Anorexia nervosa na infância: como identificar e tratar

É fundamental ensinar que as pessoas são diferentes e incentivar a autoestima das crianças

Por Cristiane Costa Cruz

Para ajudar crianças e pais a entenderem a Anorexia nervosa, escrevi a fábula “O Cisne Que Não Comia”, (Editora Lazuli), que foi lindamente ilustrado pelo artista Paulo Sayeg. O livro conta a história da cisne Ana, que deixa de comer para tentar emagrecer e ficar parecida com uma garça. Apesar dos cisnes serem considerados as aves mais belas do lago, a pequena Ana não consegue se achar bonita. Ela gostaria de ser magra como a garça Gisa, então não quer mais comer para alcançar seu objetivo. Mas será este o melhor caminho? Ana adoece e Gisa tenta ajudá-la, mostrando que ela tem suas qualidades e é muito bonita.

“Ana" é o apelido que adolescentes anoréxicas dão à doença, quando trocam dicas sobre como emagrecer em grupos virtuais, acreditando que dessa forma atingirão uma “beleza ideal”. Todos nós somos influenciados por aparências, e a ideia de que existe um tipo de “corpo perfeito” é um conceito muito valorizado em nossa cultura.

Somos bombardeados constantemente por imagens de “pessoas perfeitas” e o padrão de beleza vai se tornando cada vez mais distante do que seria possível para as pessoas comuns.

Os físicos veiculados pela mídia podem levar a uma percepção distorcida e gerar insatisfações em relação ao próprio corpo. Essas imagens têm afetado de forma significativa o olhar que temos sobre nós mesmos. O esforço para atender às pressões sociais muitas vezes torna difícil para as pessoas entenderem suas verdadeiras necessidades, especialmente os mais jovens.

Como surgem os transtornos alimentares na infância

Conceitos polêmicos como o da “barriga negativa” (moda em que o abdômen fica tão magro que se torna côncavo) evidenciam que a magreza extrema é vista como um padrão de beleza ideal. As mensagens associando beleza à magreza informam que o corpo é um objeto a ser aperfeiçoado e está sempre precisando de ajustes. O que está por trás dessa ideia é que ao emagrecer todos os desejos se realizarão de forma mágica.

A escolha dos alimentos passa então a ser guiada pela busca do emagrecimento, e não mais pelo desejo de manter uma alimentação boa e equilibrada, que proporcione uma vida saudável. Esse modelo inatingível, criado pela indústria da beleza, é um dos principais fatores que leva ao desenvolvimento dos transtornos alimentares.

Uma moda que afeta especialmente crianças e adolescentes é a dos concursos para eleger modelos que imitam os bonecos Barbie e Ken. Esses modelos se submetem a diversos procedimentos estéticos e cirurgias plásticas absurdas para ficarem cada vez mais parecidos com os bonecos. O que não contam é que uma mulher com as proporções da Barbie seria fraca demais para suportar o peso do corpo.

Uma mulher real com essas medidas morreria de desnutrição, pois seu abdômen não teria capacidade para conter todos os órgãos. Ainda assim, o número de meninas e meninos que buscam um corpo dentro desses padrões é uma epidemia e isso pode trazer consequências devastadoras para a saúde.Autoimagem e o olhar do outro

Todos temos uma imagem mental de quem somos, desenvolvida desde o início da infância. Essa imagem retrata não apenas os aspectos que podemos ver, como altura, cor da pele e dos olhos, tipo de cabelo, mas também o que aprendemos a partir da visão que os outros têm de nós. Desta forma, uma parte da nossa autoimagem é baseada nas interações que temos com outras pessoas e pode carregar muitos aspectos que não correspondem à realidade.

Quando uma criança aprende que um tipo de corpo representa o padrão correto de beleza e se compara a ele, passa a sentir uma insatisfação em relação ao seu próprio corpo. Essa insatisfação pode levar a uma distorção da imagem corporal. Muitas crianças com peso normal passam a recusar ou restringir a alimentação, para emagrecer e corresponder a esses padrões, podendo chegar à desnutrição e ao desenvolvimento de um transtorno alimentar chamado Anorexia Nervosa.

Anorexia Nervosa: saiba como identificar e tratar

O principal sintoma é a busca da magreza, que leva a um medo intenso de engordar e a uma negação de que o peso está abaixo do normal. A Anorexia Nervosa vem acompanhada de uma distorção da imagem corporal, causada por uma autoavaliação inadequada. Uma vez consolidada, a Anorexia Nervosa torna-se uma doença muito grave e pode levar à morte por inanição.

As meninas anoréxicas não conseguem se ver da forma como são e sempre se consideram mais gordas, mesmo quando já estão magras demais, recusando-se a manter o peso dentro de padrões saudáveis.

A recuperação é difícil, geralmente exigindo internação hospitalar. Afeta mais o sexo feminino, devido à maior preocupação que as meninas têm com a aparência, mas também pode atingir o sexo masculino. Geralmente se inicia na puberdade, mas têm sido relatados casos de crianças cada vez mais novas apresentando esses sintomas, desde sete ou oito anos de idade. A Anorexia Nervosa em crianças pode acarretar consequências físicas graves e problemas de crescimento e desenvolvimento, decorrentes da desnutrição aguda.

Uma criança ainda não tem o discernimento necessário para entender o significado disso tudo, então cabe à família protegê-la dessa “moda”, para evitar que siga padrões distorcidos. Apesar da influência das mídias ser praticamente inevitável, os pais são a principal referência e podem dosar a interferência dos meios de comunicação na vida dos filhos. Desta forma, passam a ter grande responsabilidade em orientar as crianças de maneira adequada, auxiliando na construção de uma autoimagem saudável.

Autoestima para prevenir a anorexia nervosa

Cabe aos pais ensinar as crianças a entender seus próprios desejos e necessidades, em vez de seguir o que é imposto pelos outros. É muito importante fazer sempre elogios sinceros, para mostrar as qualidades de cada um, explicando desde cedo sobre as diferenças que existem entre as pessoas. Deve-se evitar fazer críticas destrutivas, para que as crianças possam construir uma boa autoestima, que não pode se basear somente na aparência.

E é fundamental tentar ser mais “leve”, procurar viver com prazer, brincar e apreciar os bons momentos da vida. Caso sejam identificados indícios de um transtorno alimentar, deve-se procurar orientação psicológica para ajudar a criança a compreender melhor suas questões e lidar com as dificuldades. É preciso buscar novos modelos e fazer as pazes com seu corpo, parar de se preocupar tanto com a aparência e o peso e focar mais na alegria de viver.

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Cristiane Costa Cruz

Formada em Psicologia pela PUC/SP em 1990. Utiliza a abordagem cognitivo-comportamental. Ministra cursos sobre Psicopatologia e Transtornos Alimentares. Presidente da Mensa Brasil.

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