Como lidar com as emoções negativas?

Medo, raiva, vergonha, culpa, angústia: reconhecer e aceitar sentimentos desagradáveis é o caminho terapêutico para termos bem-estar na vida

Por Alice Duarte

Ao procurar um ombro amigo para desabafar nos momentos difíceis de sua vida, você provavelmente escuta uma porção de frases motivadoras, que estimulam a desviar o olhar do copo meio vazio para focar no copo meio cheio. Mas já te deram esse conselho aqui: “Chore, habite o seu sofrimento. Isso vai te curar”?

Os conselhos que recebemos certamente são dados com a melhor das intenções. Ninguém gosta de ver o outro sofrer porque, em geral, as pessoas também não sabem lidar com o próprio sofrimento. Nós não aprendemos na escola a gerenciar nossas emoções. Pelo contrário, aprendemos desde cedo a usar a mente racional como único recurso de solução dos problemas.

Quando sentimos algo desagradável, sequer paramos uns minutos para tentar perceber ou nomear as emoções que nos visitam: medo, raiva, vergonha, culpa, angústia, entre outros. Apenas sentimos algo ruim no peito a primeira reação é querer livrar-se logo dessa sensação. Rejeitamos, fugimos, buscamos distrações para tirar o foco do que sentimos: nos refugiamos no prazer que vem da comida, daquela cervejinha, das compras, do futebol, do cinema e por aí vai.

Por trás dessa cultura atual que prega que sempre temos que pensar e sentir positivo, há uma cilada.

Estamos calando uma emoção que é sintoma de algo importante e que precisa ser curado em nós ou em nosso sistema familiar.

Emoções negativas: reconhecer, aceitar e liberar

Todo sentimento precisa ter um ciclo com início, meio e fim, pois a lei que rege tudo na vida é a impermanência. Não devemos reter ou nos apegar às emoções. Quando não processamos bem uma emoção desagradável, fruto de uma situação mal resolvida em nossas vidas, estamos jogando a sujeira para debaixo do tapete ou, em outras palavras, para nosso inconsciente.

Mais tarde isso retorna através de pessoas e situações que despertam em nós aquele mesmo sentimento original. Até que possamos olhar, reconhecer, aceitar e liberá-lo.

As emoções no núcleo familiar

Não saber lidar com as emoções pode refletir em diferentes membros da família. Como por exemplo, pessoas que foram traídas, abandonadas ou vítimas de abuso em gerações anteriores. Se elas sentiram impotência e não puderam expressar a raiva, nem agir como gostariam, seus descendentes – filhos e netos –  acabam, por lealdade, inconscientemente assumindo a dor, ou seja, “eu sofro no seu lugar, eu carrego por você”.

Então, passam a sentir a mesma raiva contra quem causou a dor, mas de forma transferida. Não a direciona a quem que inicialmente causou danos ao seu familiar, mas sim às pessoas com quem tenta ter um relacionamento amoroso, por exemplo.

Quando não conseguimos resolver internamente a origem primeira daquela emoção bloqueada no inconsciente, o campo de memória de nosso sistema familiar vai emitir uma espécie de mandato inconsciente para as gerações seguintes. Mas por quê? Para que algum membro do sistema reviva aquele drama na forma de repetições, ou carregue as emoções bloqueadas de alguém de alguma geração anterior. Isso acontece por ressonância, por lealdade ao nosso sistema, que busca sempre o equilíbrio e a compensação.

E por que inconscientemente revivemos esse drama? No fundo, esses mecanismos inconscientes de transferência são uma tentativa do sistema de curar-se.

Por isso é importante que a gente busque recursos para saber enfrentar nossos próprios sentimentos para que essas emoções não sejam revividas pelas gerações seguintes.

A Constelação Familiar pode nos ajudar a superá-los, dando conta daquilo que nos toca, além de nos desvincular de histórias dolorosas vividas por nossos ancestrais.

Exercício para liberar emoções negativas

Neste exercício, de autoria de Brigitte, você precisa determinar um local que represente a vida e o presente – pode ser a janela de um ambiente, por exemplo – e, do lado oposto, um local para representar o passado. Vamos ao passo a passo!

Passo 1

Longe do presente, você se representa, hoje, com esse desconforto. Pode ser um pensamento repetitivo, um medo, uma emoção de qualquer tipo.

Você está no seu Eu adulto, que decide observar o sofrimento que está aparecendo. Você sabe que todo sofrimento é o prelúdio de uma mudança para melhor. E observa o que sente, permite que ele se espalhe em seu corpo. Você olha para o desconforto com ternura. E, quando você descobre como isso se manifesta em seu corpo, você o imagina diante de você.

Você sabe que todo sofrimento é o prelúdio de uma mudança para melhor.

Passo 2

Agora você se coloca fisicamente dentro do seu sintoma, dentro dessa sensação física. Você é a sensação. E se deixa mover muito devagar. Você está vazio, sem querer analisar ou entender. Diferentes partes do seu corpo serão capazes de liberar um trauma que foi retido por um longo tempo, talvez até por várias gerações.

Nós não procuramos entender. Nós não fazemos nada, apenas nos deixamos guiar muito lentamente. Esse processo pode durar vários minutos. O importante é o centramento, o vazio. Se uma emoção aparecer, nos concentramos ainda mais. A cura é o movimento do corpo. Pode haver um soluço ou algo muito profundo. Nunca é melodramático. É muito mais profundo que isso. Permanecemos em completo silêncio, máximo silêncio interno, com a consciência do olhar abrangente do adulto.

Passo 3

Chegará um momento em que passaremos por uma transformação! Sem querer ou pensar a respeito, pouco a pouco, o corpo se elevará e iremos nos aproximar da vida muito lentamente. A sensação interior mudará radicalmente. O adulto e o mal-estar transmutado já se fazem presentes. Alegria, força, entrega e gratidão o inundarão.

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Alice Duarte

É certificada em Constelação Sistêmica Familiar e Organizacional, graduada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação Audiovisual. Vive em Santiago, no Chile, e trabalha com grupos terapêuticos, workshops e atendimentos individuais (presenciais e online.

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