Existe um planeta regente de 2019? Esclareça essa dúvida

Mais de um astro pode sugerir as diretrizes a serem vividas em um determinado período, no âmbito coletivo

Por Leonardo Lemos

Muito se fala a respeito de que cada ano seria regido por um determinado planeta. Creio ser de fundamental relevância, antes de mais nada, questionar o sistema que mede os anos. Sabemos que não funcionamos apenas com um só calendário, o que por si já levaria a questão de um “regente do ano” a uma contradição: qual ano? Quando começa? Quem está com a “razão”?, tendo em vista que temos povos que usam uma contagem de ano diferente de outros.

Curiosamente, um sistema que só é divulgado no Brasil anualmente, é o sistema de regência dos Caldeus, através do desenho de uma estrela de sete pontas, na qual encontramos um astro em cada uma delas.

Provavelmente, foi um almanaque de grande circulação (Almanaque do Pensamento) que a popularizou e assim se mantém sua divulgação em diversos outros veículos de comunicação até hoje.

No sentido horário encontraríamos a sequência dos astros que vão reger cada ano, como por exemplo, 2017 teria sido regido por Saturno (na ponta inferior esquerda), 2018 por Júpiter (o primeiro acima de Saturno, à esquerda) e, logo, 2019 teria a regência de Marte (acima de Júpiter, no sentido horário).

Esta sequência é repetida por 36 anos, ciclo maior segundo os caldeus e cada ciclo de 36 anos também teria um regente. A conta de 36 anos se deve ao número de decanatos de cada signo (três decanatos), vezes o número de signos (doze). Em 2017, entramos em um grande ciclo de Saturno (regente dos 36 anos) e a regência anual desde então se dá a partir de Saturno na estrela de sete pontas.

Se falamos do ano astrológico, vale lembrar que este tem início no equinócio de Áries (outono no Hemisfério Sul, primavera no Hemisfério Norte) e seria a partir do ingresso do Sol em Áries que tal astro regeria.

Porém, depois dos caldeus, outros povos observaram outras formas de percebermos uma tônica sob a qual um período estará submetido.

A regência simbólica de um astro para o ano tem se comprovado uma falácia, uma vez que basta uma busca, uma retrospectiva rápida pela internet que vemos a ineficácia deste método, comparando-se o regente com o que aconteceu no ano.

Ao invés de falarmos sobre “regência” (termo que indica que alguém estaria no comando), podemos pensar num indicador de um clima, um ou até mais astros que podem apontar para tendências a serem vividas durante um determinado período. A Astrologia nos auxilia na identificação deste(s) regente(s) tanto no nível coletivo quanto pessoal.

Trânsitos astrológicos coletivos para 2019

Coletivamente, começamos pela observação das posições e movimentos dos planetas lentos. São estes os reais marcadores de fases, que não necessariamente estão limitadas a “um ano”, pois cada um deles segue um ciclo próprio.

Plutão está em Capricórnio desde 2008, com sua tendência a revelações, conflitos e transformações profundas em assuntos ligados a poder e governos (simbolizados por Capricórnio).

Saturno, desde o fim de 2017, entrou em Capricórnio também, signo que ele próprio rege, dando indicações ligadas à necessidade de estrutura, ordem, organização e limites. Saturno aponta sempre para as lições a serem aprendidas e passa aproximadamente dois anos e meio em cada signo.

Urano, que fica por volta de sete anos em cada signo, fez sua primeira entrada no signo de Touro, entre abril e maio de 2018, voltou a Áries devido ao seu movimento retrógrado e em março de 2019 entra em Touro de vez, onde permanece até 2026, mexendo com os assuntos ligados à economia, moedas, subsistência, abastecimento, segurança material e agricultura, entre outros temas taurinos.

Como se vê, muitos astros percorrem signos do elemento Terra, cuja qualidade é material, prática, real, indicando assim um período tanto de mudanças na ordem das coisas, daquilo que se está estabelecido e tido como seguro, quanto de novos rumos econômicos e de sistemas de governo e poder.

É do elemento Terra a constância e o conservadorismo, porém estes devem ser legítimos. Qualquer forma de poder que não se sustentar com bases sólidas e verdadeiras, mas apenas com autoritarismo e rigidez, poderá viver crises que trazem aprendizados para o coletivo.

Júpiter em novembro de 2018 entrou também no signo de sua regência, Sagitário. Traz incentivo ao otimismo, às ampliações e ao crescimento, assim como à prosperidade, o que proporciona um clima de euforia e de “recomeço” a todos. Nesta passagem por Sagitário, seremos testados pelos limites e pela realidade, já que outro astro, Netuno, símbolo da imaginação, ilusões e fortes ideais, faz um aspecto tenso a Júpiter.

Estes astros podem nos fazer refletir sobre a busca incessante que temos por ídolos ou a necessidade de seguirmos um líder, um guru. Infelizmente, este contato entre Júpiter e Netuno indica o confronto com os “santos dos pés de barro”, ou seja, podemos passar por decepções enquanto idolatrarmos e não reconhecermos em nós mesmos nossas falhas quanto aos limites e à ética.

Júpiter fica aproximadamente um ano em cada signo e, portanto, no final de 2019 vai rumo a Capricórnio, somando-se a Plutão e a Saturno, indicando um clímax universal, uma virada muito importante para o mundo, através de crises e superação de dificuldades. Este ciclo de encontros planetários é estudado há tempos e sempre marcam etapas de decadência e superação humana. Nossas estruturas são testadas a fim de um aprimoramento para o coletivo.

Outras formas de analisar as tendências astrológicas

Outros métodos, além da simples observação da posição dos planetas lentos, servem de instrumento para a análise de tendências. Muito eficazes também são os mapas do ingresso do Sol em Áries para cada país (podendo também ser observados os mapas dos solstícios – Sol em Câncer e em Capricórnio – e o do equinócio de Libra).

O mapa levantado para cada país vai dar as informações para o período de cada estação e determinadas posições no mapa ganham destaque. Astros em casas angulares (denotando impactos com as características daquele astro), contatos exatos ou quase exatos entre planetas e suas localizações nas casas vão mostrar como será o período para aquele país.

Cada grande ciclo, ou cada mapa “chave”, pode e deve ser acompanhado de ciclos menores, como são os ciclos de Lua Nova e Lua Cheia, ou pelos movimentos de Marte, os quais costumam ativar os aspectos dos astros mais lentos. Funcionam como ponteiros marcadores de picos ou de eclosões de eventos.

Existe um planeta regente para cada pessoa?

E quanto ao pessoal, existe um regente para cada um de nós? Podemos dizer que sim. Podemos dizer que através dos nossos mapas identificamos períodos mais ligados a uma energia planetária, como uma pauta a ser cumprida.

Cada mapa vai ter uma peculiaridade, mas podemos observar que quando um astro faz aspectos ao nosso Sol natal (vitalidade, vontade, brilho pessoal), ao nosso Ascendente (nosso papel na vida e iniciativas) e outros pontos do mapa, como o Meio do Céu (metas e carreira), o Descendente (relações e acordos) e o Fundo do Céu (bases e família), ficamos “contaminados” por aquelas qualidades.

Também há sistemas que enfatizam o regente do Ascendente da nossa revolução solar (mapa do retorno anual do Sol ou “mapa do aniversário”) como o regente do nosso ano pessoal.

Já outros astrólogos encontram respostas através das Profecções, que é um sistema simbólico de progressão do Ascendente um signo por ano. Sendo assim, a um ano de idade estaríamos com as qualidades do signo seguinte ao Ascendente e assim por diante, retornando a ele aos 12, 24, 36 anos, etc. O regente do signo onde cair a Profecção pode ser visto também como o regente do nosso ano pessoal. Suas condições tanto no mapa natal quanto na revolução solar para aquela idade apontariam para as qualidades, acontecimentos ou desafios do nosso ano.

Não creio que Marte seja o protagonista de 2019. Inclusive entendo que em 2018, através de sua retrogradação e enfatizado ainda por eclipses, vivemos um período bastante conturbado e aguerrido, com disputas e contratempos.

Há diversos métodos e eles abrangem tanto a Astrologia Mundial, que estuda os acontecimentos para a coletividade, assim como a Astrologia mais individualizada, possibilitando a análise do período de vida de cada um.

2019: organização para ir além

2019 é um ano para organizarmos os nossos voos, ou simplesmente deixarmos o voo para outra oportunidade. Júpiter em Sagitário proporciona a ânsia pelo crescimento e desenvolvimento. Saturno em Capricórnio quer os pés bem fincados no chão e que, sim, você decole desde que tudo esteja bem estruturado, seguro e sob controle.

Os céus apontam para transições importantes e a compreensão do que o céu nos propõe ajuda a ter um aproveitamento maior das coisas. Desse modo, cada um de nós é que será o regente da própria vida.

Foto: Big Stock Photo

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Leonardo Lemos

Astrólogo formado em Santos-SP. Ex-presidente da Central Nacional de Astrologia (CNA) e atualmente professor da Escola Regulus de São Paulo. Há 28 anos traduz os símbolos do céu através da Astrologia.

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