Nasce uma Estrela: reflexões sobre o equilíbrio entre dar e receber

Resenha sobre filme indicado ao Oscar faz ligação entre a relação dos personagens e as leis da Constelação Familiar

Por Maria Cristina

O filme Nasce uma Estrela ganhou sua quarta versão em 2018. O filme, elogiado pelo público e crítica, é estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper. Com um enredo consistente e profundo, trata de assuntos delicados de forma sensível. No decorrer da história, é possível perceber como o contexto familiar cria movimentos que interferem na vida e nos relacionamentos dos personagens.

O filme poderia ser definido como a jovem talentosa que conhece um músico famoso e decadente. Eles se apaixonam instantaneamente e ele é responsável por lançá-la ao estrelato. Mas, nesta versão mais recente, esse resumo não comportaria a grandeza que as relações familiares são tratadas. 

Nasce uma Estrela propõe algumas reflexões sob a ótica da constelação familiar,  como a Lei do Equilíbrio entre dar receber.

3ª terceira Lei Sistêmica de Bert Hellinger: equilíbrio entre dar e receber

Bert Hellinger é o criador das Leis Sistêmicas, ordens que assumem um papel fundamental no equilíbrio das relações familiares. O psicoterapeuta alemão desenvolveu a teoria da Constelação Familiar. Hellinger percebeu como esta lei atua nas relações amorosas ou em qualquer relação entre iguais. Quando não existe hierarquia dentro da relação (como ocorre entre pais e filhos, por exemplo) a lei do equilíbrio atua como balizadora entre dar e receber. Essa ordem faz com que as relações fluam de maneira saudável e satisfatória para ambos.

No filme Nasce Uma Estrela, é possível perceber como este equilíbrio começa a atuar para depois desaparecer, algo comum nos relacionamentos da vida real.

A personagem de Lady Gaga, Ally, conhece o cantor famoso Jackson Maine e eles logo se apaixonam. A princípio, Jackson oferece muito mais do que Ally pode retribuir, e lança a carreira da jovem, que se transforma em uma cantora reconhecida. 

Durante o relacionamento, a dependência química de Jackson se intensifica. Ally, por sua vez, pode retribuir e cuidar do cantor quando o vício começa a afastá-lo dos palcos.

Em um dado momento, por conta da sua doença, Jackson não mais pode se doar para a relação. Ele passa apenas a receber os cuidados de Ally. A crise maior se instala na vida do casal quando o personagem se dá conta que sua parceira é capaz de abrir mão da própria carreira para apoiá-lo.

O emaranhado na família de origem

Em diversos momentos do filme, o personagem interpretado por Bradley Cooper faz revelações sobre problemas e dramas familiares. Uma mãe que morreu durante o parto e um pai alcoólatra já são elementos suficientes para compor uma dinâmica familiar densa, que contribui para o fracasso do cantor.

Esta dinâmica pode ser explicada pelas duas outras Leis da Constelação Familiar: o Pertencimento e a Ordem/Hierarquia.

A Lei do Pertencimento no filme Nasce Uma Estrela

Essa lei determina que todos têm direito ao pertencimento, independentemente de suas ações. Caso alguém seja excluído, todo o sistema se desestabiliza e, geralmente, alguém precisa expiar a exclusão, ou seja, pode entrar em algum processo inconsciente de autossabotagem que o levará rumo ao fracasso. Esta seria uma maneira de incluir novamente aquilo que foi excluído do sistema familiar.

Assim, tanto a morte precoce da mãe, como o vício do pai do personagem Jackson, representam fatos que são comumente excluído em diversas famílias, já que são situações que geram dor e sofrimento.

Nasce Uma Estrela também retrata a Lei da Hierarquia

Já a lei da hierarquia determina que quem chega antes ao sistema tem prioridade. Ou seja: é preciso honrar e respeitar aqueles que chegaram primeiro.

No filme, esta lei é violada. Em vários momentos, o cantor critica e julga o falecido pai por seus atos. Além disso, parece repetir a mesma dinâmica com o irmão mais velho. Esse comportamento é considerado como uma deslealdade ao sistema. De forma inconsciente, a compensação ocorrerá de alguma forma.

O cantor se iguala ao pai em seu vício, o que pode ser entendido como uma forma de compensar essa deslealdade, se tornando igual a quem tanto criticou.

Culpa inconsciente

Ao analisar toda a dinâmica familiar que atuava sobre Jackson Maine, seria possível dizer que sua relação com Ally tendia ao fracasso. Nas versões anteriores do filme, talvez isso não fique tão evidente.

O fato de sua parceira ascender na carreira de forma meteórica não foi o que causou sua destruição. E sim, a dinâmica pela qual ele já estava envolvido e, infelizmente, não conseguiu perceber de forma consciente.

A culpa inconsciente por prosperar e viver de forma plena, enquanto os pais fracassaram ou morreram cedo demais, acompanha a vida de Jackson. Assim, só o que restou ao cantor foi seguir o destino deles, de forma cega, por amor e lealdade.

O filme provoca uma intensa reflexão sobre as relações afetivas quando as leis sistêmicas são desrespeitadas. Fora isso, também nos mostra como os padrões familiares podem se repetir devido às lealdades inconscientes. 

Desde que nascemos, nossa estrutura familiar exerce uma influência enorme em nossas crenças, gatilhos e comportamentos.

A Constelação Familiar acredita que somos regidos pelas ordens do amor e devemos honrar e reverenciar nossos ancestrais. Assim, para que a vida flua com leveza é preciso respeitar a hierarquia. Para isso, é importante perceber o equilíbrio de troca nas relações e não excluir nada nem ninguém, pois todos têm direito a pertencer.

Quando encaramos todas as situações ou questões que despertaram sofrimento, desenvolvemos uma nova ótica sobre esses episódios. Com isso, passamos a perceber alguns fatos e episódios com mais amor e cuidado.

Dessa forma, é possível ressignificar traumas e colocar em ordem uma série de questões que nos travam e nos causam sofrimento. Então, talvez um destino traçado de forma trágica possa ser alterado, desde que antes possamos reconhecê-lo e aceitá-lo tal como é.

Foto: Divulgação

 

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Maria Cristina

É psicóloga e atende em consultório em BH e online, por Skype. Tem amor pela profissão e o desejo constante de auxiliar as pessoas a enfrentar suas crises e a buscar o autoconhecimento.

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