Brincadeiras ao ar livre: fonte de autoconfiança

Na natureza, crianças encontram seus limites e dão vazão à vontade de viver e crescer

Por Patrícia Martins Gonçalves

É comum encontrarmos pais que exigem valores e determinações de seus filhos que não são condizentes com a infância, como, por exemplo, antecipar o processo de leitura e escrita. As crianças não devem ser pressionadas a aprender, mas devem ter estimuladas à criatividade e o prazer do aprendizado. Para tanto, elas precisam de sentidos aguçados, de corpo em ação e vitalidade, portanto, necessitam de brincadeiras ao ar livre, para que a natureza esteja presente a todo momento: na alimentação, na brincadeira, no lazer, no entretenimento, na arte.

Crianças precisam se sujar de terra ou de lama, brincar com água, com amigos e também sozinhas. Todos esses momentos constroem o ser da criança. Não podemos tornar seus mundos exclusivamente macios, forrados com tapetes de borracha, elas precisam entrar em contato com diversas texturas.

Para brincar, as crianças precisam de nosso apoio, cuidado e segurança. Portanto, é um trabalho também do adulto buscar o encontro com a natureza como um contato consigo mesmo, a fim de trabalhar também a autoconfiança, o autocuidado, a contemplação. Dessa forma, é possível construir o caminho que não projete nas crianças os nossos próprios medos.

Pequenas quedas e machucados são naturais da infância e as crianças precisam sentir que o chão é duro, áspero, aprender a se cuidar, saber ter cuidado quando cair e se proteger diante dos riscos. Aprendizados que só acontecem na experiência.

Vivemos o cotidiano sem nos dar conta do quanto é importante sentir a respiração, o contato com a natureza, do quanto o nosso corpo realmente precisa sentir a luz do Sol, respirar consciente e simplesmente nos divertir ou descansar em ambientes naturais.

Benefícios das brincadeiras ao ar livre

No caso das crianças, por estarem sempre construindo a base do desenvolvimento, esse aspecto energético é ainda mais fundamental. Na natureza elas encontram um ambiente vivo e diversificado, onde seus pequenos corpos podem se expandir, encontrar seus limites e dar vazão à vontade de viver e crescer. Quando a criança vai conhecendo o mundo por suas próprias experiências, ela desenvolve autoconhecimento e autoconfiança, “ingredientes” fundamentais para uma vida plena.

Portanto, a falta desse tipo de brincadeira livre e contemplação do mundo natural pode acarretar em sentimentos de insegurança, desestímulo e dificuldade de acreditar em si ao longo da vida. Sem falar dos problemas de saúde, como obesidade infantil, insuficiência de vitamina D, ansiedade, depressão e diversos outros transtornos  que podem ser desencadeados pela falta de exposição ao Sol e de brincadeiras ao ar livre.

Brincadeiras da terra, da água, do fogo e do ar

Para lembrarmos e resgatarmos as brincadeiras na natureza e a cultura da infância, vamos nos inspirar nos quatro elementos, que trazem infinitas possibilidades.

Terra: atividades como cavar, fazer buracos, plantar, brincar com galhos, flores e folhas, misturar elementos, fazer lama, desenhar na terra, criar caminhos, plantar e cozinhar. As artes e os artesanatos, com argila e tinta, também enriquecem nosso repertório de habilidades e saberes culturais ancestrais.

Água: um simples banho de chuveiro, uma bacia ou uma mangueira podem se transformar numa grande brincadeira, assim como banhos de chuva, de mar e de rio. Crianças até dois anos podem se divertir com uma bacia com um pouco de água. É importante ter um adulto sempre perto. As maiores também gostam se tiverem barquinhos ou potinhos onde elas possam mergulhar galhos, folhas e outros elementos. Uma experiência que marca a infância é pular nas poças de lama. Com uma galocha nos pés, não há razão para se preocupar, só motivos para se divertir.

Ar: as brincadeiras do vento são todas aquelas que envolvem sons, músicas, movimento corporal expansivo, correr como se estivesse voando e, é claro, pipas, bolas e petecas.

Fogo: as brincadeiras deste elemento envolvem fogueiras, sempre acompanhadas por um adulto, e também luz e calor do sol, como brincar com as sombras, queimar uma folha seca usando uma lupa, procurar arco-íris e tudo aquilo que a luz permitir tocar os nossos olhos.

Precisamos resguardar o direito de brincar livremente e de ter contato com a natureza. Ao invés de reclamar que a criança se arranhou ou se sujou de terra, devemos exigir que as escolas ofereçam espaços verdes, brincadeiras naturais, com simplicidade, contato com a natureza e diversidade de atividades corporais.

Na natureza, as crianças aprendem a lidar com sensações não muito confortáveis como entrar terra no sapato, sujar a mão de lama, atravessar um arbusto, ser derrubado por uma onda ou tropeçar na raiz da grande árvore. Mas apesar de um certo desconforto, a criança suporta resiliente porque, na verdade, sente um grande prazer de estar brincando na natureza.

O contato com a natureza contribui para a nossa saúde integralmente, pois nos permite regular nossos instintos e até as percepções mais sutis. Pode ser a pracinha, uma calçada arborizada, praias, parques, um quintal, o campus da universidade. Qualquer lugar que ofereça essas possibilidades é um importante começo.

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Patrícia Martins Gonçalves

Trabalha na área de Educação, com ênfase em artes, permacultura e educação ambiental, em projetos sociais e escolas.

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