O que fazer na hora da raiva?

Lançar um novo olhar para esse sentimento ajuda a trabalhar a felicidade dentro de nós

Por Andrea Neiva

É possível sentir raiva sem se culpar por isso? Em tempos de autoconhecimento e também de muita demanda sobre esse assunto, tenho visto muitos protestos contra a raiva. A raiva é uma emoção primordial a todos nós, existe para nos proteger, alertar, indignar e provocar uma ação que nos tire da zona de estagnação. Em vez de relevar essa emoção, como tantas vezes somos orientados a fazer, eu sugiro novas atitudes para aplicar na hora da raiva: transforme sua relação com ela. Fique amigo dela, converse e, principalmente, faça perguntas investigativas sobre essa emoção. Pare para refletir:

  • Ddo que a sua raiva está te protegendo?
  • Que dor ela está encobrindo?
  • O que você está “engolindo” ou sufocando dentro de você, de forma inconsciente?  

É possível investigar a raiva sem achar que você não é mais uma pessoa boa porque está sentindo isso. Permita que ela se expresse com autorresponsabilidade, para encontrar as respostas necessárias a favor do crescimento.

Por trás da raiva existe um potencial de amor que precisa germinar. Para isso, entretanto, precisamos aprender a olhar para nossas emoções com neutralidade, munidos de um olhar investigativo e sem julgar se é certo ou errado o que sentimos. Devemos aceitar que somos luz e sombra, e que o processo de transformação para o amor não pode ser vivido com falsa espiritualidade ou falsa felicidade.

Se você sente raiva, reconheça e deixe que ela se expresse, mas sem ferir o outro. Esse é o verdadeiro caminho do amor. Vestir a máscara do bonzinho para não sentir a raiva só vai retardar o processo do amor verdadeiro se expressar.

O que fazer na hora da raiva?

  1. Como se trata de uma emoção, ela vem como uma onda. Durante esse momento, seria bom observar e evitar discutir, assim não ferimos o outro e não corremos o risco de nos arrependermos depois por ações impensadas. Eu indico comunicar a outra pessoa que você está com muita raiva e que precisa se acalmar antes de continuar. Para se acalmar, o ideal é fazer algumas respirações conscientes em silêncio e sozinho.
  2. Se você é uma pessoa que costuma engolir a raiva, sugiro que, ao se acalmar, faça o exercício de falar o que está sentindo. Assim, você começa a vencer essa dificuldade aos poucos com sentimentos de raiva menos intensas, para mais a frente lidar melhor com as de mais intensidade.
  3. Depois de se acalmar, é muito importante fazer o exercício da retrospectiva. Você pode se sentar com olhos fechados e refazer a cena, mas agora como observador de você mesmo e do outro. Durante o exercício, perceba qual foi o momento que a raiva apareceu, o que disseram ou fizeram para que ela disparasse, que sentimentos você sentiu e o que te fez se sentir ameaçado. Ao observar a cena com imparcialidade, poderá reconhecer a emoção por trás e então reintegrar esse sentimento. Esse exercício ajuda a sair do modo reativo nas próximas ocorrências.
  4. Geralmente, a dor por trás da raiva está relacionada com dores da nossa infância. Procure encontrar semelhança do fato ocorrido na vida atual com situações que te machucaram na infância. Ao reconhecer a relação, procure dizer para você no presente: “Isso está no meu passado, não preciso mais reeditar essa história. Eu escolho perdoar e deixar ir, não preciso mais recriar essas circunstâncias”.

Conforme os exercícios forem se tornando frequentes, você poderá observar na sua vida as situações com um pouco mais de distância, clareza e leveza, sem necessariamente se identificar ou reagir projetando o passado. No presente, sob uma perspectiva de reintegração do ser, poderá perceber que as circunstâncias da vida, que trazem essa lembrança, são apenas projeções e que você de fato não está mais ameaçado, tornando-se livre do peso dessa dor. Olhando para os fatos com imparcialidade e sem julgamentos pessoais, você passa a descobrir novas experiências nas relações.

Andrea Neiva

Andrea Neiva é coach integrativo, viajadora e buscadora inata. É palestrante há mais de 10 anos e criou a metodologia própria "Inteligência Integrativa", aliando experiências empíricas de imagem pessoal, coaching e autoconhecimento.

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