Candidíase de repetição: sintomas, causas e tratamento

Desequilíbrio emocional e excesso de praia e piscina no verão podem contribuir para o aparecimento frequente da cândida

Por Roberta Struzani

O verão costuma trazer um combo nada positivo para muitas mulheres: praia e/ou piscina e a temida candidíase. A doença é uma infecção causada pelo fungo da cândida e pode ser evitada a partir de algumas precauções. Mas, antes de listar os cuidados, gostaria de esclarecer o que é a candidíase a nível biológico e, claro, em se tratando de um texto meu, dar uma explicação metafísica para a doença também.

Todo o meu trabalho é voltado aos cuidados gerais e à causa emocional por trás de um problema físico. Quando quebramos o ciclo de descompensação energética e/ou emocional do corpo, os microorganismos (bactéria, fungo, etc) não se proliferam, mesmo com meio cabíveis para isso. Isso acontece porque o corpo não está mais fisiologicamente propenso.

O que é a candidíase?

A candidíase é uma infecção ginecológica causada pelo fungo da cândida, geralmente cândida albicans, mas algumas vezes pode ocorrer de outras espécies não albicans como: glabrata, tropicalis, krusei, parapsilosis e saccharomyces cerevisae. Para saber qual espécie afetou você e fazer o tratamento medicamentoso correto junto ao seu médico, você precisa fazer um exame para identificar o tipo de fungos.

Aqui falaremos sobre a manifestação do fungo na genital. A doença, entretanto, também pode causar infecção na pele, unhas, garganta, boca e corrente sanguínea. Mas fiquem tranquilas porque, quando isso acontece, a candidíase já acometeu aquele local em específico. A cândida que você pode ter na genital não irá se espalhar para esss lugares.

Quais são os sintomas da candidíase?

  • Coceira;
  • Dor na região;
  • Vermelhidão;
  • Corrimento vaginal branco e espesso, algumas vezes semelhante à nata.

Desequilíbrio emocional pode provocar candidíase

Por exemplo, você e uma irmã moram na mesma casa e têm a mesma rotina, a mesma alimentação, mas você costuma manifestar o fungo e ela não. Por que isso acontece?

Um médico que não é adepto à metafísica “entortaria” o nariz dizendo que isso tem a ver com o PH vaginal e imunidade de cada uma. Mas o que afeta o PH vaginal e a imunidade? Por trás de toda a fisiologia humana, existem comportamentos, pensamentos e hábitos que interferem.

Tem sido cada vez mais comprovado que o estresse é o causador de muitas doenças. Todas as outras emoções também têm igual importância para o desenvolvimento de enfermidades, disfunções ou manifestações sintomáticas no corpo.

No caso da candidíase, as emoções que podem ocasionar a infecção são:

  • Sensação de dispersão, frustração e/ou raiva;
  • Se sentir obrigada a ter que estar em alguma posição que não gostaria, como em um emprego que tem suas vantagens e paga as contas, mas não te faz se sentir bem mais;
  • Exigências abusivas nas relações;
  • Desconfiança dentro do relacionamento;
  • Não se adaptar ao sexo da pessoa;
  • Sentir-se obrigada a ter relação sexual sem estar com  vontade ou sentir vontade e não fazer; entre outros.

Fatores externos que podem desencadear a candidíase

O fungo da cândida já existe em quantidade normal no organismo feminino e em harmonia perfeita com a flora vaginal da mulher. Assim como qualquer fungo, ele também prefere local úmido, escuro e quentinho. Mas, quando o sistema imune está debilitado e há um desequilíbrio no organismo, o surgimento do fungo é maior e manifesta a enfermidade. Portanto, cuidar da imunidade do corpo, ingerindo uma dose maior de vitamina C, pode ser uma boa estratégia.

Relação sexual

Muitos acham que a candidíase é uma doença sexualmente transmissível. Ela pode se desencadear, entretanto, até mesmo sem ter tido relação sexual. Mas o sexo, por sua vez, pode sim transmitir a proliferação acentuada de um parceiro para o outro, gerando o sintoma, caso o sistema imunológico esteja baixo. Portanto, o uso de preservativo é fundamental.

É correto que ambos parceiros se tratem, tanto o homem quanto a mulher. E é ainda mais importante se for um casal de mulheres, que são mais suscetíveis e sintomáticas ao fungos. A abstinência sexual é necessária durante o tratamento, pois o atrito sexual na mucosa fina e sensível pode gerar ainda mais irritação, agravando o quadro e dificultando a melhora.

A candidíase não é considera uma DST, mas também é transmissível pelo contato sexual. Portanto, o uso de preservativo é fundamental

Excesso de praia e/ou piscina

Quando viajamos a lugares de praia ou com piscina, costumamos usar um único biquíni por vários dias, não é mesmo? A mulher usa a calcinha do biquíni molhada no corpo por horas a fio, tornando o local úmido, quente e abafado, logo, propenso a proliferação de fungos. Portanto, sempre que possível, troque a calcinha do biquíni com mais frequência.

Dica: Calcinhas pretas são neutras e combinam com qualquer estampa e, embora essa cor segure mais o calor, pode ser uma boa saída. A ideia é ter várias peças da cor para trocar periodicamente. E, quando tirar o biquíni, deixe-o secando ao ar livre. O item deve ficar o mais seco possível até ser usado novamente. Outra dica importante: ao chegar da praia ou da piscina, tome banho e troque de roupa logo. Não fique, por exemplo, num churrasco pós-praia o tempo inteiro com o biquíni úmido.

Gravidez

Na gravidez, a mulher fica mais suscetível à candidíase, pois ocorrem mudanças na genital e maior circulação sanguínea local, tornando a região mais quente. Há aumento na produção de lactobacilos e consequente mudança do PH da vagina, que fica ainda mais ácida e favorece a proliferação de fungos.

Estrogênio

O aumento do estrogênio no organismo pode aumentar a circulação sanguínea e tornar a vagina mais quente e mais úmida. Assim, pode aumentar a incidência de candidíase nas mulheres que já têm uma tendência.

Consumo excessivo de carboidratos e doces

A glicose propicia a proliferação do fungo da cândida, pois altera o PH da vagina e o torna mais ácido. Além disso, a glicose por si só serve de alimento para esse fungo. Portanto, o excesso de açúcar no sangue o torna mais forte. Uma mulher com diabete, por exemplo, pode ter mais episódios de candidíase. Diminuir a ingestão de açúcares e carboidratos, pelo menos em momentos de crise da infecção, pode ser uma excelente saída.

Cuidados com a roupa íntima

Existe uma dúvida muito comum entre as mulheres: lavar a roupa íntima na máquina de lavar ou no chuveiro? O ideal é lavar no chuveiro, pois a água quente mata bactérias e fungos que ficam na peça. A calcinha, entretanto, não deve secar no banheiro, que é um local úmido. Mas sim num varal no meio externo da residência.

Ao lavar a calcinha na máquina de lavar, o indicado é utilizar aqueles sacos próprios para roupas íntimas, pois evita que a peça entre em contato com bactérias de outras roupas que ficam mais expostas ao meio externo. Mas o ideal é lavar no chuveiro. Existem produtos que vendem em farmácia próprios para lavar calcinha no banho. Algumas terapeutas alternativas também  produzem itens completamente naturais para esse fim, como a Solange Lima.

Muitos médicos indicam a calcinha de algodão para as mulheres porque, de fato, ela permite uma maior ventilação. No entanto, algumas mulheres são muito úmidas e eu percebi que o algodão tende a deixar o local ainda mais úmido, pois uma das características desse material é a absorção. Nesses casos, eu indico que troque a peça por uma sintética. Ou a calcinha com fibra de bambu. Uma boa dica é dormir alguns ou todos os dias sem calcinha para aumentar a ventilação na região.

Candidíase de repetição: tratamento que exige paciência

É preciso ter constância no tratamento para descobrir a causa, mudar o organismo e quebrar o ciclo de sintomas da cândida. É difícil e requer confiança da mulher com o médico ou terapeuta, mas existe a possibilidade palpável de não adquirir mais a doença. E vale muito a pena.

Eu mesma tive quadros de candidíase de repetição na adolescência e, após começar a atuar na minha profissão, fiz meu autotratamento e não tive mais um episódio sequer. Mesmo que eu vá para praia e entre em contato com todos os hábitos que desencadeie.

Já tratei dezenas de mulheres que também tiveram o mesmo resultado. Mas, para isso, é preciso seguir o tratamento até o fim. Por uma questão de receio e resistência de entrar em contato com algumas verdades incômodas, é muito comum as mulheres desistirem da terapia contra a candidíase. Eu não posso insistir. A mulher precisa ter vontade própria de curar-se, senão o tratamento não dá certo.

Inicialmente nós tentamos controlar a crise com algumas técnicas de ginecologia natural em paralelo ao tratamento medicamentoso do médico de sua preferência. No primeiro bate-papo, eu procuro descobrir todos os fatores de predisposição, hábitos de vida, alimentação, sedentarismo, vestimenta, higiene, formas de se limpar – às vezes até o excesso de limpeza pode estar sendo prejudicial -, e a história de vida dessa mulher. Tudo isso para tentar descobrir a causa emocional – que é a raiz do problema – que está causando a candidíase de repetição.

Algumas vezes, a causa pode ser o anticoncepcional, então, também vasculho a respeito e, quando necessário, converso com o médico para não invadir sua conduta. Terapias alternativas com ácido bórico, violeta genciana, ginecologia natural, receitas caseiras de bicarbonato de sódio, chá de camomila, entre outros, podem ser gerenciadas pela própria paciente. Acompanhamento do ciclo menstrual, autoconhecimento e métodos adaptados e dosados para cada mulher também fazem parte do tratamento.

Algumas têm resposta imediata, enquanto outras podem demorar um pouco mais. Somos todas diferentes e, claro, as respostas não serão iguais. Aproveite essa matéria para questionar o que está fazendo de errado e qual é a emoção que pode estar desencadeando um bolor na sua vida. Assim, você pode se cuidar e se curar da candidíase!

Exemplos do dia a dia no consultório

A cândida é muito comum nos casos em que a mulher se sente descontente com a relação em que vive, mas normalmente tenta se convencer do oposto. Embora a mente seja manipulada, o corpo não se engana. A infecção também é muito comum nos casos de insatisfação sexual.

Já trabalhei em um caso de uma paciente que vivia duas conflitantes personalidades. Um lado dela queria explorar toda a sua sexualidade. A outra parte daquela mulher sabia que todas as emoções e energias do outro são transmitidas para si cada vez que acontece a relação sexual. Ela pensava que precisava se controlar e se poupar mais para não absorver tanto a energia de terceiros. Este conflito de saciar todos os seus desejos ou repreender seu instinto gerava a candidíase.

Um caso que presenciei nesse sentido, por exemplo, foi o de uma paciente que tinha uma vida anterior com diversidade sexual e completamente liberta a viver sexualmente os seus instintos. Quando se casou, embora gostasse do sexo do parceiro e o amasse muito, ela percebeu, depois de muitas sessões, que sentia falta desse instinto sexual mais “louco”.

Buscamos, então, novas versões de vivenciar o sexo que coubesse na relação. Como o sadomasoquismo e outros exercícios sexuais mais estimulantes e diferentes, mas somente entre os dois. Até que esse formato a preencheu emocionalmente de novo e finalizou com os episódios frequentes de candidíase.

Depois, a paciente me relatou que a nova prática sexual fez com que ela se sentisse mais jovem. E ela acabou mudando até seu modo de se vestir e seus padrões comportamentais no trabalho, pois se sentia mais segura de si, mais criativa e ousada. Essa mulher sentiu o que faltava em si, mudou e se curou.

É bom citar também um caso a parte que foge da questão sexual. Uma vez eu atendi o caso de uma menina que ainda era virgem e, portanto, a reincidência de cândida nada tinha a ver com sua sexualidade. Percebemos que o padrão desencadeado foi o término do casamento dos pais e que mudou completamente a sua vida. Ela precisou se reconhecer para perceber que a falta de ferramentas para entender esse reencaixe de si, acabou criando o “bolor” na sua vida. É isso que a candidíase é: o bolor, aquela situaçãozinha chata que de alguma forma te sufoca.

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Roberta Struzani

Terapeuta especializada em sexualidade e saúde ginecológica. Realiza atendimentos presenciais e online focados no autoconhecimento, na elevação da autoestima e na saúde do aparelho reprodutor feminino. Sua principal ferramenta de trabalho é o Pompoarismo.

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