aos nossos corpos são atribuídos poderes sobrenaturais e fantasiosos que oscilam entre a feiticeira/bruxa, a mulher que “desencaminha” os homens pela sedução, ou, em outro pólo, a mulher para casar, a mãe.

QUANDO O SEXO É BOM PARA AS MULHERES

Incrivelmente, apesar do tema ser velho, essas imagens ainda nos interpelam e ainda interferem de modo crucial em nossa atuação no mundo. Nossos seios, com silicone ou não, atendem à fantasia social de mulher gostosa, durinha, pronta para o deleite alheio. O corpo feminino é de todos, menos da mulher, está a serviço do imaginário social.

Em função do triste reforço que nossas relações têm exercido sobre esses discursos de controle, as mulheres foram ensinadas a corresponder aos desejos daqueles a quem amam, como forma de ganhar um lugar de pertencimento, respeito, admiração, e tudo que qualquer ser humano mereceria sem precisar, entretanto, passar por submissões e desrespeitos.

Mesmo aparentemente emancipadas, nós, mulheres atuais, ainda nos submetemos ao social, entre procedimentos éticos e estéticos, tardando a descobrir nossos próprios desejos, não necessariamente como via de contestação e libertação, mas como fonte genuína de quereres e prazeres.

A verdadeira redenção das mulheres sobre seus corpos, desejos e sexualidade, sobre a história de patriarcado e machismo, sobre as submissões que todas em algum grau enfrentamos, é que o parâmetro seja deslocado do outro para nós mesmas, envolvendo um exercício maduro, honesto e contínuo de descobertas e vivências sobre o prazer de cada uma.

Descobrir o que nos faz verdadeiramente bem e o que nos gera prazer é uma arte de investimento, autoconhecimento e aceitação. A cada momento, observar o que sente. Se o esforço estiver sendo excessivo, algo está mais para o outro (ou a outra) do que para si.

Se a vergonha e a culpa aparecem, algum ponto sensível da biografia está sendo visitado por aquela situação. De todo modo, os sentimentos nos alertam de possíveis desconfortos e dos ajustes a serem feitos. Sexualidade madura leva tempo para ser desenvolvida, mas o principal é estar disponível e ser acolhedora consigo mesma para essa descoberta diária.

Não se trata de negligenciar os desejos alheios, mas de resgatar a autenticidade dos nossos desejos. Afinal, sexo bom é sexo que combina com a gente.

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Clarissa De Franco

Clarissa De Franco é psicóloga, com Doutorado em Ciência das religiões e Pós-Doutorado em Estudos de Gênero. Atua com Direitos Humanos, Gênero e Religião, além de ser terapeuta, taróloga, astróloga e analista de sonhos.

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